Projeto cromático de Bruno Padovano

Bairro do Bexiga, São Paulo

Trecho da rua Conselheiro Carrão, que deu a largada ao Tudo de Cor para São Paulo. Cores foram harmonizadas pelo arquiteto Bruno Padovano
Trecho da rua Conselheiro Carrão, que deu a largada ao Tudo de Cor para São Paulo. Cores foram harmonizadas pelo arquiteto Bruno Padovano
Projeto começa no Bexiga e quer colorir outras regiões paulistanas
O movimento na rua Conselheiro Carrão, ocorrido em agosto de 2009, no tradicional bairro do Bexiga de São Paulo, indicava que algo fora da rotina estava ocorrendo. De fato: depois de 20 dias de trabalho, funcionários da Coral, pintores profissionais e voluntários davam os retoques finais na pintura externa dos imóveis situados no trecho da rua que deu início ao projeto Tudo de Cor para São Paulo.
A iniciativa é da conhecida marca de tintas, de propriedade do grupo Akzo Nobel, e pretende ajudar a colorir a cinzenta pauliceia. O bairro da Bela Vista, popularmente conhecido como Bexiga, foi escolhido pelos próprios funcionários da Coral. Marcelo Abreu, gerente da marca e líder do projeto, diz que o objetivo é plantar uma semente nas comunidades, mostrando o poder e a influência das cores na vida das pessoas.

“Acreditamos que, após verem o resultado, todos os beneficiados passarão a ter, naturalmente, uma atitude mais positiva em relação à constante conservação e revitalização de suas casas e de seus estabelecimentos comerciais. Essa transformação deve inspirar a vizinhança inteira”, prevê Abreu. As cores que revestem os imóveis do Bexiga não foram escolhidas de forma aleatória. Para combiná-las da maneira mais harmônica possível, a Coral encomendou um projeto cromático ao arquiteto Bruno Padovano.

As empresas são diferentes, os promotores também. Mas os leitores que há mais tempo acompanham a revista PROJETO DESIGN vão se lembrar de assunto aparentado. E quem não se recordar pode retirar da estante a edição 112, de julho de 1988, e conferir a reportagem “Projeto vai recriar a história da cidade através das cores”. Publicado na seção de notícias o texto divulgava o lançamento da proposta Suvinil Cor, Arquitetura & Memória.

Naquele caso, o pontapé inicial foi dado no estádio do Pacaembu, cujas arquibancadas foram pintadas nas cores especificadas em projeto do escritório Tanaka e Olivi. Quem forneceu assessoria à Glasurit (então fabricante das tintas Suvinil) para a implantação da proposta foi o arquiteto Eduardo Kneese de Mello, que teria afirmado: “A arquitetura com concreto é fria, enquanto, dizia Anita Malfatti, cor é vida”. Não se pode dizer, no entanto, que Kneese de Mello não tenha sido parcimonioso com o uso de cores em suas obras.

A assessoria de comunicação da Coral adianta que, depois do Bexiga, outros locais da capital serão objeto de intervenções cromáticas. A empresa informa que, para definir as demais áreas, contará com uma equipe de arquitetos e urbanistas. Será que o Pacaembu vai entrar na lista? Afinal, no Suvinil Cor, Arquitetura & Memória, que começou pelo estádio, estava prevista a inclusão do Bexiga (e as fachadas da rua 13 de Maio, naquele bairro, foram depois efetivamente pintadas).


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 356 Outubro de 2009
Legenda da época: “O pitoresco e tradicional bairro do Bexiga está sendo estudado para integrar o projeto Suvinil Cor, Arquitetura & Memória”
Legenda da época: “O pitoresco e tradicional bairro do Bexiga está sendo estudado para integrar o projeto Suvinil Cor, Arquitetura & Memória”