Um debate sobre mobiliário de escritórios

Como cada um de vocês considera o seu diferencial em um projeto de escritório?

Carlos Mauricio Duque   Renata Semin   Francisco Javier Manubens   Roberto Loeb
Como cada um de vocês considera
o seu diferencial em um projeto
de escritório?
Renata Semin
 
Como empresa de projetos, buscamos fazer parte do processo de viabilização do empreendimento, seja ele de pequeno ou de grande porte. Lutamos para conquistar o espaço de participação na evolução de um projeto, e isso tem dado resultados muito interessantes. Tem também a precisão na especificação. Os fornecedores que me desculpem, mas ela não é fruto de sua imposições.

O Piratininga tem, na sua história, participação na criação de novos produtos, na pós-implantação. O arquiteto especifica, acredita no produto, e, na hora de usar com o potencial máximo instalado, precisa voltar para a indústria e corrigir tudo, porque um problema em 2 mil postos de trabalho significa 2 mil problemas.

A exigência de que os produtos atendam bem ao nosso projeto e, conseqüentemente, ao nosso cliente, é,um diferencial decorrente da boa compreensão do que é o programa e do que venham a ser as perspectivas futuras de cada contratante. Avaliamos a resistência e, principalmente, a flexibilidade para que o resultado de projeto seja o melhor possível para aquela condição.

Trabalhamos dezenas de vezes com projetos em que não há aquisição de itens de mobiliário. É possível fazer reformulações incríveis na forma de funcionamento e na operação de uma empresa. São projetos de rendimento interessantíssimo. E aí, sim, pode-se medir o que é produtividade, o que é eficiência. Eu diria que são esses os nossos diferenciais.
 
Francisco Javier Manubens
 
Meu diferencial na especificação é tentar definir muito claramente o programa, para que a especificação seja o mais genérica possível e o maior número de fornecedores possa atendê-la. Nisso existe uma dificuldade, porque cada fabricante procura criar um diferencial no seu produto e isso, muitas vezes, mais atrapalha do que ajuda. Isso nos leva a bater na mesma tecla que Loeb: a do selo, para ter equalização também na qualidade. Quando se especifica para uma empresa que vai comprar grande quantidade, é preciso brigar por preço, e essa briga deve ser leal, com todos apresentando a mesma coisa.
 
Carlos Maurício Duque
 
Atuo mais na concepção de projetos de produtos do que na de ambientes. Meu diferencial é a ergonomia, que utilizo como ferramenta para otimizar a qualidade de vida das pessoas. Aos usuários dos ambientes e das estações de trabalho, essa otimização proporciona melhor desempenho, a partir da melhor eficiência e eficácia na realização de suas tarefas.

Com essa eficiência e eficácia, a empresa alcança melhor produtividade e se torna mais competitiva. Para isso precisa haver qualidade técnica do produto, qualidade estética e qualidade ergonômica. Utilizo algumas ferramentas de engenharia de produção para avaliar falhas no desenvolvimento do projeto do produto e até mesmo do sistema de gestão da qualidade do usuário.
 
Roberto Loeb
 
Claro que a ergonomia tem de ser eficiente, os espaços têm de ser agradáveis, tudo isso é um elemento importante no projeto e até no desenvolvimento de alguns produtos que o mercado não oferece. Mas, para mim, o foco central é a leitura, no nível subjetivo e emocional, das necessidades das pessoas: cada ser é tão importante que não posso vê-los de forma coletiva.

Evidentemente faço uma interpretação, a partir de experiências ao longo de anos em que colecionei sucessos e insucessos. Para mim, essa é a questão essencial. As outras são importantes, mas hoje procuro muito a satisfação cultural, o sentimento de pertencer a uma cultura, a um país. Como traduzir isso em projeto é subjetivo, mas é o que me mantém trabalhando entusiasmado.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 268 Junho 2002
Clique nas perguntas e veja as respostas
O bom projeto de escritórios deve enfatizar
o design, a qualidade, o preço ou o conceito?
A normalização tem ajudado, está completa
ou ainda faltam coisas que poderiam ajudar
o especificador e o projetista?

Em sua opinião, essa miopia acontece porque fabricantes não atentam para a questão ou porque isso elevaria o custo de produção?
Arquitetos e fabricantes têm
como contribuir com isso?
E como está a produção de mobiliário
brasileiro na área da ergonomia?
Não temos nenhum tipo
de certificação no Brasil?
Quais seriam os bons critérios na especificação de mobiliário para obras de pequeno porte?
Quais são as tendências atuais
do layout de escritórios?
A tendência do escritório aberto muda alguma coisa em relação à especificação
do mobiliário?
Radiação vinda de onde?
Essa pesquisa foi feita quando e onde?
Em geral, qual é a receptividade
a essa proposta?
Como deve se comportar o arquiteto ou o projetista diante dessas questões?
Certamente há quem aceite coisas que não seriam aceitáveis, ou que não deveriam ser, em um projeto de interiores.
Não seria o caso de propor a tarefa de discutir o espaço do escritório com os futuros administradores e contratantes às próprias entidades de arquitetos? A Asbea e o IAB, por exemplo, poderiam procurar escolas como a FGV e a FEA.
Formados a partir de que base?
Na verdade, de acordo com o Código
de Defesa do Consumidor, arquiteto
e fabricante são co-responsáveis.
Algumas vezes isso é feito verbalmente?
Como cada um de vocês considera
o seu diferencial em um projeto de escritório?