Nova sede do Grande Oriente São Paulo ficará pronta em 2019

Edifício que está em implantação no bairro da Liberdade foi projetado pelo escritório curitibano AP Arquitetos. Palácio será construído no mesmo terreno onde funcionava a sede anterior, que foi demolida

Pintados de azuis, os tapumes metálicos que vedam a testada do terreno do número 457 da rua São Joaquim, na Liberdade, bairro próximo à região central da capital paulista, “escondem” dos olhos dos pedestres as obras da futura sede do Grande Oriente São Paulo (Gosp), prevista para ser concluída até o final de 2019 e que está em construção naquele lote. Acima e à esquerda dos tapumes, porém, um grande cartaz (quase um outdoor) exibe a perspectiva do conjunto que abrigará as instalações da mais antiga instituição maçônica do estado de São Paulo - em 2021, o Grande Oriente São Paulo completará um século de existência.

Embora chamado de palácio, a configuração plástica do edifício é a de uma moderna torre institucional. O conjunto, que contará com 14 pavimentos (incluindo o térreo e quatro subsolos), foi projetado pelo AP Arquitetos, escritório sediado em Curitiba e liderado pelo arquiteto André Prevedello, no segundo semestre de 2016. O estúdio curitibano venceu a concorrência realizada pelo Grande Oriente entre oito escritórios para projetar o novo palácio, que está em implantação no mesmo terreno onde existia o edifício anterior, que foi demolido.

Prevedello afirma que a arquitetura do novo palácio – que ele considera inovadora e atual - procurou refletir a complexidade e a história da instituição quase centenária. As funções culturais, explica o autor, foram escolhidas para mostrar à sociedade o que é a instituição no século 21. “Como um grande painel para a cidade, as funções de museu e biblioteca ficarão junto à fachada da rua São Joaquim, expressando, como uma vitrine cultural, valores importantes à sociedade”, descreve Prevedello no memorial do projeto.

A configuração arquitetônica estabeleceu que o edifício teria controle de insolação; sombreamento das aberturas; ventilação cruzada no verão e controlada no inverno; vedações internas para melhor inércia térmica; uso não contínuo no último pavimento e telhado verde; proteção solar nas fachadas norte e oeste; e separação de fluxos entre plenárias e templos. Dependendo da face, os pavimentos contarão com fechamentos em até três camadas: a externa formada por brises em vidro jateado branco; a intermediária por uma fachada cortina; e a interna, uma camada em vidro jateado.

O acesso dos frequentadores e visitantes ao palácio se dará por uma imponente escadaria frontal, que leva ao hall de pé-direito duplo onde ficará a loja do Grande Oriente São Paulo. “No espaço teremos visuais de um grande jardim localizado no nível da plenária. Além disso, os muros laterais serão em parede verde. Através de prisma de vidro, o hall está conectado visualmente à plenária. Assim, o espaço de congregação ganhará ainda mais imponência. Do hall, poderá se acessar as plenárias ou o museu através de uma grande escada helicoidal”, detalha o arquiteto.

O acesso ao museu também se dará através de uma passarela metálica, onde o projeto prevê expor a linha do tempo do Grande Oriente. “A biblioteca foi disposta na fachada frontal através de uma escadaria metálica. Na estrutura de sustentação da fachada serão inseridas caixas (colmeias) em vidro jateado. Através da escadaria poderão ser acessados os livros. A junção de museu com biblioteca garantirá melhor funcionamento dessas áreas, além de possibilitar uma administração simples por um único funcionário”, prevê o arquiteto.

Também de acordo com Prevedello essa “colmeia” apresenta tripla função. “Além de servir de apoio para livros, ela funciona como um brise interno que filtra a luz e garante melhor privacidade para os pavimentos administrativos sem barrar as visuais para a rua. No terceiro pavimento teremos uma ampla sala de leitura com espaço para mesas e estar. Essa sala, fechada, possibilitará privacidade e conforto acústico para os usuários. Seguindo pela escadaria, o usuário pode acessar até o auditório”, relata o titular do AP Arquitetos.

Três pavimentos do edifício foram reservados para os templos, sendo que em cada andar serão quatro desses ambientes, cada um podendo receber até 50 pessoas. O auditório ficará no quinto pavimento – seu foyer foi trabalhado como um terraço aberto para a cidade. A edificação contará também com três pavimentos administrativos. O último pavimento útil foi destinado ao restaurante, que poderá comportar até 120 pessoas - ali, haverá um jardim interno para melhorar o conforto ambiental.



Publicada originalmente em ARCOweb em 11 de Junho de 2018
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