Edison Musa e Jaci Hargreaves: Edifício São
Luís Gonzaga

Trinta anos de prancheta

O megaconjunto de escritórios, que foi desenhado pelos arquitetos Edison Musa e Jaci Hargreaves, está localizado na avenida Paulista, em São Paulo, no mesmo bloco onde funciona o tradicional Colégio São Luís, mantido pelos padres jesuítas. O tamanho e a localização do empreendimento e a necessidade de vultosos investimentos contribuíram para que, entre a primeira concepção e a conclusão das obras, transcorressem 30 anos. Nesse intervalo, os autores tiveram de providenciar várias atualizações técnicas nas instalações prediais e na sua arquitetura. Tanto é assim que o projeto passou por sete aprovações na prefeitura.

Trinta anos de prancheta
O megaconjunto de escritórios, que foi desenhado pelos arquitetos Edison Musa e Jaci Hargreaves, está localizado na avenida Paulista, em São Paulo, no mesmo bloco onde funciona o tradicional Colégio São Luís, mantido pelos padres jesuítas. O tamanho e a localização do empreendimento e a necessidade de vultosos investimentos contribuíram para que, entre a primeira concepção e a conclusão das obras, transcorressem 30 anos. Nesse intervalo, os autores tiveram de providenciar várias atualizações técnicas nas instalações prediais e na sua arquitetura. Tanto é assim que o projeto passou por sete aprovações na prefeitura.
O São Luís Gonzaga é um conjunto que impressiona tanto pela massa construída - uma das maiores da avenida Paulista (64 300 m2), ocupando praticamente toda a extensão da quadra - como pela linguagem da moda, expressa nos painéis de alumínio e no uso de vidros refletivos, destacando-se num entorno onde predominam construções mais antigas. Apesar dessas inovações, o megaedifício pode ser visto como o mais recente exemplar de um estilo que Musa e Hargreaves vêm seguindo, coerente e pragmaticamente, ao longo de sua vida profissional.
O desenho do edifício obedece a uma composição laminar de formato retangular, testada em projetos como o edifício Mercantil Finasa, no centro de São Paulo (PROJETO 171), contemporâneo da primeira concepção do São Luís Gonzaga; e o Centro Empresarial Internacional, no Rio de Janeiro (PROJETO 134), neste caso uma parceria entre Edison e seu irmão Edmundo Musa. Também existe certa correspondência com os edifícios Winston Churchill, localizado no número 807 da mesma avenida Paulista, e Monumento (esquina das avenidas Rebouças e Faria Lima), em São Paulo.
Externamente, o edifício mostra uma trama de figuras geométricas em forma de grelha, elaborada com revestimento metálico, que se junta à fachada de cortina de vidro, com laminados refletivos azuis de 10 mm. O revestimento metálico também foi adotado no coroamento e na marquise - esta, aliás, não executada como previsto na última versão do projeto (ela avançava para pavimentos mais altos), mudança que diluiu sua importância na composição. Na fachada principal, partindo do centro da edificação, as grelhas vão se afastando gradualmente até chegarem ao topo do conjunto. Nas laterais repete-se o desenho da grelha, porém de forma regular de alto a baixo. O uso desse elemento representa, igualmente, continuidade em relação a outros trabalhos dos arquitetos: um exemplo é o edifício Fujitsu, na rua 13 de Maio, 1633, em São Paulo, onde o revestimento foi feito com granito (aqui há também a participação de Edmundo Musa).
Quanto aos espaços internos, o São Luís Gonzaga é um edifício inteligente de última geração. São 22 pavimentos-tipo, cada um com cerca de 2 mil m2 (seguramente uma das maiores da capital). O reduzido número de pilares - em sua maioria dispostos na periferia do andar - facilita a organização de layouts, numa distribuição que permite acomodar quatro, dois ou um só conjunto em cada pavimento.
Um dos destaques da construção é o conjunto de elevadores de alta performance, com velocidade de 4m/s. São 17, dois deles ligando os subsolos de garagem e o térreo. Outro, de menor dimensão e com velocidade reduzida, percorre todos os andares e destina-se a situações emergenciais; nele, os bombeiros podem trafegar mesmo em caso de incêndio. Os 14 elevadores restantes, com cabines de grande dimensão, estão divididos em dois grupos (zonas alta e baixa), fórmula que permitirá atender à demanda de tráfego prevista.
O prédio possui também três subsolos destinados a garagens, térreo, mezanino para lojas e pilotis. Escadas pressurizadas, sistemas de prevenção de incêndio e central informatizada de controle predial fazem parte da infra-estrutura. Seu heliponto pode receber aparelhos de até cinco toneladas. O hall de entrada, imponente por sua grandiosidade, tem paredes revestidas com granito cinza-corumbá. Nos andares, sanitários e copas receberam piso de cerâmica e as paredes são de laminado melamínico. Para completar, o edifício ganhou cabeamento estruturado de fibra ótica; isso permite alta velocidade na transmissão de voz, texto, dados e imagens e possibilita a conexão de equipamentos de informática em curto espaço de tempo sem a necessidade de pontos preestabelecidos.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 244 Junho de 2000
O edifício São Luís Gonzaga ocupa praticamente toda a testada da quadra voltada para a avenida Paulista; ao lado só a igreja
Fachadas envidraçadas e grelhas revestidas com painéis de alumínio são os dois componentes de volumetria simples
Além da enorme massa construída, elementos atuais, em entorno dominado por construções de décadas anteriores, contribuem para destacar a torre
1. Entrada e hall dos elevadores; granito no piso e nas paredes transmite idéia de solidez e pujança
2. A marquise que acompanha a extensão frontal do edifício avança sobre boa parte do passeio de dimensões generosas
Do topo do edifício, que possuí coroamento trabalhado,
avista-se boa parte da cidade

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 244

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