O CASARÃO DA MARIETA
A restauração de um dos primeiros sobrados de tijolos de São Paulo
- Detalhes
- 01 de Fevereiro de 2007. Visitas: 22.167
O projeto de Affonso Risi Júnior prevê que o casarão se transforme em centro cultural. No final de 2005, foi liberada parte dos recursos para a obra, que deverá ser concluída em 2007
A cultura chegará, enfim, ao casarão de dona Marieta
Que laços unem os religiosos do mosteiro de São Bento, em São Paulo, e dona Marieta Teixeira de Carvalho? Eles são um pouco mais estreitos do que as meras relações de vizinhança sedimentadas ao longo dos anos em que a filha do coronel Carlos Teixeira de Carvalho residiu no sobrado de número 111 da rua Florêncio de Abreu, no centro da capital paulista, construído no lote que faz fundo com o terreno do edifício beneditino.
Tombado pelo Conpresp e pelo Condephaat (órgãos municipal e estadual de preservação do patrimônio, respectivamente), o sobrado está sendo restaurado e passará por mudanças para receber um novo programa: um centro cultural vinculado aos religiosos. O projeto é do arquiteto Affonso Risi Júnior, que trabalha para o mosteiro desde a década de 1990. As obras, realizadas pela construtora CVP e orquestradas pela restauradora Nilva Calixto, devem ser concluídas em 2007.
Os negócios contratados entre a casta dama - ao que consta, dona Marieta nunca se casou - e os celibatários beneditinos ocorreram em duas etapas: na década de 1960, a filha do coronel lhes vendeu uma parte de seu quintal; entre os anos 1960 e 1970, negociou sua própria residência, onde, por acordo, continuou a morar até a morte.
Nem astrólogos se arriscariam a prever o futuro com tanta antecedência: a notícia do restauro (não consumado) foi publicada por PROJETO DESIGN há quase duas décadas. Na edição 97, de março de 1987, na seção Jornal Projeto, reportagem informava (melhor seria dizer supunha) que o sobrado do final do século 19 seria recuperado.
A iniciativa era creditada à Gera Administração e Desenvolvimento. A empresa considerava que só seria possível concretizá-la com recursos governamentais ou com o uso comercial do imóvel. Na reportagem, era citado como exemplo bem-sucedido o recém-inaugurado restaurante São Paulo 1900, naquela rua.
Talvez estivesse certa a Gera. Afinal, o São Paulo 1900 não mais existe. Atualmente, parte do imóvel é ocupada pelo Jacob, restaurante que “concilia” cozinha árabe e churrascaria.
A casa de dona Marieta foi uma das primeiras com alvenaria de tijolos na capital. A prospecção revelou dados interessantes, como as pinturas artísticas. O restauro está sendo bancado com recursos da lei de incentivo à cultura; o patrocínio é da Petrobrás.
O projeto de Risi propõe que o porão da casa abrigue um museu que contará a história do sobrado. O andar intermediário e o piso superior serão usados para pequenos recitais, concertos e exposições. Espera-se que a gestão do casarão de dona Marieta não siga o exemplo de ecletismo do vizinho seu Jacob: que aos recitais e concertos não se misturem bandas de axé e duplas neo-sertanejas.
Os negócios contratados entre a casta dama - ao que consta, dona Marieta nunca se casou - e os celibatários beneditinos ocorreram em duas etapas: na década de 1960, a filha do coronel lhes vendeu uma parte de seu quintal; entre os anos 1960 e 1970, negociou sua própria residência, onde, por acordo, continuou a morar até a morte.
Nem astrólogos se arriscariam a prever o futuro com tanta antecedência: a notícia do restauro (não consumado) foi publicada por PROJETO DESIGN há quase duas décadas. Na edição 97, de março de 1987, na seção Jornal Projeto, reportagem informava (melhor seria dizer supunha) que o sobrado do final do século 19 seria recuperado.
A iniciativa era creditada à Gera Administração e Desenvolvimento. A empresa considerava que só seria possível concretizá-la com recursos governamentais ou com o uso comercial do imóvel. Na reportagem, era citado como exemplo bem-sucedido o recém-inaugurado restaurante São Paulo 1900, naquela rua.
Talvez estivesse certa a Gera. Afinal, o São Paulo 1900 não mais existe. Atualmente, parte do imóvel é ocupada pelo Jacob, restaurante que “concilia” cozinha árabe e churrascaria.
A casa de dona Marieta foi uma das primeiras com alvenaria de tijolos na capital. A prospecção revelou dados interessantes, como as pinturas artísticas. O restauro está sendo bancado com recursos da lei de incentivo à cultura; o patrocínio é da Petrobrás.
O projeto de Risi propõe que o porão da casa abrigue um museu que contará a história do sobrado. O andar intermediário e o piso superior serão usados para pequenos recitais, concertos e exposições. Espera-se que a gestão do casarão de dona Marieta não siga o exemplo de ecletismo do vizinho seu Jacob: que aos recitais e concertos não se misturem bandas de axé e duplas neo-sertanejas.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 322 Dezembro de 2006
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 322 Dezembro de 2006
O imóvel, como se encontrava na década de 1980, quando a revista supunha que ele seria restaurado


