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O atual proprietário do terreno, de quase 35 mil metros quadrados, é um dos maiores empreendedores imobiliários de São Paulo, a Cyrella, que adquiriu o lote do Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A empresa planeja construir ali um edifício comercial e quatro residenciais. Os projetos, que tramitam em busca de aprovação na prefeitura, são dos escritórios Collaço e Monteiro Arquitetos Associados (prédio comercial) e Márcio Curi e Azevedo Antunes Arquitetura (blocos para habitação).
A ex-sede do grupo Pão de Açúcar estava localizada numa das regiões mais valorizadas da cidade: na extremidade da Berrini mais próxima à Usina da Traição (o córrego hoje canalizado teria seu nome originado de uma emboscada entre dois compadres e sócios portugueses, um morto pelo outro). Mesmo assim, foi demolida. Por isso, cabe a pergunta: estaríamos diante de uma nova dinâmica no mercado imobiliário paulistano?
A implosão em si é um fato corriqueiro: vários prédios foram demolidos no país com o uso dessa técnica. No Brasil, entretanto, trata-se de raro caso de implosão de edifício relativamente novo. Datado de 1980, o projeto foi criado pelo escritório BDSL Arquitetura, pelo trio de arquitetos João Carlos Bross, Ricardo Júlio Leitner e Arnaldo Villares de Oliveira. O relato sobre como, quando e por que foi implantado o conjunto está na edição 85 da revista PROJETO, de março de 1986. Entre a idealização do projeto e a derrubada da torre, passaram-se, portanto, menos de três décadas.
Recordando a história do edifício, Bross informa ter sido ele que convenceu as lideranças do Pão de Açúcar a construir a nova sede, com o aval de um dos executivos do grupo, Luiz Carlos Bresser Pereira, que em 1987 seria ministro da Fazenda do governo Sarney (Bresser e Bross serviram juntos na Cavalaria). A empresa ocupou a torre de 1987 até 1990 - época de séria crise interna, motivada por disputa de herança, pelo Plano Collor e agravada pela construção do prédio -, quando retornou para a avenida Brigadeiro Luiz Antônio, local de origem da rede. Certamente, os idealizadores do espaço não possuem boas recordações do falecido conjunto. Para eles, parece não ter valido o conhecido slogan “Lugar de gente feliz”, imediatamente associado à rede Pão de Açúcar. Resta, então, desejar felicidades aos futuros ocupantes.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 329 Julho de 2007
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