Obras facilitam acesso a mercado vítima de incêndio no século passado
Todos os anos, milhares de turistas desembarcam no Recife para conhecer as atrações da capital pernambucana. A partir de julho, visitantes - e também os recifenses - terão reforçados os motivos para ir até o mais antigo centro popular de compras da cidade e símbolo da arquitetura em ferro no Brasil: o Mercado de São José. Até lá, deverão estar concluídas as obras do projeto de requalificação turística daquele conjunto.

Com investimento de 1,3 milhão de reais, vêm sendo realizadas intervenções no histórico mercado concebido no século 19 pelo engenheiro Louis Lienthier. O objetivo é tornar o conjunto mais adequado à visitação, já que, de acordo com dados do Sebrae/PE, ele recebe diariamente mais de 9 mil pessoas. As propostas são de técnicos da Companhia de Serviços Urbanos do Recife (Csurb) e das secretarias municipais de Serviços Públicos e do Turismo. “Todas foram aprovadas pelo Iphan”, assegura Alexandre Sena, diretor-presidente da Csurb.

Para realizá-las, o Ministério do Turismo e a Fundação Banco do Brasil abriram seus cofres, e a prefeitura local entrou com parte dos recursos. Obras finalizadas, o visitante terá maior facilidade para chegar ao local e para deslocar-se pelo interior do edifício. Calçadas externas estão sendo recuperadas e adequadas aos portadores de necessidades especiais; o interior ganhará sinalização visual, iluminação cênica e um espaço cultural.

Nem tão visível, mas até mais importante, são os equipamentos e a infra-estrutura que o conjunto terá para evitar que ali se repita o trágico fato da madrugada do dia 29 de novembro de 1989: um incêndio que destruiu mais de 200 compartimentos de um dos pavilhões (o outro estava em obras).

Na edição 128, de dezembro daquele ano, o arquiteto Geraldo Gomes relatou para os leitores de PROJETO DESIGN a história da edificação e recordou os fatos que o levaram a dar ao texto o título “Mercado de São José, crônica de um incêndio anunciado”. Autor do projeto de restauro e recuperação que estava em curso, Gomes lamentava: “O acúmulo de omissões por parte do poder público, conjugado com o famoso jeitinho brasileiro, dessa vez trouxe conseqüências funestas para todos”.

Com a atual requalificação, o São José será o primeiro mercado público do Recife a receber certificação de segurança contra incêndio, informa o diretor-presidente da Csurb, companhia responsável pela administração do local.

Os turistas poderão usufruir mais tranqüilamente das atrações oferecidas pelo São José e checar a hospitalidade dos permissionários, uma vez que um dos pontos do projeto previa o treinamento dos locatários para melhor atendimento.

Por via das dúvidas, evitem-se fogos de artifício na reinauguração.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 328 Junho de 2007

 
Fachada principal do Mercado de São José em 2006, por onde passam diariamente cerca de 9 mil pessoas. Obras de requalificação devem estar concluídas até o início de julho
 
Em 1989, um dos pavilhões do Mercado de São José foi consumido por um incêndio e teve mais de 200 compartimentos destruídos
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