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Eurico Ramos Francisco, Fábio Mariz Gonçalves,
Lívia Maria Leite França, Luís Mauro Freire, Maria do Carmo Vilariño e Zeuler Rocha Mello de Almeida Lima poderiam ter brindado - se não o fizeram, façam-no agora - ao tomar conhecimento de que o governo do Distrito Federal pretendia reiniciar em fevereiro (2008) e concluir em 18 meses as obras do conjunto que vai abrigar a Câmara Legislativa.
O sexteto é autor do projeto vencedor de concurso público. A edificação foi parcialmente implantada no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), próximo ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/DF). Os antecedentes recomendam certa cautela com o prazo, pois as obras, iniciadas em 2003, foram interrompidas em 2005 porque o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) considerou insuficiente o número de vagas de estacionamento, segundo informação do governo do Distrito Federal.
Na primeira etapa dos trabalhos foram investidos 23 milhões de reais. Com as alterações solicitadas, o orçamento inicial, que era de 42 milhões de reais, foi ampliado para 96 milhões. Também foi expandida a área construída, que passou de cerca de 30 mil para 48 mil metros quadrados.
Em abril/maio de 1990 - ainda na ressaca do Plano Collor -, a edição 131 da revista PROJETO dedicou sete páginas para mostrar alguns dos trabalhos que participaram da competição para a escolha da sede do Legislativo distrital, em reportagem/artigo no qual Hugo Segawa perguntava: “A Câmara de Brasília: a fênix abrindo as asas?”. O autor recorria à mitologia, associando o poder que teria a ave imaginária de ressurgir das cinzas à redescoberta da modernidade arquitetônica no projeto daqueles jovens.
Não foi pouco o tempo que os arquitetos esperaram pela implantação de seu projeto. Tanto que, para fazer o brinde sugerido, seria preciso, em primeiro lugar, reuni-los novamente. Dos seis jovens que se juntaram em 1989 para participar da competição - à época nenhum deles com idade superior a 25 anos -, apenas Freire e Maria do Carmo permanecem no Projeto Paulista, escritório que constituíram depois de ganhar o concurso público.
Freire e Maria do Carmo planejavam concluir antes do carnaval o novo projeto executivo, que vai orientar a anunciada implantação. Sem nenhuma intenção de que, como a fênix, ela tenha que renascer das cinzas dentro de alguns anos.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 337 Março de 2008 |