NPC Grupo Arquitetura
Agência de publicidade, São Paulo
   
 
  As salas delimitadas por divisórias de vidro, algumas com forro em chapas de gesso, destinam-se a tarefas que exigem maior concentração
 
Proposta estabelece ambientes integrados, favoráveis à criação

O edifício, com estrutura pronta e projeto flexível para garantir facilidade de locação, estava na reta final de construção quando foi escolhido para sediar a agência de publicidade Leo Burnett Brasil. Coube aos arquitetos Cláudia Nucci, Sérgio Camargo e Valério Pietraróia, do NPC Grupo Arquitetura, a tarefa de dar o perfil adequado à obra semi-acabada e estabelecer as soluções que assegurassem o melhor aproveitamento do espaço.

Antes instalada em um edifício na região da avenida Luís Carlos Berrini, a Leo Burnett Brasil necessitava de um endereço que refletisse melhor o perfil de uma agência de publicidade. O imóvel adequado foi encontrado nas imediações, no Brooklin Novo, bairro que se desenvolveu no entorno da Hípica Paulista e onde predominam residências e alguns poucos prédios baixos para escritórios. Construída para o mercado de locação, a edificação recuada e com jardim frontal é dividida em subsolo, térreo, dois pavimentos e cobertura. Ela se situa ao lado de imóvel de mesmas proporções, ainda em obras, que deve ser incorporado à agência, relata o arquiteto Valério Pietraróia.

Uma abordagem diferenciada do projeto está no alocamento da recepção no subsolo. “O visitante deixa o carro no estacionamento e tem acesso direto à entrada”, detalha o arquiteto. Nesse mesmo nível se concentram setores de apoio da agência e a sala de estar para funcionários, equipada com balcão, mesas, cadeiras, estofados e aparelhos de TV. Dessa forma, o jardim do edifício foi liberado e transformado numa extensão do departamento de criação, que ocupa boa parte do nível térreo. Para resguardar a área externa, os arquitetos criaram o extenso painel de vidro que marca o alinhamento frontal do lote. Em sua extremidade direita localiza-se o acesso de pedestres à recepção, feito por meio de escada cujo percurso é acompanhado pelo espelho d’água, que cria um elemento de integração entre o térreo e o subsolo.

 
O painel de vidro com o logotipo da agência e a marquise marcam o limite frontal do lote. Pedras portuguesas revestem
a calçada e os pisos externos
 
Vista do jardim frontal, incorporado como área externa da criação
 
Croqui de corte
 
  O pavimento criado com o fechamento da cobertura apresenta portas deslizantes, que permitem diferentes configurações do espaço. No piso, réguas de madeira; no forro, chapas de gesso perfurado
 

O layout panorâmico dos diversos departamentos foi elaborado para oferecer flexibilidade de uso, de modo a permitir as constantes mudanças na disposição das mesas, decorrentes da formação de diferentes equipes para o atendimento de cada cliente. As poucas salas fechadas existentes no conjunto são delimitadas por divisórias de vidro transparente, recurso que ajuda a reduzir os ruídos nas áreas onde se necessita de maior concentração no trabalho. O mobiliário, desenvolvido em parceria com uma indústria, consiste em grandes mesas componíveis, que possibilitam aumentar ou diminuir livremente a quantidade de postos de trabalho. Sem piso elevado, todo o cabeamento corre por calhas no forro de chapas perfuradas - o que deixa as instalações aparentes - e chega às mesas do piso superior através de furos na laje.

A principal intervenção ocorreu na cobertura, profundamente remodelada, para permitir seu uso como área de apresentações e reuniões. O espaço, antes descoberto, recebeu estrutura e cobertura metálica, além de fechamentos laterais com vidro e grandes painéis móveis de cobre, material oxidável e sujeito a variações de cor. “O projeto foi desenvolvido sob o conceito de flexibilidade. Da mesma forma que os ambientes podem mudar constantemente de layout, a fachada também é transformável”, justifica o arquiteto. Painéis do tipo guilhotina vedam totalmente os vãos, a fim de escurecer os interiores, condição necessária para a exibição de vídeos.

 
O mezanino, com estrutura metálica, situa-se sobre a área de criação
 
  Pedras fazem o fundo do espelho d’água que interliga o térreo e a recepção, no subsolo
 

O andar, que também funciona como área para exposições, pode ser compartimentado ou integrado por meio de portas deslizantes. Outra intervenção significativa foi a implantação de um mezanino de estrutura metálica no primeiro pavimento, ocupado pela presidência.



Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 329 Julho de 2007

 
A movimentação dos painéis de cobre transforma constantemente a fachada lateral
 
Detalhe dos painéis de cobre, elemento oxidável e sujeito a alterações de cor
  Cláudia Nucci, Sérgio Camargo e Valério Pietraróia formaram-se na FAU/USP entre 1984 e 1985.


Eles constituem o escritório NPC Grupo Arquitetura, que atua nas áreas de arquitetura e interiores e já recebeu prêmios do IAB/SP e da Bienal Internacional de Arquitetura e Design, entre outros
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Ficha Técnica

Agência Leo Burnett Brasil
Local
São Paulo, SP
Início do projeto 2004
Conclusão da obra 2006
Área do terreno 985 m²
Área construída 2.434 m²
Interiores NPC Grupo Arquitetura - Cláudia Nucci, Sérgio Camargo e Valério Pietraróia (autores); Luiz Guilherme Martinelli, Daniela Batista Soares, Alexandre Munemassa Kayo, Bruna Jorge Alves e Rafael Henrique de Oliveira (colaboradores)
Paisagismo Koiti Mori e Klara Kaiser
Projeto e construção do edifício Mantra
Fotos Nelson Kon

 
Diferentes acabamentos de piso: pedra portuguesa polida na área frontal e manta vinílica na parte posterior do salão
 

Fornecedores
Forbo (piso); Placo (forro); Vitrais MA- GE, Temperal (divisórias de vidro); Itaim, Lumini, Belux (luminárias); Teleinfo, Romeg (lógica e cabeamento); Escriba, Voko, Teperman, Probjeto, Giroflex, Álvaro Wolmer, Depot, Llusá, Montenapoleone (mobiliário); Vagson (marcenaria); Furuta Kawasaki (serralheria); Luxaflex, FAC (persianas); Toque Final (cortinas); N. Didini (painéis de cobre); US4 (ar condicionado); Print fix (vinil); Promoverde (implantação do paisagismo); OHM (obras civis complementares)

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