Júlio Vieira e Miguel Góes
Banco Real ABN Amro, São Paulo-SP
- Detalhes
- 27 de Abril de 2005. Visitas: 51.668
configuração de tapetes por meio da mudança de cores das placas de carpete
Iluminação natural e referencial urbano são contrapontos à sofisticação no projeto de Júlio Vieira e Miguel Góes para a área vip do Banco Real ABN Amro. O projeto revela a clientes e funcionários enquadramentos da avenida Paulista, em São Paulo, antes ocultos por salas fechadas junto à fachada.
Com a criação do corredor periférico de circulação, “repensamos o paradigma do vazio central do edifício”, relata Vieira.
A diretriz inicial dos arquitetos foi incrementar a luminosidade natural dos interiores, bastante prejudicada pelo layout e pela tonalidade escura dos painéis de vidro que isolam o mezanino do átrio central. Ela motivou a remodelação e o reposicionamento das salas de reuniões.
Assim, com a inserção de corredor periférico, os arcos da fachada “apareceram nos interiores” e o projeto ganhou novo condicionante, segundo Vieira.
O desafio passou a ser, então, como integrar o desenho controverso dessas janelas à ambiência sofisticada dos espaços internos, questão solucionada, segundo os autores, pelo princípio de “brincar com a geometria”.
Nesse sentido, destacam-se nos generosos corredores e salas de espera os painéis retangulares de vidro fosco, com acabamento denominado acidato, que foram implantados em divisórias e peças de mobiliário. “Criamos uma nova experiência, uma nova identidade da área vip e de reuniões”, resume Vieira.
Definidos o conceito e a linguagem, os arquitetos priorizaram a percepção do espaço como um conjunto integrado e homogêneo, efetivada pela padronização extremamente sintética dos materiais e revestimentos. Assim, todo o piso recebeu placas de carpete com o mesmo acabamento, do tipo randômico, ou seja, de cor não homogênea.
O encontro do forro com as paredes é recuado para atenuar a percepção do pé-direito baixo, e o requadro do forro nas áreas vips é quadriculado e revestido por folhas de madeira freijó-linheiro. As persianas horizontais que vedam as superfícies envidraçadas são de madeira.
A delimitação dos ambientes de espera teve interessante solução, já que as mesmas placas de carpete configuram, por meio de cores diversas, espécies de tapetes sob as poltronas e sofás. Dessa forma, apesar dos materiais requintados e de elevada qualidade, prevalece nos interiores certa simplicidade.
Isso “aproximou bastante o gradiente de sofisticação entre as áreas de reuniões, de domínio dos funcionários, e os setores especiais para clientes”, conclui Vieira. Destaca-se ainda a escolha dos móveis das áreas comuns e da sala de reuniões vip, com peças de madeira assinadas por renomados designers brasileiros.
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 294 Agosto de 2004
à idéia de sustentabilidade
acabamento do tipo acidato, foram incorporados ao mobiliário
foi o ponto de partida do projeto
entre três salas de reuniões

