Pistas da marginal
Entre protestos de arquitetos que defendiam uma solução ideal, foram concluídos 46 quilômetros da ampliação da marginal do Tietê, em São Paulo
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- 06 de Agosto de 2010. Visitas: 10.706
No total, são 46 quilômetros de novas pistas, com três faixas de rolamento em cada um dos lados da via. As obras tiveram início em julho de 2009 e se estenderam por nove meses nessa primeira etapa - o que representa, em média, mais de cinco quilômetros implantados a cada 30 dias. Numa segunda fase - que o governo do estado prevê concluir até o final do ano - serão entregues novas pontes e viadutos.
Estima-se que o número de deslocamentos diários por suas pistas alcance a casa de 1,2 milhão - o governo do estado informa que esse número dá à marginal do Tietê o título de via com maior volume de tráfego no país. Antes da ampliação, as filas de congestionamento no local alcançavam, nos horários de pico, a média de 30 quilômetros.
Quando o governo estadual e a prefeitura anunciaram, no ano passado, a construção das novas pistas, arquitetos e urbanistas, de maneira geral, posicionaram-se contra. Fazendo coro com os descontentes, o IAB/SP publicou uma moção de protesto e repúdio à obra. É preciso observar, no entanto, que no final da década de 1990 as marginais haviam sido objeto de um concurso de ideias para estruturação urbana e paisagística, organizado pela própria entidade. O arquiteto Bruno Padovano era o coordenador da equipe que obteve o primeiro lugar.
O resultado da competição foi registrado na edição 229 de PROJETO DESIGN, em março de 1999. Os vencedores propunham, entre outras intervenções, criar um complexo empresarial e hoteleiro, uma marina, um centro ecumênico, um centro cultural, além de habitações e passarelas na área entre a ponte Aricanduva e o Parque Ecológico do Tietê. Como obras viárias, seriam criadas vias paralelas para aliviar o fluxo de trânsito. O tempo estimado para a implantação da proposta era de 15 anos.
“É uma pena que uma visão urbanística e paisagística mais abrangente não tenha sido utilizada”, opina Padovano, referindo-se à proposta afinal adotada. “Mesmo que tardiamente, um projeto amplo desse tipo se faz necessário, para evitar que esse importantíssimo eixo de mobilidade de São Paulo seja desenvolvido de forma descontínua e desarticulada com o entorno urbano”, prossegue o arquiteto. Mais de 500 pessoas subscreveram o documento de protesto do IAB/SP. Será que, dentre estes, alguém mais radical vai, em nome da coerência, recusar-se a trafegar pelas novas pistas?
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 363 Maio de 2010


