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Vizinho do parque D. Pedro 2º e situado na junção das ruas do Gasômetro, da Figueira e Maria Domitila, o conjunto é hoje quase um edifício-fantasma. Seu interior é defendido por apenas um praça da Guarda Civil Metropolitana. É um presente inglório para a segunda mais antiga usina de gás de carvão da capital, combustível usado na iluminação pública antes da chegada da luz elétrica à cidade.
Há, porém, uma luz no fim do túnel - e não é a do gás de carvão - para o futuro da construção. Há mesmo? A dúvida é pertinente, porque no último mês de abril (e não foi no dia 1°) a prefeitura informou que preparava o processo para licitar o restauro da edificação. As obras seriam iniciadas em 2008.
No começo de agosto o processo pouco havia avançado. O arquiteto Rubens Reis, gerente de intervenções urbanas da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), acredita que a licitação possa ser lançada até o final do ano. Serão realizadas apenas obras de consolidação das estruturas do imóvel, pois não há programa definido para sua ocupação.
Se concretizado, não será esse o primeiro restauro da Casa das Retortas - assim chamada por ser essa a denominação dada aos recipientes que recebiam o carvão para a produção do gás. O mais recente foi realizado no final dos anos 1970 e reportado na edição 28 da revista PROJETO, de março/abril de 1981.
O texto dava conta de que o Idart, braço da Secretaria da Cultura municipal, ocupante da velha usina, publicara Casa das Retortas e Brás - Espaço e uso, volume inicial de uma coleção intitulada Cadernos. O projeto de restauro e adaptação da antiga usina foi idealizado por Paulo Mendes da Rocha - mas isso a revista não informava. O projeto pouco é citado, até mesmo por Mendes da Rocha. Talvez em razão de ter sido só parcialmente executado.
Já se cogitou transformar a Retortas em anexo do Palácio das Indústrias (também desocupado e deteriorando-se), que abrigaria um misto de centro de exposições e artes. Em 2005, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica (Sindcne) propôs ao então prefeito José Serra instalar na antiga usina um centro de formação de técnicos cinematográficos. Ouviu um peremptório não. Outra hipótese seria um centro de exposições de moda.
Qualquer delas seria bem-vinda, desde que o elegante espaço abandonasse o ócio e tivesse contida sua deterioração.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 331 Setembro de 2007 |