Valdy Lopes Ferreira

Reforma pela qual passou o Itaú Cultural, na avenida Paulista, em São Paulo, pretende aproximar a instituição de um público maior

Nova versão do IC foi feita pelo arquiteto Valdy Lopes Ferreira, que também atua como diretor de arte em cinema
Nova versão do IC foi feita pelo arquiteto Valdy Lopes Ferreira, que também atua como diretor de arte em cinema
Itaú Cultural quer se mostrar com varanda aberta na Paulista
Na tarde do último dia de março, homens trabalhavam sobre a marquise e na área de acesso ao edifício Itaú Cultural, localizado no início da avenida Paulista, em São Paulo. Os operários finalizavam a mais recente reforma pela qual passou a edificação e concretizavam a ideia do arquiteto Valdy Lopes Ferreira, autor do projeto com o qual a instituição pretende aproximar-se de um público maior.

O coordenador de Relacionamento do Itaú Cultural, Paulo Vicelli, explica que as modificações no espaço foram realizadas pensando no público que o frequenta. “Queríamos que as pessoas encontrassem ambientes mais convidativos, agradáveis e se sentissem instigadas a entrar e a permanecer no local”, argumenta. A intenção da reconfiguração espacial é, porém, mais ambiciosa, pois também pretende motivar a entrada de quem ainda não conhece o centro cultural.

“Já havia feito alguns trabalhos nas exposições do Itaú Cultural e o acesso ao prédio, sempre muito fechado, me afligia”, conta Valdy Lopes Ferreira, autor do projeto de reconfiguração.

Abrir o edifício para a cidade, retirando barreiras físicas para a entrada, e implantar na face voltada para a avenida uma “varanda paulista” foram algumas ideias postas em prática na intervenção. O acesso também foi remanejado. “O Itaú Cultural precisava se mostrar. Foi uma alteração muio simples, mas que, acredito, mudou o astral do prédio”, avalia Ferreira.

Croqui do Itaú Cultural na versão desenhada por Ernest Mange, que foi seu primeiro diretor superintendente
Croqui do Itaú Cultural na versão desenhada por Ernest Mange, que foi seu primeiro diretor superintendente
O IC foi criado no final de 1987 pelo então presidente do grupo, Olavo Egydio Setúbal, e à época chamava- se Instituto Cultural Itaú. O arquiteto e urbanista Ernest Robert de Carvalho Mange foi seu primeiro diretor superintendente. O ancestral do instituto é o amplo acervo artístico reunido pelo banco. Sua primeira sede foi uma casa também na avenida Paulista, onde funcionou como um centro de informática e cultura (CIC).

Quando noticiou a inauguração do CIC (edição 127, de novembro de 1989), PROJETO DESIGN informou também que a holding Itausa pretendia construir o edifício-sede do instituto em um lote na Paulista, na esquina com a rua Leôncio de Carvalho. Apenas na compra do terreno, informava a reportagem, o grupo desembolsara 8 milhões de dólares. O texto acrescentava que o projeto arquitetônico era assinado por Mange e o prédio seria concluído em três anos. Demorou mais: o edifício foi inaugurado em 1995 e mereceu reportagem na PROJETO DESIGN 193, de janeiro/fevereiro de 1996, com a manchete “Um museu vertical virtual”.

Qual será a reação do público ao novo formato do Itaú Cultural, proposto por Ferreira? Para ele, que também trabalha como diretor de arte em cinema (entre outros, nos filmes Carandiru e Linha de passe) e participou de exposições no instituto, abril seria, do ponto de vista arquitetônico, tempo de estreia.
Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 375 Maio de 2011