Projeto gráfico da Folha

Implementado em maio de 2010, projeto gráfico do jornal preserva títulos e aumenta corpo do modelo criado em 1996

Projeto gráfico da Folha preserva fonte dos títulos e aumenta corpo
“A Folha mudou.” Foi assim, categórico, que o editor executivo Sérgio Dávila apresentou aos leitores, na capa da edição do dia 23 de maio, a nova receita da Folha de S. Paulo, considerada uma das mais importantes publicações diárias do país. “O jornal que você tem nas mãos hoje traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil”, observou ele.

Quem viu - nem precisa ter lido - o jornal a partir daquele domingo forçosamente notou as alterações efetuadas na publicação, sobretudo o novo projeto gráfico. “Os títulos são mais fortes, a hierarquização das reportagens é mais clara, a identidade entre os cadernos, mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos”, acrescentou o editor executivo.

A “novíssima” cara da Folha - como Dávila a adjetivou, ao final da apresentação - é um dos mais recentes trabalhos a levar a assinatura da designer gráfica Eliane Stephan, embora, como ela reconhece, tenha recebido milhares de palpites até se consolidar. “A avaliação da Folha era que havia uma perda de identidade e de unidade entre as partes do jornal. E existia também a preocupação de colocar a publicação impressa dentro do contexto de novas mídias, estabelecer sua conexão com a edição on-line”, relata Eliane.

Ela explica que, para desenvolver o trabalho, inicialmente pensou na cultura da publicação e no leitor, considerando ainda necessidades tecnológicas e editoriais. “Precisei fazer uma leitura contemporânea, levando em conta a cultura e a trajetória do jornal dentro do mercado brasileiro, no qual a Folha possui uma história sólida. A preocupação de todos os envolvidos era, em primeiro lugar, com a realidade do jornal no Brasil”, argumenta a designer.

Esse não é o primeiro projeto de Eliane para o jornal. Antes, havia participado da reformulação na segunda metade da década de 1990. Quem quiser conferir como era o desenho da “velhíssima” Folha - para contrapor um adjetivo superlativo àquele empregado por Dávila - poderá consultar a edição 195 de PROJETO DESIGN, de abril de 1996.

A reportagem publicada naquele número informava que a nova tipologia exclusiva fora, inicialmente, desenhada à mão pelo holandês Luc(as) de Groot. No atual projeto, “um dos componentes históricos da reforma foi a decisão de manter a fonte dos títulos, que foi redesenhada e teve a família ampliada”, detalha Eliane.

Na primeira edição da “novíssima” Folha, o título da chamada de capa informava que o “projeto editorial prioriza furos e interpretação”. Bem, nisso a Folha não é exatamente nova, pelo menos no que se refere à primeira parte. Foca ou experiente, qualquer jornalista procura a informação exclusiva.



Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 365 Julho de 2010
A nova Folha manteve as seis colunas e a fonte. O corpo das letras, porém, cresceu cerca de 12% e a interpretação dos fatos ganhou mais espaço
Capas do jornal reformulado em 1996: páginas em seis colunas, com maior espaço entre estas e distância entre as linhas para facilitar a leitura