Aurtenechea & Perez: Iriondo Arquitectos - Complexo eólico, Osório, RS

Administração de parque tecnológico tem edifícios escultóricos

A dupla espanhola de arquitetos Eduardo Aurtenechea e Christina Perez-Iriondo concebeu dois edifícios escultóricos e voltados aos interiores, implantados na ampla área aberta e plana, pontuada por um lago. Eles abrigam os setores técnicos, administrativos e sociais do Parque Eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, constituído por 75 aerogeradores, equipamentos que utilizam a força do vento para a produção de energia.

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Fornecedores
Grandes aberturas e mirantes, no centro institucional, enquadram os conjuntos de aerogeradores
Administração de parque tecnológico tem edifícios escultóricos
A dupla espanhola de arquitetos Eduardo Aurtenechea e Christina Perez-Iriondo concebeu dois edifícios escultóricos e voltados aos interiores, implantados na ampla área aberta e plana, pontuada por um lago. Eles abrigam os setores técnicos, administrativos e sociais do Parque Eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, constituído por 75 aerogeradores, equipamentos que utilizam a força do vento para a produção de energia.
A arquitetura, no rastro do caráter grandioso do empreendimento, é permeada por grandes cifras e pelas proporções monumentais. Apenas nas bases de concreto que abrigam as torres de sustentação das turbinas, foram consumidas 4,5 mil toneladas de aço.
Agrupados em três conjuntos seqüenciais, os aerogeradores, por sua vez, pontuam a paisagem aberta com suas torres brancas, de cem metros de altura, um desenho que serviu de referência à concepção do centro institucional do complexo.
O edifício, feito com concreto, madeira e vidro, apresenta partido intimista. Embora provido de grandes aberturas e entrada imponente, tem volumetria caracterizada pelo traçado de amplas superfícies cegas. Dispostas em implantação de contorno retangular, elas constituem planos superpostos, por vezes em balanço, devido ao fato de a edificação ter sido posicionada na rara elevação do terreno. O desenho resultante é purista, conciso.
As ranhuras horizontais do concreto aparente contrastam, então, com os painéis verticais de madeira, que conformam o caixilho vazado da fachada principal e revestem externamente o volume sobressalente de uma das laterais.
Destaca-se o enquadramento dos conjuntos de torres e turbinas, que, além de orientar a posição e dimensões das aberturas, motivaram a criação de mirantes em trechos da edificação. Surgiram, desse modo, percursos pontuais na cobertura, uma interessante contraposição com a formalidade da arquitetura.
A cobertura das edificações oferece visão panorâmica da área de implantação
Área de implantação dos aerogeradores
Face norte do centro de controle, com sobreposição de madeira, vidro e chapa metálica
A entrada principal do edifício institucional ocorre através de galeria semi-aberta, que tem espelho d’água retangular estendido em toda a largura. O ambiente é simbolicamente marcado por superfícies murais cerâmicas feitas por brasileiros e pelo artista plástico espanhol Jorge Peteiro, setorizadas pela posição assimétrica da passarela de acesso à edificação. Passa-se, então, ao pátio interno e aberto, que dá acesso ao mirante central.
Já a edificação do centro de controle do parque tem linguagem industrial, com revestimento externo de vidro, madeira e chapa metálica. Sua implantação alongada, com generosas áreas abertas internas, coordena um programa variado, desde escritórios de gestão e espaços administrativos até setores de apoio, como oficinas, salas técnicas e refeitório. É interessante notar que este prédio e o centro institucional mantêm caráter autônomo, com os edifícios voltados aos seus interiores e à paisagem distante.
O parque eólico é um complexo privado de capital espanhol, formado pela Elecnor, cuja subsidiária brasileira é a Enerfin Enervento, e pela Enercon, com seu braço nacional Wobben Wind Power.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 341 Julho de 2008
Eduardo Aurtenechea e Christina Perez-Iriondo são sócios do escritório Aurtenechea & Perez-Iriondo Arquitectos, sediado em Bilbao, norte da Espanha. Formados em 1982 pela Universidade de Navarra, são autores de mais de 300 projetos de arquitetura, entre os quais diversos parques eólicos
Detalhe de um dos extremos do edifício institucional
A entrada do centro institucional ocorre através de galeria semi-aberta
Grandes vãos enfatizam a volumetria horizontal
A arquitetura se insere em ampla área aberta, à qual se contrapõe pelo caráter austero
A fachada sul evidencia a semipermeabilidade entre o centro de controle e o entorno
Galeria de entrada do centro institucional, com espelho d’água
Vista aérea do centro de controle
Galeria de entrada do centro institucional, com espelho d’água

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 341

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