Arquitetura Nacional: Escritório ThyssenKrupp, Porto Alegre

Conexão qualifica construções existentes

Reconfigurar e qualificar o conjunto constituído por um edifício de dois andares e um galpão, no Jardim São Pedro, em Porto Alegre, de modo que eles pudessem acomodar uma importante divisão da ThyssenKrupp, foi o propósito do projeto concebido pelo escritório Arquitetura Nacional

Multinacional de origem alemã, a ThyssenKrupp passou a atuar no país no segmento de elevadores em 1999 quando comprou as operações da brasileira Elevadores Sûr. Pouco mais de 15 anos após a aquisição, a empresa decidiu instalar em Porto Alegre, cidade de origem da Sûr, a unidade da América Latina da divisão GSS (Global Shared Services), responsável por centralizar os setores administrativo, financeiro, de recursos humanos, TI e gestão imobiliária da corporação. Na capital gaúcha, a divisão ocupou um imóvel da avenida Sertório, zona norte da cidade, próximo ao aeroporto Salgado Filho.

As instalações existentes no local eram constituídas por um edifício de dois pavimentos, cuja frente está voltada para a avenida e, ao fundo, por um pavilhão/galpão de armazenamento como tantos outros. Para que esses imóveis pudessem receber seus colaboradores - num primeiro momento em torno de 100 funcionários, número que poderá crescer para até 235 -, a ThyssenKrupp realizou uma concorrência entre escritórios de arquitetura, e a proposta apresentada pelo Arquitetura Nacional, de Porto Alegre, foi selecionada.

A solução idealizada pela equipe do estúdio definiu que a estrutura existente entre os dois blocos seria demolida e, no lugar dela, seria construído um elemento de conexão entre ambos. Com a nova construção, a entrada do escritório foi transferida para a rua lateral. “Uma via de menor movimento em comparação com a grande avenida defronte ao terreno”, explica a arquiteta Paula Otto, sócia do escritório de arquitetura.

O volume acrescentado abriga os novos conjuntos de sanitários necessários ao atual uso e permitiu o aumento da área técnica - as caixas d’água ficam na sua cobertura. Paula conta que, como as duas edificações existentes possuíam paredes em alvenaria de ótima qualidade, a equipe decidiu não só mantê-las como destacar essa característica, o que foi feito pintando de preto todas as novas intervenções, além da estrutura original.

No conjunto existente, o piso do galpão industrial era em concreto armado reforçado, material que tornava difícil executar as obras para a passagem de tubulações necessárias à nova ocupação - além disso, esse piso tinha altura distinta daquela do piso do edifício frontal. Como a proposta previa a conexão entre as duas edificações, os pisos do pavilhão e do edifício frontal foram elevados, aproveitando a intervenção para passar a infraestrutura em toda a extensão do andar térreo. O nivelamento dos pisos - onde estão salas de reunião, copa e áreas técnicas e, no centro, um grande espaço multiúso - foi feito em concreto diamantado, detalha a arquiteta.

O avantajado pé-direito do pavilhão serviu à proposta de inserir ali um mezanino (de estrutura metálica), aumentando a área disponível para as estações de trabalho. “Criamos uma conexão desse mezanino com o segundo andar do edifício existente por meio da nova construção central. O piso em carpete de todo o segundo pavimento reforça ainda mais a integração espacial”, explica a sócia do Arquitetura Nacional. Uma expansão do mezanino foi planejada e a estrutura concluída para a eventual ampliação que deverá ser feita sobre a área da copa e das estações de trabalho. Também no caso do galpão, a cobertura com telhas metálicas ganhou uma segunda camada do mesmo material - entre as duas coberturas, uma camada de EPS colabora para o desempenho termoacústico do espaço.

“As esquadrias externas foram substituídas por janelas de alumínio com vidro laminado low-e, com a intenção de garantir bom desempenho térmico e barrar ao máximo o som vindo principalmente da grande avenida frontal. Em situações pontuais, onde se desejava a entrada de luz sem comprometer a privacidade do espaço interno, foram utilizadas esquadrias de alumínio com fechamento em policarbonato”, relata Paula. Salas de coordenação e de reunião possuem fechamento em vidros laminados com PVB colorido, destacando esses espaços e criando hierarquia dentro do grande espaço de trabalho unificado. 

 

Arquitetura Nacional
Respeitar a tradição e o legado da boa arquitetura brasileira, sem deixar de olhar para o futuro, é como os sócios do Arquitetura Nacional - Eduardo Maurmann (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS ,2002), Elen Maurmann (Pontífícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, 2004) e Paula Otto (UFRGS, 2010) - definem os projetos que desenvolvem no estúdio que foi fundado em 2010.



Ficha Técnica

ThyssenKrupp GSS
Local
Porto Alegre (RS)
Início do projeto 2015
Conclusão da obra 2016
Área do terreno 1.763,00m²
Área construída 1.707,53m²
Arquitetura Eduardo Maurmann, Elen Balvedi Maurmann, Paula Otto (sócios), Lucas Pessatto (coordenador) e equipe Arquitetura Nacional
Estrutura Carpeggiani Engenharia
Ar condicionado Mauro Ullmann Climatização e Refrigeração
Incêndio Motter Engenharia
Elétrica Paulo Roberto Silveira
Hidrossanitário e construção Cótica Engenharia
Fotos Marcelo Donadussi

 

Fornecedores

Beaulieu (carpetes)
Renover (divisórias de vidro e esquadrias externas)
Resmini (luminárias)
Bortolini (estações de trabalho)
Eliane (revestimentos cerâmicos)
Sensolo (portas em marcenarias)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 442
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