Affonso Risi Júnior: Faculdade Paulistana, São Paulo - SP

Para o alto é que se cresce

Para o alto é que se cresce
O alto preço do metro quadrado dos terrenos paulistanos está criando uma nova tipologia, com escolas verticalizadas. Esse é o caso da Faculdade Paulistana (Fapa), que, desde a década de 1980, ocupa prédio com dez pavimentos, de planta cruciforme, marcado por estrutura de concreto aparente e fechamento em tijolos.
A verticalização já era esperada na ampliação da instituição, que, de início, cogitou repetir o volume existente. No entanto, sua dupla circulação vertical não se mostrou eficaz para o controle operacional. Chamado a fazer o novo edifício, Affonso Risi Júnior propôs desenho caracterizado pelo acesso único e, sobretudo, por dialogar com a peculiar situação do lote.
O maior desafio enfrentado pelo arquiteto no projeto de ampliação da Fapa foi justamente o lote - irregular, de meio de quadra e com acesso único e estreito -, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.
Com ocupação programada para o início de 2004, o novo prédio agrega salas de aulas, teatro, áreas administrativas e garagens e ocupa parte do terreno da sede da instituição.
 
Elevação
A organização do prédio é simples. Nos dois subsolos estão as garagens. O térreo e o primeiro andar da edificação vertical, com caixilhos recuados e estrutura periférica exposta, são ocupados pelo saguão de acesso, secretaria e administração. Conectado a eles e escapando da projeção da torre, um volume com dois pisos abriga o foyer, o teatro e o café.
Nos andares restantes, dez pavimentos-tipo receberam seis salas de aulas cada um. O último piso, com cobertura metálica e recuado em relação aos demais, é ocupado pela reitoria. Os espaços servidores - escadas, elevadores, sanitários e depósitos - estão voltados para o sul.
A implantação tem como linha-mestra o eixo de acesso ao lote, que parece uma viela comprida. Daí nasceu o eixo imaginário que serve de guia para a ortogonalidade da torre e, curiosamente, é também apoio radial do leque que compõe o desenho do teatro.
Apesar do desenho ortogonal da torre, Risi não se intimida em lançar mão da liberdade do traço para criar situações peculiares, como, por exemplo, nos caixilhos do saguão de entrada, da cobertura e da cantina, além do desenho das escadas externas e do foyer.
O embasamento (que abriga as garagens) e o volume anexo esquivam-se a todo momento, com desenho irregular, dos recuos obrigatórios.
A nova edificação conecta-se em nível com a preexistente por meio de uma passarela, artifício utilizado para reduzir o escavamento do solo arenoso. Além disso, a construção teve de suprir a quantidade de vagas para ambos os prédios, uma vez que o antigo não possui garagens. Com isso, os dois subsolos do novo edifício ficam aflorados, do ponto de vista da divisa do fundo.
No acesso do edifício propriamente dito, em oposição à situação existente, Risi criou um saguão - com pé-direito duplo fechado com amplos caixilhos - adequado à escala do projeto.
Para compor o extenso programa, o arquiteto valeu-se de dois instrumentos legais: a possibilidade de dobrar a área permitida pelo zoneamento no caso de construções escolares; e a regulamentação da construção de teatros, cuja área não é computada no processo de aprovação legal.
No projeto da Fapa, Risi reinterpretou a matriz modernista do MEC - no volume prismático, brises, estrutura aparente na base, anexo do teatro, curvas da cobertura -, tendo como diferencial a peculiar situação de costurar o interior de um quarteirão.
 
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 284 Outubro de 2003
A plataforma de acesso, sobre garagem, unifica os edifícios
O subsolo é aflorado em relação aos vizinhos do fundo
O foyer possui acesso independente
No café, fechamento com caixilho facetado
Pé-direito duplo e caixilho sinuoso marcam o saguão de entrada
O edifício ocupa um lote no interior da quadra

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 284

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