Projeto Paulista de Arquitetura
Escritório, São Paulo
- Detalhes
- 17 de Fevereiro de 2010. Visitas: 41.523
A empresa decidiu transferir o escritório para o bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, e escolheu um edifício construído nos anos 1980. O prédio apresenta características bastante positivas, como janelas nas quatro faces e planta quadrada em torno de núcleo central. A dificuldade fica por conta do pé-direito baixo, com apenas 2,60 metros entre o piso e a face inferior das vigas, que desafia o projeto de distribuição do ar condicionado.
Para buscar soluções de menor custo que resolvessem os interiores e a parte técnica rebaixando o forro o mínimo possível, a Risk Office estabeleceu uma concorrência entre três escritórios de arquitetura convidados. A proposta selecionada foi desenvolvida pelo Projeto Paulista de Arquitetura, liderado por Luís Mauro Freire e Maria do Carmo Vilarino. “O cliente estava saindo de um escritório compartimentado e queria um espaço arrojado, contemporâneo e com personalidade”, explica Freire. Os arquitetos apresentaram um projeto que combina ambientação leve e equilibrada, marcada por transparências e acabamentos despretensiosos, e soluções técnicas simples e eficientes. Somente na área de circulação em torno do core e em poucos outros pontos específicos o forro foi rebaixado a cerca de 2,30 metros para a instalação dos dutos. A distribuição do ar é feita por meio de uma grelha contínua ao longo do perímetro da circulação, o que joga o ar refrigerado diretamente nos ambientes de trabalho sem a utilização de dutos. “Somente as salas fechadas maiores precisaram da tubulação, mas já com seção menor”, detalha Freire.
Os arquitetos optaram pelo forro solto em placas de gesso perfuradas, deixando parcialmente à vista vigas pintadas de preto, laje, trilhos de eletrificação e conduítes. Em vários pontos, os painéis do forro sustentam luminárias lineares que jogam a luz para cima, a fim de iluminar indiretamente o plano de trabalho. Associadas a mantas acústicas, essas placas compensam a reverberação do som em pisos e divisórias e contribuem para uma ambientação mais confortável. Repetindo a linguagem do forro, as instalações elétricas e de comunicação correm aparentes pelo piso em calhas com tampas removíveis, dispostas paralelamente ao núcleo central - uma sob as divisórias que delimitam as salas e outra já perto das janelas.
Esses cuidados asseguraram conforto e funcionalidade ao conjunto, que recebeu piso vinílico em tom neutro de cinza, próximo ao do concreto, e divisórias piso-teto de vidro transparente, garantindo integração visual. A única divisória translúcida separa a diretoria do ambiente da recepção, que apresenta soalho de madeira clara.
A cor aparece pontualmente, destacando o núcleo central, em vermelho, e o CPD, em cinza-chumbo. Quase todo o mobiliário é de linha, exceto os balcões da recepção e das áreas de café, desenhados pelos arquitetos.
O mesmo tratamento estético foi dado aos dois andares ocupados pela empresa, apesar das diferenças no uso: o 11°, onde funcionam recepção, diretoria, biblioteca e departamentos jurídico e comercial, tem espaços mais compartimentados, agrupados por área; o 12°, onde estão os analistas financeiros, é totalmente aberto e integrado, com apenas duas salas de reuniões fechadas.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 358 Dezembro de 2009

Luís Mauro Freire e Maria do Carmo Vilarino (FAU/USP, 1988 e 1991) são sócios no escritório Projeto Paulista de Arquitetura. Entre outros prêmios, venceram os concursos para a Câmara Legislativa do DF e para a catedral do Campo Limpo, e conquistaram o segundo lugar no concurso para o largo da Batata (os dois últimos em São Paulo). Freire é professor da Fiam/Faam e da Escola da Cidade; Maria do Carmo leciona na Unip e na Unib


