Concluída a obra da Estação Antártica Comandante Ferraz

Fruto de concurso nacional, a obra levou três anos para ser finalizada e contou com projeto do escritório curitibano Estúdio 41


(Imagem: divulgação)

Após três anos de construção, foi concluída a Estação Antártica Comandante Ferraz, base de pesquisas da Marinha do Brasil no continente do extremo sul terrestre, a Antártica. Em difíceis condições climáticas, a obra conta com 700 toneladas de estrutura de aço e peculiaridades no processo de construção.

O projeto teve início em 2012, quando a estação anterior foi destruída por um incêndio. A Marinha convocou o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para a promoção de um Concurso Público de Arquitetura que buscaria o projeto da nova base brasileira.

A proposta vencedora foi a apresentada pelo escritório curitibano Estúdio 41 - assinada pelos arquitetos urbanistas Fábio Henrique Faria, Emerson Jose Vidigal, Eron Costin, João Gabriel de Moura Rosa Cordeiro e Dario Correa Durce.

“Desde a época do concurso já foi um desafio. Quase nenhum brasileiro havia elaborado um projeto em um ambiente como esses. Então a concepção, por si só, foi um grande aprendizado”, disse o arquiteto Fábio Henrique Faria. A equipe contou também sobre o processo de desenvolvimento do estudo: “Pesquisamos muito sobre as condições climáticas do ambiente, sobre logísticas de construção da obra, além de buscar repertório em outros edifícios construídos recentemente na Antártica para nos auxiliar”.

A estação que contém 18 laboratórios no edifício principal, sete unidades isoladas, um heliporto e torres de energia eólica apresentou concepção projetual diferenciada: “Não dá para construir ‘do zero’ na Antártica e as condições climáticas também não permitem que se trabalhe o ano todo. Então, como a obra só pode acontecer de novembro a março, levam-se os pré-fabricados e têm início a construção dos módulos horizontalmente (...). Sua forma, juntamente às carenárias [bases dos módulos], não funcionam como barreira contra o vento, pelo contrário, permitem com que ele flua quase livremente. A suspensão do solo também não deixa acumular neve nas laterais e fundos da construção, conforme ocorria na antiga base”, complementou Faria.

Outro destaque do projeto foi a utilização da tecnologia de Modelagem da Informação da Construção (BIM) em parceria com o Afaconsult, escritório português comandado pelo engenheiro civil Rui Furtado. Para a concepção das estruturas também existiu parceria com a empresa chinesa China National Electronics Imports and Exports Corporation (Ceiec), que exigiu a estadia de engenheiros brasileiros por aproximadamente um ano na China, a fim de supervisionar a produção e pré-montagem das estruturas.

Como maiores desafios, Faria citou: “O aprendizado sobre a construção implantada em um ambiente de condições extremas; a pressão para a conclusão do projeto, que envolvia interesses políticos – inclusive tivemos prazo de seis meses para a entrega; a gestão de uma equipe grande, que envolveu o contrato de empresas de engenharia para resolução da infraestrutura; e a própria resolução dessas infraestruturas, que dão capacidade para a autossuficiência da construção, como estações de tratamento de água, esgoto, produção de energia elétrica, incineração de lixo”.

Como força pública, o concurso representou extrema importância na arquitetura brasileira por se mostrar vantajoso para a construção de obras públicas - em 2013, isso ainda era pouquíssimo usual. Com o tempo, a prática se tornou mais recorrente, inclusive, devido ao apoio de entidades nacionais de arquitetos e urbanistas, como CAU/BR, CAU/UF, IAB, FNA, AsBEA e mais.

Confira vídeo sobre a concepção do projeto!

Publicada originalmente em ARCOweb em 12 de Março de 2019
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