Xavier & Travaglia Arquitetos
Desenhada por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, garagem de barcos desativada desde a década de 1980 na capital paulista se tornará restaurante
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- 21 de Janeiro de 2011. Visitas: 8.296
Curiosamente, em vez de passarem informações para o jornalista, Xavier e Travaglia é que receberam de Brandalise uma boa nova há muito aguardada: depois de uma longa espera, o trabalho por eles apresentado havia recebido sinal verde do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). A comunicação oficial do conselho só foi divulgada, no entanto, no início de setembro.
A intervenção proposta pelos arquitetos vai tomar forma nas malconservadas instalações do Santapaula Iate Clube, complexo de lazer que, entre suas edificações, conta com uma garagem de barcos projetada por João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi. O prédio, tombado pelo Conpresp, é considerado uma pérola entre os trabalhos de Artigas (apesar das insinuações de que os barcos não cabiam na garagem e que ela recebia insolação demais).
Em reportagem publicada no dia 19 de agosto, O Estado de S. Paulo expôs, em manchete, o destino do complexo: “Antigo iate clube vai virar centro de convenções e hotel”. O edifício da garagem será transformado em restaurante. A principal intervenção sugerida pelos autores é a inserção de um mezanino para ampliar a área - no prédio, informa Xavier, já existe até uma pequena cozinha.
Em PROJETO DESIGN, a memória mais densa sobre a obra de Artigas foi publicada em suplemento especial na edição 66, na qual a garagem do Santapaula foi comentada por Ruth Verde Zein: “A simplicidade é fruto da elaboração, e não da casualidade, como na garagem de barcos, onde o jogo de níveis é obtido pelo dispor dos pisos naturais e projetados e onde os aparelhos de aço, qual rótulas, levam ao limite a distinção estética e filosófica entre o interior/ natureza/chão e o superior/homem/céu”.
O Santapaula Iate Clube não durou muito tempo: foi inaugurado nos anos 1960 e desativado na década de 1980. Depois, foi adquirido por um empresário, que tencionava recuperá-lo e transformá-lo em clube de campo para seus funcionários. O Plano Collor abortou a iniciativa. É o mesmo proprietário que pretende implantar o centro de convenções, o hotel e o restaurante. Segundo Xavier, ele planeja ter o espaço em funcionamento antes da Copa do Mundo de 2014.
Sugerimos, para que bons ventos soprem a bombordo, acender uma vela ao Conpresp.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 369 Novembro de 2010


