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2020: janelas para o futuro

O Rio de Janeiro será a Capital Mundial da Arquitetura em 2020, tornando-se a primeira cidade a receber a designação da entidade patrimonial UNESCO. A Capital Mundial da Arquitetura é uma iniciativa inovadora que a UNESCO estabeleceu com a União Internacional dos Arquitetos - UIA, uma agência não governamental que representa mais de três milhões de arquitetos ao redor do mundo, e com o município do Rio de Janeiro.

A decisão, muito discutida até que fosse finalmente confirmada, passou a conviver em perfeita união com o Congresso Mundial de Arquitetos da UIA, que ocorrerá também no Rio em 2020, evento este que já vem sendo conduzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

A evolução cada vez mais rápida da humanidade e, por consequência, da arquitetura impõe mais e mais a criação de novas conexões desta com a cultura, em um mundo cada vez mais urbano, globalizado e cujas cidades são centros de ideias, comércio, cultura, ciência e desenvolvimento social, em particular.

Ser Capital Mundial da Arquitetura demanda estar a serviço da civilização, confirmando a necessidade urgente de considerar que em 2020 devemos criar o cenário para um fórum internacional, onde soluções para questões relacionadas a cultura, herança cultural, planejamento urbano e arquitetura sejam fortemente debatidas. A preparação dos homens e das mulheres que acolherão na sociedade de amanhã as missões decorrentes da nossa vocação não deve ser influenciada por métodos ultrapassados.

Estamos vivendo um ponto de virada na história da nossa civilização e avançando sobre o território da quarta revolução industrial e todos os seus rebatimentos. Os resultados são modos de existência, modos de vida que se expressam nas estruturas que surgem ou se adaptam para garantir o governo dos homens.

Imperativos que nos são impostos por uma situação demográfica explosiva, necessidades de subsistência e infraestrutura aparecem em escala mundial; aspirações ainda inatingíveis, clamando por soluções inovadoras e participação que assegure um maior número de concepções mais próximas de indicadores compatíveis com a necessidade da igualdade em nível local e global. Tendo à sua disposição meios de execução singularmente multiplicados, o arquiteto responsável por colocar o espaço em ordem, à luz desses eventos, deve considerar, em termos de hoje, “a arte de construir”.

Em nossa maneira de conceber ou dirigir métodos de implementação, temos o dever imperativo de evoluir para nos colocar em posição emérita entre os pensadores e criadores da ordem da cidade de amanhã. A proliferação e a magnitude dos problemas que exigem a nossa presença requerem qualificação.

Precisamos formar disciplinas e uma cultura geral mais forte a cada dia, com os novos conhecimentos mais abrangentes em todos os campos que temos e teremos que dominar para cumprir plenamente nosso papel, que terá que ir além da sua missão tradicional, ou seja, tornar-se de fato a referência da nova ordem arquitetônica da sociedade humana.

Estarmos juntos com os demais países na busca desses princípios orientadores, aproveitando suas ideias, experiências, bem como as suas pesquisas e reflexões, será a nossa praça da apoteose.


O arquiteto e urbanista Roberto Simon é vice-presidente da União Internacional dos Arquitetos para as Américas (Região 3)

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 447
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