NPC Grupo Arquitetura
Agência de publicidade, São Paulo-SP
- Detalhes
- 28 de Abril de 2005. Visitas: 85.467
linguagem racional de edifício
Das instalações do edifício há muito abandonado, na zona oeste de São Paulo, os arquitetos Cláudia Nucci, Sérgio Camargo e Valério Pietraróia mantiveram apenas a malha estrutural de uma caixa de vidro para criar a agência de publicidade Y&R. O projeto, que obteve menção honrosa na 6ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo, em 2004, e o Prêmio Bticino 2005 para design de interiores, destaca-se pela completa transformação da linguagem arquitetônica existente.
À rígida modulação de pilares e vigas de concreto, os arquitetos do NPC acrescentaram elementos arquitetônicos de extrema riqueza visual. Vazios, passarelas, vidros em diversos padrões, iluminação zenital e a setorização perimetral determinada pelo núcleo central de circulação, entre outros elementos, reverteram a racionalidade monótona do edifício.
“Nosso partido foi o da intervenção arquitetônica volumétrica”, explicam os autores, o que, em síntese, resulta da criação de vazios centrais.Eles integram os diversos setores do programa e correspondem à idéia, corrente em agências de publicidade contemporâneas, de que “a arquitetura deve explicitar as implicações espaciais do trabalho em equipe”, completam os arquitetos.
Implantada no mezanino, a área da criação, uma sala de 23 x 8 metros é que determina as características desses vazios centrais. Ou seja, sua localização e contornos, desde os recortes retangulares e longitudinais sobre o térreo até a abertura zenital e transversal feita na laje de cobertura. “A idéia foi mostrar esse setor como o coração da agência”, revela Valério Camargo.
O térreo tinha, originalmente, pé-direito duplo -, a sala é delimitada longitudinalmente por painéis contínuos de vidro vermelho, do tipo piso-teto, que podem ser vistos de todos os pavimentos e parecem flutuar no interior do volume.
marquise de entrada e pelo logotipo da empresa
(pilares e vigas pintados de preto) contrasta com
as novas lajes e fechamentos
O primeiro painel, elevado e recuado cerca de cinco metros da fachada frontal, é visível da movimentada marginal Pinheiros. Ele separa a criação de sua gerência, uma sala menor e centralizada, e permite a visualização da área de produção gráfica, que ocupa a porção frontal do andar térreo.O outro painel funciona como uma espécie de fachada que diferencia a criação dos demais setores da agência, o que é favorecido ainda pelos recortes das lajes e pela iluminação zenital.
Esse ambiente é ligado ao núcleo central de circulação vertical, com elevador e a caixa de escada, por meio de duas passarelas de estrutura metálica. Elas têm guarda-corpo de painéis de vidro com tratamento químico especial e acompanham o alinhamento do vazio central que envolve o elevador.
Sobre a cobertura da edificação foi construído um novo volume, em que as linhas retas e a cor preta contrastam com as fachadas de vidro refletivo da agência. Ele abriga áreas de convivência e dois auditórios que, através de grandes portas de correr, podem se transformar em um ambiente único.
Os arquitetos projetaram também grande parte do mobiliário da agência, favorecendo a padronização dos interiores. Em síntese, prevalece a idéia de grandes bancadas contínuas, não só nas mesas de trabalho mas também nos armários baixos que as setorizam.
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 302 Abril de 2005
de estar se transformem em espaço único para eventos
por sala de reuniões com pé-direito duplo
considerada o coração da agência
de madeira ebanizada no tampo das mesas
e as sucessivas camadas de vidros em diversos acabamentos

