André Vainer e Guilherme Paoliello
Agência de publicidade, São Paulo-SP
  
    
 
 Parte posterior do galpão principal, vista da sala de estar do segundo pavimento. As passarelas metálicas configuram desenho ortogonal
    
 
Cobertura e iluminação sofisticam ambiente de origem industrial
 

Motivações semelhantes conduziram o novo projeto da agência de publicidade, em São Paulo, quatro anos depois de André Vainer e Guilherme Paoliello transformarem um galpão industrial em sede da empresa (leia PROJETODESIGN 254, abril de 2001). Em 2004, a atual Neogama BBH mudou-se da zona sul para a oeste, e os arquitetos voltaram a confrontar o “programa sofisticado”, como define Vainer, com as potencialidades do espaço de origem fabril.

A nova agência passou a ocupar parte das instalações da extinta fábrica da Bic - produtora de canetas e isqueiros -, às margens da linha férrea metropolitana, com área construída cerca de 2,5 vezes maior do que a anterior. O programa foi setorizado em três galpões contíguos - o maior é uma nova edificação e os dois menores, adaptados de construções existentes. Com fechamentos externos executados em painéis de telha metálica pintada, o novo bloco tem dois pavimentos, além de mezanino, e abriga os principais setores operacio- nais, entre áreas administrativas, de criação, atendimento e produção.

O desenho de sua cobertura é um dos destaques do projeto, correspondendo ao elemento de sofisticação a que se refere o arquiteto. “A idéia foi suavizar ao máximo os detalhes e o dimensionamento da treliça metálica”, estruturada por barras chatas de pequena espessura, complementa Vainer. Elas conformam delgadas peças duplas e vazadas, que vencem mais de 30 metros de vão livre.

Também a iluminação natural proveniente da extensa cobertura qualifica os espaços internos. Dois sheds longitudinais, distanciados cerca de três metros e vedados com painéis de vidro transparente, têm aberturas voltadas para a face sul. Suas angulações e alturas relativas foram concebidas de forma a otimizar a iluminação interior, já que aos raios luminosos incidentes soma-se a reflexão originária das telhas brancas do shed de menor altura.

Como bagagem da ocupação anterior, foram trazidos materiais, sistemas construtivos e a herança dos interiores fluidos, com ilhas de trabalho e salas distribuídas de forma difusa sob o pé-direito elevado. Assim, a linguagem arquitetônica da antiga sede foi mantida, sobretudo em função do reaproveitamento de boa parte dos sistemas metálicos que delimitam e estruturam as salas envidraçadas. “Nós as trouxemos, literalmente, bem como outros elementos, para o atual endereço”, explica Paoliello.

O novo layout, contudo, se destaca pela considerável soma de área aberta, o que amplia o contato visual entre todos os departamentos.

“Concentramos os pisos elevados em setores isolados, não só por critérios econômicos, mas, principalmente, para otimizar os espaços livres”, revela Vainer.

Já as passarelas metálicas, também em parte reaproveitadas, respondem pela conexão entre os diversos ambientes e galpões. Elas foram penduradas na tesoura metálica e desenham traçado ortogonal sobre o grande vazio central.
O menor dos galpões preexistentes, paralelo à rua e transversal ao bloco principal, configura extensa galeria de entrada e, no andar superior, abriga as salas de reuniões. O outro divide-se em estacionamento, no térreo, áreas técnicas, no mezanino, e salas para empresas coligadas, no pavimento superior.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 308 Outubro de 2005

 
Vista externa revela a interação entre os três galpões e as extensas aberturas dos sheds. O volume amarelo possui instalações aparentes, que servem as salas técnicas do mezanino
 
O bloco transversal, praticamente vedado ao exterior,
abriga a galeria de entrada, no térreo, e as salas
de reuniões no piso superior
 
As salas de reuniões centrais têm o mesmo layout,
dimensões e sistema construtivo da antiga agência
 
A sala da presidência tem posição central no grande vazio.
A escada de madeira (à esquerda) foi parcialmente reaproveitada da antiga agência
 
Áreas de trabalho abertas, sobre piso elevado, alternam-se com volumes envidraçados de dois pavimentos.
No centro da foto, as salas de reuniões
 
  
As passarelas enfatizam as áreas livres dos interiores, na medida em que permitem a visualização entre os diversos ambientes
 
O volume branco dos sanitários funciona como contraponto aos interiores sem barreiras visuais
 
A área de criação ocupa boa parte do segundo pavimento

Ficha Técnica
Agência Neogama BBH
Local
São Paulo, SP
Início do projeto
2004
Conclusão da obra
2004
Área do terreno
6.600 m2
Área construída
5.650 m2
Arquitetura e interiores
André Vainer e Guilherme Paoliello (autores); Fernanda Neiva, Gil Mello e João Paulo Meirelles (colaboradores)
Mobiliário
André Vainer e Guilherme Paoliello (autores); Fernanda Palmieri (colaboradora)
Programação visual e ambientação
Cláudia Issa
Estrutura metálica
Engemetal (cobertura), Construfer (mezaninos) e Enteco (complementar)
Estrutura de concreto e fundações
Estrucalc
Ar condicionado
Thermoplan
Instalações elétrica, hidráulica e lógica
Ramoska & Castellani
Iluminação
Reka
Iluminação complementar
Cia. de Iluminação
Paisagismo
Bonsai
Construção
Takeyama
Fotos
Nelson Kon

 

Fornecedores
Air Master (ar-condicionado); Atelier Arte Técnica (marcenaria); Metaltec (serralheria);
Monopiso (piso industrial); Panisol (telhas e fechamentos metálicos verticais); Vidrospar (vidros)

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