Betty Birger Arquitetura & Design

Escritórios, São Paulo

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Fornecedores
Grande sala de reuniões tem capacidade para 25 pessoas
A grande sala de reuniões do 33° andar tem capacidade para 25 pessoas
Flexibilização dos ambientes é obtida com modulação rígida
Há 15 anos Betty Birger desenvolve projetos de arquitetura de interiores para a Organização Odebrecht. Saíram de sua prancheta os desenhos de escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal e outras localidades onde o grupo empresarial, de origem baiana, possui unidades. Em 2008, ela se dedicou integralmente a uma das novas sedes, localizada no Eldorado Business Tower, em São Paulo, cuja arquitetura é do escritório Aflalo & Gasperini.

O projeto de Betty Birger documenta os bastidores de dois importantes protagonistas da cena arquitetônica e construtiva brasileira das últimas décadas. Seu programa de trabalho, afinal, incidiu sobre o cotidiano do grupo Odebrecht - que inclui uma das principais construtoras do país, a Norberto Odebrecht, e a Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, entre outras - e sobre a ocupação em um edifício sustentável, preparado para receber a certificação Leed.

O trabalho inicial foi conciliar as demandas de cada empresa do grupo. Os escritórios ocupam sete pavimentos (do 25º ao 28º, o 31º, o 32º e a cobertura), em meio aos quais se sucedem cinco atividades diferentes, nas áreas de bioenergética (ETH), corretagem de seguros, empreendimentos imobiliários e construção (o cerne do grupo e do projeto de Betty, ocupando quase quatro andares do edifício), além da fundação que leva o nome da controladora. Uma dezena de planilhas e organogramas, modificados à exaustão - mesmo depois de finalizada a implantação do projeto -, testemunha o intrincado processo de determinação de áreas e fluxos compartilhados.

Como a Odebrecht tem sedes em várias localidades do país e do exterior, é significativo o aporte de população flutuante nos escritórios. Com isso, é frequente a necessidade de realocar e redimensionar as áreas de trabalho, tendo em vista as periódicas variações de desempenho das empresas, cujo tamanho cresce e se reduz com certa constância. Assim, parte do projeto trata do planejamento de divisórias e forros para compatibilizar vãos, para permitir a reconfiguração de salas sem que se comprometa, por exemplo, a paginação das luminárias ou o desenho do piso de carpete. Tal modulação é a base para a flexibilização dos espaços, que podem, então, ser modificados sem perda de material. “Isso ocorre quase todo final de semana”, assinala Betty.

Mas o tema permeia ainda a especificação do mobiliário e dos acabamentos. “É gente da construção”, assinala a arquiteta, referindo-se à demanda por espaços funcionais e à padronização enxuta de materiais - madeira com acabamento marfim, vidro e carpete randômico em azul-escuro e detalhes em vermelho.

Essa especificação vale para os mais de 10 mil metros quadrados de área privativa que a Odebrecht ocupa no Eldorado Business Tower, cenário no qual adquire papel de destaque o planejamento das áreas envidraçadas. Quase toda a delimitação entre salas, departamentos e empresas se faz através de divisórias de vidro, variando, contudo, a forma como se permite ou se limita a integração visual entre eles. “O mote do projeto é a integração”, explica a arquiteta, que criou variadas padronagens de jateamento, áreas opacas e películas fotográficas para aplicação nos vidros. Em conjunto com a arquitetura das salas de recepção e dos núcleos comunitários de reuniões, esse detalhamento acaba suavizando a linguagem austera dos escritórios.

Além do rígido controle das especificações arquitetônicas pelo condomínio, para que não se interfira negativamente na área da sustentabilidade e do processo de certificação Leed, Betty tirou partido da setorização periférica das salas de trabalho. Elas se distribuem ao longo das fachadas envidraçadas do edifício, de modo a aproveitar ao máximo a iluminação natural e as vistas da cidade.

Grande área de estar e salas de reuniões contíguas
O 33° pavimento abriga grande área de estar e salas de reuniões contíguas
Divisórias periféricas também são móveis
Nesse andar, as divisórias periféricas também são móveis, adotando-se mecanismo de acumulação
Recepção do 27° andar tem balcão curvo
A recepção do 27° andar tem balcão curvo
Divisórias basculantes
As divisórias basculantes permitem total integração dos ambientes
Faixas de piso em tom escuro demarcam a divisão entre as salas de reuniões
Faixas de piso em tom escuro demarcam a divisão entre as salas de reuniões
Padronização de materiais, cores, mobiliário e divisórias cria linguagem sóbria
A padronização de materiais, cores, mobiliário e divisórias cria linguagem sóbria

Surgiu, aqui, uma delicada interface entre os interesses do condomínio e as necessidades das empresas da Odebrecht, sobretudo no que se refere à iluminação. A arquiteta explica que todas as fachadas do edifício são protegidas por persianas automatizadas coletivamente, com acionamento involuntário aos escritórios, o que demandou grande atenção do projeto de luminotécnica para não prejudicar a luminosidade nas áreas de trabalho. “Boa parte dos profissionais que frequentam a empresa vêm do Nordeste”, relembra Betty, região culturalmente habituada com elevados índices de luminância.

A cobertura reúne as salas do conselho e de reuniões de liderança e o grande ambiente de confraternização. Esses usos se alternam através de layout flexível, apoiado no funcionamento de divisórias que ora dividem ambientes, ora os integram em uma grande sala.



Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 352 Junho de 2009


Betty Birger é arquiteta formada pela FAU/Mackenzie em 1980 e há mais de 20 anos atua nas áreas de interiores corporativos, de lojas, design e cenografia
Vista interna do estar, envidraçado e com formado oval
Vista interna do estar no 27° pavimento, envidraçado e com formato oval
Piso cerâmico, divisórias de madeira e acabamentos na cor branca são diferenciais do 33° andar
Piso cerâmico, divisórias de madeira e acabamentos na cor branca são diferenciais do 33° andar
Semitransparência das divisórias de vidro foi obtida através de vários recursos, como a aplicação de películas com imagens fotográficas
A semitransparência das divisórias de vidro foi obtida através de vários recursos, como a aplicação de películas com imagens fotográficas