Teatro Oficina
Em junho, José Celso Martinez Corrêa apresentou na Quadrienal de Praga seu plano de expansão, que inclui uma universidade e um teatro-estádio
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- 23 de Setembro de 2011. Visitas: 4.361
Projeto desenvolvido pelo escritório JBMC mantém o teatro no centro do complexo, envolvendo-o com o teatro-estádio e a universidade
Oficina leva a Praga sua proposta para um espetáculo arquitetônico
Ancorado na rua Jaceguai, no Bexiga, bairro da região central de São Paulo, o teatro Oficina estava se preparando para zarpar para Praga, onde, na segunda quinzena de junho, iria exibir-se. A jornada seria para apresentar não uma obra dramatúrgica do grupo Oficina Uzyna Uzona, mas talvez a mais acalentada e ambiciosa produção de seu atual comandante, o homem de teatro José Celso Martinez Corrêa.
A Quadrienal de Praga transforma a cidade num grandioso palco no qual são exibidas as experimentações e criações voltadas às artes cênicas em áreas como figurinos, iluminação, som, cenografia e arquitetura, entre outras.
O escolhido pelo Ministério da Cultura brasileiro para participar da 12ª edição da mostra (de 16 a 26 de junho) foi o teatro Oficina, um pouco em razão de sua história, mas também por causa do que está se articulando como seu futuro.
A expedição tem um toque de família, uma vez que quem esboçou um abrigo para o porvir do Oficina foi o estúdio JBMC Arquitetura e Urbanismo, que tem à sua frente o arquiteto João Batista Martinez Corrêa, irmão de José Celso.
Croqui de Lina Bo Bardi publicado na revista em outubro de 1990, quando foram liberados recursos para concluir as obras de reforma
O Corrêa arquiteto deu forma ao visionário sonho do Corrêa multiartista: no projeto mostrado na capital tcheca, o atual Oficina será abraçado de um lado por um teatro-estádio e do outro pela Universidade de Cultura Popular.
O teatro-estádio é uma edificação com formato de cúpula e planta semicircular com arquibancadas na sua periferia. A escola será uma sucessão de rampas/jardins cujas formas remetem às curvas de nível. A maior virtude da intervenção está, porém, na dimensão urbana da qual está impregnada quando esboça articulações tanto com a vizinhança próxima (a do Minhocão) como com área mais distante, como a praça da Bandeira/vale do Anhangabaú.
O Oficina ocupou as páginas de PROJETO DESIGN em outubro de 1990, na edição 135. “Verbas garantem reabertura do teatro Oficina”, informava a notícia, acrescentando que o novo teatro surgiria a partir de um projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, com participação de Marcelo Suzuki e desenvolvido pelo arquiteto Édson Elito. “A reconstrução do Oficina, na verdade, será uma reforma, pois envolve uma intervenção de pequeno porte no espaço”, explicava Elito.
Os lotes do projeto são de propriedade do grupo Sílvio Santos, que trava uma lendária queda de braço com o Oficina e que já cogitou ocupá-los com um centro comercial e com prédios de apartamentos. Isso antes da crise que sobreveio à descoberta, no final de 2010, de um rombo bilionário no caixa do banco Panamericano, que pertencia ao grupo. Em junho, jornais noticiaram que o empresário vendeu também o Baú da Felicidade e focaria seus negócios em atividades mais rentáveis.
A utopia de José Celso estaria perto de se realizar? A sorte está lançada.
O teatro-estádio é uma edificação com formato de cúpula e planta semicircular com arquibancadas na sua periferia. A escola será uma sucessão de rampas/jardins cujas formas remetem às curvas de nível. A maior virtude da intervenção está, porém, na dimensão urbana da qual está impregnada quando esboça articulações tanto com a vizinhança próxima (a do Minhocão) como com área mais distante, como a praça da Bandeira/vale do Anhangabaú.
O Oficina ocupou as páginas de PROJETO DESIGN em outubro de 1990, na edição 135. “Verbas garantem reabertura do teatro Oficina”, informava a notícia, acrescentando que o novo teatro surgiria a partir de um projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, com participação de Marcelo Suzuki e desenvolvido pelo arquiteto Édson Elito. “A reconstrução do Oficina, na verdade, será uma reforma, pois envolve uma intervenção de pequeno porte no espaço”, explicava Elito.
Os lotes do projeto são de propriedade do grupo Sílvio Santos, que trava uma lendária queda de braço com o Oficina e que já cogitou ocupá-los com um centro comercial e com prédios de apartamentos. Isso antes da crise que sobreveio à descoberta, no final de 2010, de um rombo bilionário no caixa do banco Panamericano, que pertencia ao grupo. Em junho, jornais noticiaram que o empresário vendeu também o Baú da Felicidade e focaria seus negócios em atividades mais rentáveis.
A utopia de José Celso estaria perto de se realizar? A sorte está lançada.
Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 377 Julho de 2011
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 377 Julho de 2011


