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No minilounge, as janelas circulares são semelhantes a escotilhas
Sobriedade moderna

Sintetizar tradição e modernidade foi o desafio de Amauri de Toledo na reforma da sede paulista da Mitsui, multinacional japonesa com mais de 400 anos de existência.

O briefing inicial do cliente se restringia à recepção. Mas, devido à abordagem analítica do arquiteto, o projeto evoluiu para a remodelação dos cerca de 2 mil metros quadrados que a empresa ocupa, em edifício na avenida Paulista.

“Questiono ao máximo as variantes e condicionantes”, comenta Amauri de Toledo, que identificou a urgência de uma nova setorização.

Assim, além da modernização da linguagem arquitetônica, o projeto se concentrou na ampliação dos locais dedicados a reuniões, na integração espacial entre os departamentos operacionais - que correspondem a cerca de 50% da área do conjunto - e também na eliminação de áreas ociosas.

O programa de grande abrangência exigiu do arquiteto familiaridade com a atuação e o cotidiano da empresa. “Aos poucos, o cenário do projeto mudou completamente”, revela Toledo.

O fato de receber constantemente visitantes estrangeiros e dirigentes de empresas de todo o Brasil explica a grande demanda da Mitsui por espaços para reuniões.

Dessa forma, o arquiteto desmembrou a atividade em cinco salas independentes, localizadas próximo à recepção, das quais se destaca a sala multimídia. Esta abriga sofisticado aparelho de videoconferência - uma inovação proposta por Toledo -, conectado a nove microfones suspensos sobre as mesas dispostas no centro, em forma de U.

Para embutir a fiação sem prejudicar o pé-direito da sala, Toledo projetou ali um rebaixo central com réguas de madeira, elemento que funciona também como diferencial do ambiente.

Nas áreas sociais, os revestimentos têm tons de bege e marrom, o que lhes confere, conforme solicitação do cliente, ambiência de linguagem sóbria. As divisórias possuem proteção acústica e alternam fechamento com tecido, no lado interno, e painéis de madeira junto ao corredor central de circulação. O piso elevado, recoberto por carpete em placas, tem acabamento que lembra as fibras naturais do sisal.

Já no setor operacional, predominam variantes da cor cinza, interrompidas apenas pelas cadeiras de tons azuis. O ambiente tem planta em L. Os cerca de 50 postos de trabalho foram setorizados através de ilhas centrais, posicionadas de forma a preservar ao máximo a individualidade de cada funcionário.

“A idéia inicial do projeto era integrá-los ainda mais, agrupando-os em torno do que seriam praças internas de reuniões, mas a opção adotada foi mais conservadora”, explica Toledo.

Os postos dos diretores estão localizados no mesmo ambiente, junto às fachadas envidraçadas, e têm mobiliário diferenciado em relação ao dos demais funcionários. “Pode parecer óbvio, mas essa não era prática corrente da empresa. Não existia hierarquia nesse sentido”, observa Toledo.

Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 294 Agosto de 2004
Sala de espera, junto à recepção
A recepção tem linguagem semelhante à das áreas sociais: revestimentos em madeira e acabamentos em bege e marrom
A sala de reuniões multimídia é
um dos ambientes de destaque do escritório
A presidência está localizada em um dos vértices do edifício
Atrás da recepção, o corredor que dá acesso às salas de reuniões é delimitado por divisórias altas de vidro
Os departamentos operacionais foram integrados em ambiente único
O equipamento de videoconferência e o teto rebaixado de madeira são diferenciais da sala multimídia
No corredor central de acesso à grande sala operacional,
o arquiteto implantou mobiliário para coffee-break
Direitos de reprodução reservados à ARCO Editorial Ltda.
Atualizado em: 08/02/2010