Piratininga Arquitetos Associados
Escritório, São Paulo
   
 
  A diversidade visual é a principal característica da galeria/circulação, elemento que ajudou a fixar a identidade da nova empresa
 
Elemento de conexão entre duas torres, galeria organiza espaços

O projeto de Marcos Aldrighi e José Armênio de Brito Cruz, de Piratininga Arquitetos Associados, para as instalações administrativas da Braxis Sertrading (atual Braxis CPM) contribuiu para definir a identidade da nova corporação, resultante da fusão de duas companhias que operavam em áreas distintas. A circulação que conecta as lajes de duas torres forma uma galeria com 70 metros de comprimento e tornou-se um elemento fundamental na identificação empresarial.

A fusão da Braxis, do setor de tecnologia da informação, com a Sertrading, da área de comércio exterior, deu origem à Braxis Sertrading - que atualmente se denomina CPM Braxis. A nova empresa se instalou na avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, zona sul paulistana, no condomínio São Luís, projetado pelo arquiteto Marcello Fragelli nos anos 1970 e revisto na década seguinte, quando foi construído (leia PROJETO DESIGN 123, julho de 1989). Ocupa três pavimentos em duas torres daquele complexo, que é formado por quatro prédios.

A proposta conceitual do projeto de Marcos Aldrighi e José Armênio de Brito Cruz, sócios do escritório Piratininga, era promover a ocupação dos espaços (o 12° piso de duas torres que se comunicam e o segundo e o terceiro andares de outro edifício) de forma que estes ajudassem a fixar a identidade da corporação. A intenção foi facilitada pela qualidade arquitetônica do conjunto desenhado por Fragelli, destacaram os arquitetos.

 
A recepção da Braxis Sertrading está incorporada à galeria que cobre toda a extensão das lajes de duas torres
 
A cor forte é um elemento de composição do espaço
 
  Área de circulação secundária, por onde também se tem acesso ao salão dos diretores, à esquerda
 

Assim a intervenção busca reverenciar os princípios adotados no projeto do edifício, sobretudo os ligados a fluxo, circulações e áreas coletivas. Dessa interpretação surgiu, por exemplo, a galeria de 70 metros de extensão, que organiza o espaço no 12º pavimento. Esse ambiente, incomum em programas de escritório, caracteriza-se pela diversidade visual, obtida pela composição de painéis verticais de materiais e tonalidades diversos, dispostos em diferentes planos. Dependendo do ponto de vista em que se posiciona o observador, a cor ora se intensifica, ora se difunde. “Procuramos fazer com que o percurso de uma ponta a outra fosse atrativo e prazeroso”, argumenta Cruz.

À plasticidade alia-se a funcionalidade: a galeria orienta e conduz a outras áreas. Próximo à recepção, no sentido sudeste (o da avenida Juscelino Kubitschek), organizam-se, de um lado, as salas de reuniões e estações de trabalho abertas; do outro, fechados por painéis cegos na cor grafite, estão mais ambientes de trabalho, separados pelo café.

 
A galeria, incomum num ambiente corporativo, não configura
um corredor regular: há uma área de circulação externa e
outra interna
 
  Os diretores da empresa trabalham em um salão envidraçado. A área de estar e a mesa para reuniões também são de uso comum
 

Na outra metade do andar, no eixo da rua Leopoldo Couto de Magalhães, foram implantados estações de trabalho, café e salão dos diretores - este é limitado apenas por divisórias de vidro transparente, o que permite visualizar o pavimento na íntegra.

No segundo e no terceiro pisos da outra torre, seguiu-se o mesmo conceito de ocupação e composição cromática adotado nos espaços do outro bloco. A circulação obedece ao eixo noroeste/sudeste com estações de trabalho em sua extensão, ora fechadas por painéis cegos ou vidros temperados, ora abertas para o escritório. No segundo andar destacam-se o ambiente do café e um armário central na cor grafite, que organiza os setores.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 329 Julho de 2007

 
No segundo andar, os princípios da intervenção são os mesmos. A composição cromática mantém a unidade entre pisos e torres diferentes
 
Área comercial da empresa, no 12º andar. As paredes de concreto aparente irregular, presentes no projeto original do edifício, integram-se à ocupação atual
      
Fundado em 1984, o escritório Piratininga Arquitetos Associados é formado atualmente por José Armênio de Brito Cruz, Renata Semin, Marcos Aldrighi e João Paulo Tavares, todos formados em 1984 pela FAU/USP
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Ficha Técnica

Escritório Braxis Sertrading
Local
São Paulo, SP
Início do projeto 2006
Conclusão da obra 2006
Área de intervenção 3.000 m2
Interiores Piratininga Arquitetos Associados - José Armênio de Brito Cruz e Marcos Aldrighi (autores); Gustavo Panza, Joana Rojo, Paula Pompeu de Toledo, Gustavo Massimino, Andrea Bajac (colaboradores); André Cruz Procópio, Davi de Moura Lacerda e Caroline Kechichian (estagiários); Luís Gatti (técnico)
Luminotécnica Piratininga e Carlos Bertolucci
Acústica Ambiental
Estrutura metálica Pouguett
Elétrica e lógica Infra Conectividade
Hidráulica TGR
Ar condicionado EPT
Construção Esteves Amorim
Fotos Bebete Viégas

 
No segundo andar, os princípios da intervenção são os mesmos. A composição cromática mantém a unidade entre pisos e torres diferentes
 

Fornecedores
Max-Fer (estrutura metálica); Div Design (divisórias); Omni Decor (vidros); Oliveira Vidros (esquadrias); Lumini, Cia. de Iluminação, Laboratório da Luz, Reka (luminárias); Tate (piso elevado); Inovatis (persianas); Macdata (controle de acesso); Securit (estações de trabalho); Alberflex (cadeiras); Arquivo Vivo (mobiliário); Beltech (carpetes); Hunter Douglas Armstrong (forros); Kojima (comunicação visual)

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