Pinacoteca do Estado em Botucatu

Tal qual sua sede na capital paulista, futura unidade no interior ocupará edifício projetado por Ramos de Azevedo

Pinacoteca em Botucatu também deve ocupar prédio de Ramos de Azevedo
A origem do nome Botucatu é atribuída à expressão ybytu katu, que em tupi-guarani significa bons ares. A boa brisa parece soprar para a cidade paulista também no plano cultural: o governador Geraldo Alckmin assinou, na segunda quinzena de fevereiro, decreto transferindo para o município o prédio do antigo fórum local, imóvel que deverá acolher a primeira unidade da Pinacoteca do Estado fora da capital.

Ao assinar o documento, o governador explicou que a pinacoteca possui uma expressiva reserva técnica, com obras importantes, e que parte dela poderá ser exibida em ihstalações no interior. “Com isso, a gente evita que todos tenham que vir para a capital para ter acesso à atividade cultural”, observou Alckmin.

Além da unidade em Botucatu, a Secretaria da Cultura estadual planeja expor itens do acervo em outros futuros polos regionais da instituição.

Localizada na região centro-sul do estado, a aproximadamente 220 quilômetros da capital, Botucatu tem população de pouco mais de 127 mil habitantes, constituída em sua maior parte por jovens entre 20 e 30 anos.

O prédio que deverá acolher a Pinacoteca do Estado encontra-se fechado desde 2003, interditado por apresentar riscos a seus ocupantes e usuários. Localizado na praça Rui Barbosa, na região central, foi projetado pelo escritório de Ramos de Azevedo.

Pinacoteca de São Paulo, no edifício de Ramos de Azevedo, na Luz: paradigma para intervenções em construções históricas
Pinacoteca de São Paulo, no edifício de Ramos de Azevedo, na Luz: paradigma para intervenções em construções históricas
Estado atual do fórum de Botucatu, desativado desde 2003. A edificação deverá ser a primeira unidade da pinacoteca fora da capital
Estado atual do fórum de Botucatu, desativado desde 2003.
A edificação deverá ser a primeira unidade da pinacoteca fora da capital

O historiador João Carlos da Cunha, presidente do Centro Cultural de Botucatu e secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária, informa que o projeto do edifício data de 1918 e a construção foi concluída em 1925. Com configuração típica da Primeira República, a edificação acumulava as funções de fórum e cadeia. Apesar de não ser tombada, foi declarada de interesse histórico.

Caso a ocupação como pinacoteca se confirme, será a segunda vez que a instituição se instala em edifício projetado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo. Na sede paulistana, na Luz, a proposta de reforma e restauro esteve sob o comando do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, em parceria com Eduardo Argenton Colonelli e W Ricoy Torres. Publicado na edição 229 de PROJETO DESIGN, em maio de 1998, o projeto tornou-se um paradigma para intervenções em construções históricas.

Até meados de março ainda não havia definição sobre quem faria o projeto de restauro e de adequação do imóvel em Botucatu à nova função. O secretário de Planejamento local, Carlos Eduardo Colenci, informou que alguns nomes estavam sendo analisados, levando em conta particularidades do prédio e do novo programa que deverá receber. É possível antever que, em termos de intervenção arquitetônica, sempre haverá comparações com o projeto da capital. E, neste caso, isso se daria com ninguém menos que Paulo Mendes da Rocha.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 374 Abril de 2011