US$ 30 MILHÕES PARA O PALESTRA

Palmeiras e WTorre vão transformar o Parque Antártica em arena multiuso com os mesmos padrões das praças esportivas européias

No final de 2007, o clube apresentou o projeto - agora realizado apenas por Ferro e Talaat - que pretende transformar o atual estádio em arena multiuso. A obra deve começar este ano
Palmeiras promete concluir em 2010 arena de múltiplo uso
Para o torcedor do Palmeiras, a notícia foi um presente de Natal antecipado. Para os de outros times, ficou, ao menos, uma pontinha de inveja. Todos tinham razão, afinal, em seus sentimentos. O motivo? Em meados de dezembro, diretores do Palmeiras e da WTorre Empreendimentos assinaram acordo que, se cumprido, concretizará a reforma e ampliação do Palestra Itália, estádio do clube, localizado na Água Branca, zona oeste de São Paulo.

Também conhecida como Parque Antártica (em virtude de o terreno onde foi implantado o estádio ter pertencido à Companhia Antarctica Paulista de Bebidas), a casa palmeirense será transformada em arena multiuso - “a primeira da América Latina nos moldes de qualidade, conforto, praticidade e funcionalidade das principais praças esportivas da Europa”, estufam o peito, orgulhosos, os signatários do documento.

Não fica claro, no entanto, quem são os autores do projeto arquitetônico. O material distribuído à imprensa afirma que “a concepção do projeto é da Amsterdam Arena Advisory (AAA), proprietária e gestora holandesa da Arena de Amsterdã”. De fato, os autores são os palmeirenses Alfred Talaat e Carlos Ferro, que na década de 1990 já haviam apresentado uma proposta para o local, como informou PROJETO DESIGN na edição 151, de abril de 1992. A reportagem “Prevista cobertura móvel para o estádio do Palmeiras” relatou que o projeto dos arquitetos Talaat, Ferro e Michel Lieders (na época sócio da equipe) estava orçado em 30 milhões de dólares.

Agora, a primeira arena paulistana de múltiplo uso terá capacidade para receber até 42 mil pessoas em jogos de futebol, número que poderá chegar a 60 mil espectadores em outros eventos. O projeto, afirmaram diretores do clube e da WTorre em entrevista coletiva realizada em dezembro, já está aprovado na prefeitura e as obras devem ter início no primeiro semestre de 2008, com conclusão prevista para 2010.

Além de um estádio de futebol coberto, o complexo contará com um auditório modular capaz de receber de 500 a 2 mil pessoas e um anfiteatro, também modular, com capacidade para acomodar de 2 mil a 10 mil espectadores. Está também prevista a implantação de 250 camarotes, quatro restaurantes e lanchonetes.

O investimento estimado para a empreitada é de 250 milhões de reais. Para isso serão buscados outros parceiros, mas Luís Davantel, diretor administrativo e financeiro da WTorre, afirmou que a empresa tem fôlego para bancar sozinha o empreendimento. Acredita-se que não estejam interessadas em participar como parceiras da nova configuração do Parque Antártica as empresas Coca-Cola, Schincariol e Dolly. Tampouco o Guaraná Jesus.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente na revista PROJETODESIGN
Edição 336 Fevereiro de 2008
Em 1992, a diretoria do Palmeiras recebeu projeto do escritório Ferro, Lieders e Talaat, que previa a cobertura do estádio. Pilares de concreto e estrutura metálica sustentariam chapas de policarbonato