Um delírio paulistano
Se tivesse sido construído, teria se tornado a maior torre do mundo e provavelmente a maior estupidez arquitetônico-urbanística da Pauliceia
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- 03 de Maio de 2010. Visitas: 17.313
A fantasmagórica São Paulo Tower como personagem de romance
Formado pela UFMG, o arquiteto Carlos Teixeira vem construindo uma carreira que, em vários aspectos, é fora dos padrões. Dado a experimentações e a certa dose de diletantismo - trabalhou entre 2004 e 2006 na ONG Arquitetos sem Fronteiras -, Teixeira acaba de abrir uma nova trincheira: a de escritor de ficção. Sua estreia na literatura se dá com o que ele mesmo define como um “épico real-fantástico”.
O romance - será correto defini-lo assim? - chama‑se O condomínio absoluto e foi lançado pela Editora C/Arte, de Belo Horizonte, cidade onde o arquiteto está baseado. Considerando a imprevisibilidade da trajetória do titular do estúdio de arquitetura Vazio S/A (que Teixeira constituiu em 2002), era de se esperar um livro de formato anticonvencional. E isso se confirma: são dois volumes, com a quarta capa do primeiro inserindo-se na primeira capa do segundo.
Não foi, porém, a capital mineira que Teixeira escolheu como cenário de seu enredo. O condomínio absoluto passa-se em São Paulo e narra a trajetória de um delírio paulistano: o São Paulo Tower, edifício que, se tivesse sido construído, teria se tornado a maior torre do mundo e provavelmente - aqui rivalizando com o elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão - a maior estupidez arquitetônico‑urbanística da Pauliceia.
No romance, o escritor-arquiteto descreve como ocorreu a elaboração do supermega-hiperprédio (“que acabaria engolindo toda a cidade e abraçando seus principais edifícios - Copan, Unique, mosteiro de São Bento, Oca e Masp”, segundo o texto). Teixeira não menciona se o Minhocão seria também devorado. A descrição do processo - das fundações à ocupação da torre - ocupa o primeiro volume.
No segundo - o formato duplo resulta talvez do caráter superlativo do prédio - estão fotos da área englobando os 70 quarteirões que seriam demolidos para dar lugar ao edifício e artigos de publicações que o autor consultou. Teixeira não o fez, mas poderia ter recorrido também às edições 237 e 238 de PROJETO DESIGN, de novembro e dezembro de 1999, que traziam reportagens sobre a polêmica torre.
Os recursos para a construção viriam, em parte, do Maharishi Global Development Fund, do qual o líder religioso Yogi Maharishi (ex-guru dos Beatles) apresentava-se como controlador. O empresário brasileiro Mário Garnero era o parceiro local do fundo de origem norte-americana. Outra figura de proa nessa ameaçadora quase-tragédia foi o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, que morreu recentemente.
O romance pode ser encontrado em livrarias de todo o país. Teixeira deixou um problema nas mãos dos gerentes das lojas: eles vão expor a obra nas estantes destinadas aos best-sellers, nas prateleiras das obras de ficção ou na seção de arquitetura?
Não foi, porém, a capital mineira que Teixeira escolheu como cenário de seu enredo. O condomínio absoluto passa-se em São Paulo e narra a trajetória de um delírio paulistano: o São Paulo Tower, edifício que, se tivesse sido construído, teria se tornado a maior torre do mundo e provavelmente - aqui rivalizando com o elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão - a maior estupidez arquitetônico‑urbanística da Pauliceia.
No romance, o escritor-arquiteto descreve como ocorreu a elaboração do supermega-hiperprédio (“que acabaria engolindo toda a cidade e abraçando seus principais edifícios - Copan, Unique, mosteiro de São Bento, Oca e Masp”, segundo o texto). Teixeira não menciona se o Minhocão seria também devorado. A descrição do processo - das fundações à ocupação da torre - ocupa o primeiro volume.
No segundo - o formato duplo resulta talvez do caráter superlativo do prédio - estão fotos da área englobando os 70 quarteirões que seriam demolidos para dar lugar ao edifício e artigos de publicações que o autor consultou. Teixeira não o fez, mas poderia ter recorrido também às edições 237 e 238 de PROJETO DESIGN, de novembro e dezembro de 1999, que traziam reportagens sobre a polêmica torre.
Os recursos para a construção viriam, em parte, do Maharishi Global Development Fund, do qual o líder religioso Yogi Maharishi (ex-guru dos Beatles) apresentava-se como controlador. O empresário brasileiro Mário Garnero era o parceiro local do fundo de origem norte-americana. Outra figura de proa nessa ameaçadora quase-tragédia foi o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, que morreu recentemente.
O romance pode ser encontrado em livrarias de todo o país. Teixeira deixou um problema nas mãos dos gerentes das lojas: eles vão expor a obra nas estantes destinadas aos best-sellers, nas prateleiras das obras de ficção ou na seção de arquitetura?
Texto
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 360 Fevereiro de 2010
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 360 Fevereiro de 2010
O natimorto São Paulo Tower, como foi apresentado em 1999. Para o arquiteto Gianfranco Vannucchi, o conjunto era um alienígena arquitetônico
O condomínio absoluto, livro escrito por Carlos Teixeira, ressuscita (felizmente só na ficção) o prédio que devora a cidade


