101 parques para São Paulo
Essa é conta e a meta da prefeitura para atenuar o cinza-concreto da cidade
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Avenida Paulista terá parque em área que deveria guardar dinheiro
Para que São Paulo deixasse de ter o tom cinzento que predomina em sua paisagem seria necessário talvez implantar aqui uma floresta da Tijuca. Mas o cinza-concreto poderá pelo menos ser atenuado se a prefeitura cumprir a meta de ampliar os parques na cidade. A intenção foi anunciada pela Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente com o projeto 100 Parques para São Paulo, divulgado no dia 26 de janeiro.

De acordo com a prefeitura, há na cidade 41 parques municipais, e mais 25 serão concluídos até o final deste ano, quando termina o mandato do prefeito. A secretaria informa também que outros 34 projetos estão engatilhados para os próximos anos.

Essas contas precisam ser refeitas, porque elas deixaram de contabilizar outra área que, dois anos atrás, o então prefeito José Serra, igualmente próximo ao dia do aniversário da cidade, informara que seria transformada em parque: um terreno na avenida Paulista. Na segunda quinzena de março, a Justiça concedeu à prefeitura a posse definitiva do lote que faz frente também para a alameda Santos e lateral para a rua Ministro Rocha Azevedo.

O autor do projeto para esse parque é André Graziano, assessor especial para áreas verdes, paisagismo e parcerias com a iniciativa privada da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. A proposta ainda será submetida aos órgãos de preservação do patrimônio estadual e municipal. Se aprovada, há duas alternativas para sua implantação: a prefeitura realizar a obra, o que demanda mais tempo, para seguir as normas de licitação; ou a iniciativa privada tomar para si a incumbência.

O arquiteto diz que o projeto não toca na vegetação existente e prevê como edificações um balcão de informações e conjunto de sanitários. Por suas contas, as obras não demandariam mais que três meses - ou seja, podem estar prontas até o final do ano. Graziano tem responsabilidade adicional com o trabalho, pois na casa que existia naquele terreno nasceu e viveu - ainda que por poucos anos - ninguém menos que Roberto Burle Marx.

No lugar do futuro parque já se cogitou implantar uma agência bancária ecológica - nos dias de hoje se diria sustentável. O escritório Borelli & Merigo desenvolveu o trabalho divulgado por PROJETO DESIGN na edição 155, de agosto de 1992. “O terreno possui um bosque de valor paisagístico e ambiental, composto por 176 árvores identificadas e catalogadas”, informava a reportagem.

A agência não foi construída, e a instituição interessada, o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), também sucumbiu. A vegetação para o futuro parque, presume-se, está toda lá - quem sabe até com alguns exemplares de dinheiro-em-penca -, mas não fomos conferir. Alguém se habilita?



Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 339 Maio de 2008

 
Agência ecológica para o Banerj projetada pelo escritório Borelli & Merigo. Na época, o início das obras dependia da retomada da economia e das condições de investimento do banco
 
Projeto de pocket park desenvolvido por André Graziano
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