Saboia + Ruiz Arquitetos: Complexo esportivo, Curitiba

Diálogo entre público e privado

Como forma de amenizar as fronteiras do espaço construído, o projeto utiliza-se de estratégias visuais e de circulação

Criado pelo escritório Saboia + Ruiz Arquitetos, o novo complexo de pádel do Clube Curitibano - anteriormente composto por cinco sedes - busca valorizar o potencial do espaço público e viário de parte do bairro Parolin, em Curitiba, Paraná, reconhecido historicamente como vítima de criminalidade e tráfico.

Como forma de atenuar a impermeabilidade visual, frequentemente observada em galpões esportivos, os arquitetos basearam-se em três pontos: aplicação de muros verdes; uso do “formato pódio” no volume principal; e cobertura em forma de caixa suspensa. Esses recursos, além de auxiliarem na perspectiva espacial da área, puderam relacionar a construção com os volumes e vazios existentes ao seu redor.

Já para estimular a maior circulação de pessoas pelas vias, o novo complexo obriga o deslocamento do sócio-esportista por suas ruas perimetrais, visto que está em frente à já consolidada sede de tênis Lucius Smythe, que pertence ao Clube Curitibano.

Para resolver a implantação, os autores do projeto tiraram partido do terreno com declividade expressiva para edificar um pódio (o piano nobile - piso principal - da construção) em sua cota mais elevada, após submetê-la à pequena alteração. Nesta área, abrigam-se as quatro quadras de pádel e um terraço com vistas para a cidade - calculado com sobrecarga de uso para acomodar as eventuais instalações da arquibancada nos dias de competição.

Sob o pódio e próximo aos vestiários, o sistema de água de reúso tem a capacidade de abastecer todo o complexo. Já em cota inferior, optou-se pelo estacionamento em rampa para minimizar o impacto visual gerado pelos veículos em relação às quadras.

Como o novo edifício tem a intenção de ser um centro de referência nacional para competições desta modalidade esportiva, sua estrutura foi condicionada a não interferir visualmente no espaço e ser flexível às instalações temporárias. A partir dessa premissa, definiu-se os limites do ginásio e as posições dos oito apoios principais.

Foram lançadas duas treliças longitudinais de, aproximadamente, 50 x 6 metros, dispensando travamentos intermediários. Seus apoios foram feitos sobre colunas metálicas de tubo circular, que funcionam também como suporte para outras duas treliças transversais de 24 metros.

Nas extremidades do volume, os balanços de 12 metros compõem esteticamente a beleza do conjunto e permitem melhor comportamento estrutural do vão central - já que reduzem os esforços de flexão aplicados nas treliças principais. Para reduzir o deslocamento lateral, uma pérgola metálica foi inserida, sendo esta também o elemento regulador da escala construção x usuário.

A escolha pelo fechamento da caixa com venezianas industriais de policarbonato leitoso translúcido permitiu grande incidência de luz natural difusa no interior da construção e, ao mesmo tempo, ventilação natural abundante. Tal opção foi imprescindível para colaborar com a melhor adaptação visual dos jogadores e excluir, eventualmente, a necessidade de iluminação artificial em dias mais claros.

Para a construção das quadras, grandes placas de vidro temperado - processo necessário para o seguro rebatimento da bola durante as partidas, explicam os arquitetos - foram estruturadas em perfis metálicos tubulares delgados. Esta materialidade faz parte do conjunto de técnicas arquitetônicas que colocam em contato as atividades internas a extramuros, já que tal transparência permite total visualização do perímetro do terreno.

Por fim, os muros verdes tornaram-se apenas um limite visual entre o domínio público e privado, por respeitarem a escala do pedestre em seu escalonamento e, ao mesmo tempo, atuarem como um componente paisagístico no local



Ficha Técnica

Complexo de pádel do Clube Curitibano
Local Curitiba, PR
Início do projeto 2016
Conclusão da obra 2017
Área total construída 1.580 m2
Áreas externas e paisagismo 1.630 m2

Arquitetura Saboia + Ruiz Arquitetos - Alexandre Ruiz,Thais Saboia, Rodrigo Vinci Philippi,
Haraldo Hauer, André Bihuna e Bruno Niepsui   
Projeto estrutural Eng. Ricardo Henrique Dias, Eng. Norimasa Ishikawa
Construção VCCON e Tecmetal
Projeto de instalações Projemaster
Fotos Alexandre Kenji Okabaiasse

Fornecedores

Barcelona (quadras de pádel: symoor)
Forbex (revestimento piso das quadras)
Brightlux, NVC Lighting (iluminação LED)
Grupo MB (fechamento externo em veneziana industrial)
Portobelo (revestimentos cerâmicos)
Madeplast (deck madeira ecológica)

Publicada originalmente em ARCOweb em 12 de Março de 2018
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