Betty Birger Arquitetura & Design
Escritórios, São Paulo
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- 18 de Setembro de 2009. Visitas: 32.403
O projeto de Betty Birger documenta os bastidores de dois importantes protagonistas da cena arquitetônica e construtiva brasileira das últimas décadas. Seu programa de trabalho, afinal, incidiu sobre o cotidiano do grupo Odebrecht - que inclui uma das principais construtoras do país, a Norberto Odebrecht, e a Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, entre outras - e sobre a ocupação em um edifício sustentável, preparado para receber a certificação Leed.
O trabalho inicial foi conciliar as demandas de cada empresa do grupo. Os escritórios ocupam sete pavimentos (do 25º ao 28º, o 31º, o 32º e a cobertura), em meio aos quais se sucedem cinco atividades diferentes, nas áreas de bioenergética (ETH), corretagem de seguros, empreendimentos imobiliários e construção (o cerne do grupo e do projeto de Betty, ocupando quase quatro andares do edifício), além da fundação que leva o nome da controladora. Uma dezena de planilhas e organogramas, modificados à exaustão - mesmo depois de finalizada a implantação do projeto -, testemunha o intrincado processo de determinação de áreas e fluxos compartilhados.
Como a Odebrecht tem sedes em várias localidades do país e do exterior, é significativo o aporte de população flutuante nos escritórios. Com isso, é frequente a necessidade de realocar e redimensionar as áreas de trabalho, tendo em vista as periódicas variações de desempenho das empresas, cujo tamanho cresce e se reduz com certa constância. Assim, parte do projeto trata do planejamento de divisórias e forros para compatibilizar vãos, para permitir a reconfiguração de salas sem que se comprometa, por exemplo, a paginação das luminárias ou o desenho do piso de carpete. Tal modulação é a base para a flexibilização dos espaços, que podem, então, ser modificados sem perda de material. “Isso ocorre quase todo final de semana”, assinala Betty.
Mas o tema permeia ainda a especificação do mobiliário e dos acabamentos. “É gente da construção”, assinala a arquiteta, referindo-se à demanda por espaços funcionais e à padronização enxuta de materiais - madeira com acabamento marfim, vidro e carpete randômico em azul-escuro e detalhes em vermelho.
Essa especificação vale para os mais de 10 mil metros quadrados de área privativa que a Odebrecht ocupa no Eldorado Business Tower, cenário no qual adquire papel de destaque o planejamento das áreas envidraçadas. Quase toda a delimitação entre salas, departamentos e empresas se faz através de divisórias de vidro, variando, contudo, a forma como se permite ou se limita a integração visual entre eles. “O mote do projeto é a integração”, explica a arquiteta, que criou variadas padronagens de jateamento, áreas opacas e películas fotográficas para aplicação nos vidros. Em conjunto com a arquitetura das salas de recepção e dos núcleos comunitários de reuniões, esse detalhamento acaba suavizando a linguagem austera dos escritórios.
Além do rígido controle das especificações arquitetônicas pelo condomínio, para que não se interfira negativamente na área da sustentabilidade e do processo de certificação Leed, Betty tirou partido da setorização periférica das salas de trabalho. Elas se distribuem ao longo das fachadas envidraçadas do edifício, de modo a aproveitar ao máximo a iluminação natural e as vistas da cidade.
Surgiu, aqui, uma delicada interface entre os interesses do condomínio e as necessidades das empresas da Odebrecht, sobretudo no que se refere à iluminação. A arquiteta explica que todas as fachadas do edifício são protegidas por persianas automatizadas coletivamente, com acionamento involuntário aos escritórios, o que demandou grande atenção do projeto de luminotécnica para não prejudicar a luminosidade nas áreas de trabalho. “Boa parte dos profissionais que frequentam a empresa vêm do Nordeste”, relembra Betty, região culturalmente habituada com elevados índices de luminância.
A cobertura reúne as salas do conselho e de reuniões de liderança e o grande ambiente de confraternização. Esses usos se alternam através de layout flexível, apoiado no funcionamento de divisórias que ora dividem ambientes, ora os integram em uma grande sala.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 352 Junho de 2009
Betty Birger é arquiteta formada pela FAU/Mackenzie em 1980 e há mais de 20 anos atua nas áreas de interiores corporativos, de lojas, design e cenografia

