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O projeto da Universidade de Brasília data de 1960. Em 1962, Niemeyer foi nomeado coordenador da escola de arquitetura da instituição. E de lá ele se retirou, em 1965, por discordar da política universitária do governo militar, numa trajetória de choque que resultaria no seu auto-exílio em Paris. Foi no período em que exerceu o ofício em território francês que o arquiteto elaborou os projetos universitários para a cidade argelina e para o município paulista.
A universidade de Constantine, de 1969, desenvolvida para o governo argelino, tornou-se um dos mais admirados trabalhos de Niemeyer no exterior. Idealizado para uma instituição privada, o segundo campus da Universidade Moura Lacerda, em Ribeirão Preto, não possui o mesmo vigor plástico, não é tão conhecido quanto seu congênere africano e foi apenas parcialmente implantado.
Mais de três décadas depois de ter sido projetado, o campus mantém ainda a perspectiva de ser concluído. “Temos construído um bloco a cada três ou quatro anos”, informa Luiz Eduardo Lacerda dos Santos, diretor executivo da Moura Lacerda. Em 2008, a instituição planeja dar início à implantação do restaurante, mais um dos componentes do complexo.
O projeto foi encaminhado ao contratante por Niemeyer em fevereiro de 1972, com a “explicação indispensável”, memorial que costuma acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelo arquiteto. “Para começar pedimos desculpas pelo atraso. Aliás, fácil de explicar. Não desejávamos fazer um projeto qualquer, baseado num programa vago e indefinido”, escreveu, da França, o autor.
Niemeyer não só projetara o campus, como pretendia participar da montagem do programa para o curso de arquitetura da instituição. Notícia publicada na edição 18 da revista PROJETO, de janeiro/fevereiro de 1980, informava que ele escrevera ao então diretor da universidade, Oscar Luiz de Moura Lacerda, filho do contratante, confirmando interesse na proposta.
A maior parte dos prédios do campus da Moura Lacerda lembra o Niemeyer da Pampulha. Trata-se da única obra do mestre carioca na cidade do Nordeste paulista, para a qual ele já desenhou ao menos dois trabalhos no atual milênio, ambos abortados: um conjunto agregando auditório e praça de esportes e um centro de exposições.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 334 Dezembro de 2007 |