FINESTRA

Glass Façades Day

Em sua segunda edição, o Glass Façades Day integrou o cronograma de atividades do mais importante evento bienal do setor vidreiro na América Latina, o Glass South America. De 9 a 12 de maio, a Feira Internacional de Design e Tecnologia em Vidro reuniu, no São Paulo Expo, 215 marcas expositoras e mais de 14 mil profissionais qualificados do setor em busca de novas tecnologias, fornecedores e networking.

O uso criativo e eficiente do vidro foi o tema do Glass Façades Day realizado no dia 10 de maio, na capital paulista, pela Ci & Lab, empresa especializada em projetos de vidros aplicados na construção civil, bem como na investigação e solução das patologias que podem acometê-los. A correalização foi da revista PROJETO e da Glass South America, e a organização, mais uma vez, ficou por conta da Ânggulo Comunicação Estratégica.

Seguindo a proposta, Denys Castilho, gerente de Produtos de Arquitetura da Guardian Glass, apresentou aos participantes do encontro um estudo de caso que prezou pelo resultado estético sem abrir mão da eficiência. Batizado de Casa do Deserto, o projeto residencial de 20 metros quadrados construído inteiramente em vidro - inclusive o teto - na cidade espanhola de Gorafe tinha como objetivo intervir o mínimo possível na inóspita paisagem e possibilitar ampla integração entre interior e exterior.

No entanto, para oferecer o máximo de conforto e isolamento aos moradores, em um local onde as temperaturas variam de 0 a 48 graus, foi preciso utilizar vidros de alta tecnologia. Erguida sobre estrutura de madeira, a residência projetada pelo escritório Ofis Architects recebeu esquadrias com vidro insulado triplo, com transmissão luminosa de 52% e fator solar de 25%, ou seja, que barra 75% do calor. A casa foi considerada autossuficiente por contar com painéis solares fotovoltaicos e sistemas de filtragem de água e produção de energia.

Também da Guardian Glass, Betânia Danelon, gerente de Especificação Técnica, abordou a aplicação criativa e eficiente do vidro de controle solar na realidade brasileira. O projeto apresentado foi o de um edifício comercial de sete pavimentos assinado por Ronaldo Rezende Arquitetura, em Porto Alegre. O desafio do projeto de fachadas foi permitir o desenho multifacetado e, ao mesmo tempo, proporcionar conforto térmico e luz natural adequada, minimizando o uso de ar condicionado e luz elétrica.

Foram aplicados vidros incolores com transmissão luminosa de 30%, fator solar de 36% e reflexão interna de 14%. Esses vidros contam com tecnologia que elimina os efeitos de distorção de cor e que não causa amarelamento após a laminação.

A fachada translúcida do Instituto Moreira Salles, inaugurado no ano passado na avenida Paulista, foi comentada por um dos autores do projeto de arquitetura, Vinicius Andrade - titular do Andrade Morettin Arquitetos ao lado de Marcelo Morettin. O objetivo era que a pele de vidro permitisse a conexão entre exterior e interior, a leitura volumétrica do edifício e, ao mesmo tempo, tivesse desempenhos térmico e acústico adequados ao programa de um museu de fotografia.

Vidros insulados triple low-e (importados da Europa) foram escolhidos para o envoltório com cerca de 6 mil metros quadrados de área, detalhado pelo escritório Front Inc., de Nova York, com participação de grande equipe multidisciplinar. Os amplos painéis de vidro chegaram ao local prontos para serem fixados na estrutura metálica.

Trazendo outra abordagem para o evento, Luis Capote, sócio do LoebCapote Arquitetura e Urbanismo, apresentou o projeto de revitalização do Centro Empresarial de São Paulo (Cenesp), localizado próximo à Marginal Pinheiros. O escritório foi responsável pela concepção e execução da obra do complexo com 350 mil metros quadrados de área construída (composto por sete edifícios, shopping, edifício belvedere e garagens), projetado na década de 1970 pelo arquiteto João Henrique Rocha.

Para a recuperação das fachadas (cerca de 80 mil metros quadrados de área), foi necessário um ano de obras - sem interromper o funcionamento do complexo - e a criação de uma fábrica no local para produzir os novos caixilhos: mais de 7.800 células unitizadas. Assim, os edifícios receberam cerca de 60 mil metros quadrados de fachadas compostas por vidro, ACM e venezianas.

Finalizando os painéis de arquitetura, Anibal Sabrosa, sócio do RAF Arquitetura, falou sobre o projeto do Aqwa, edifício com 220 mil metros quadrados de área construída na região do Porto Maravilha, Rio de Janeiro, concebido por Foster + Partners em parceria com seu escritório e mais de 30 colaboradores e projetistas. No ano passado, foi inaugurada a primeira das duas torres idênticas que compõem a volumetria (haverá uma praça entre elas).

Com 90 metros de altura, a edificação teve toda a fachada adaptada às inclinações da arquitetura, que remetem ao casco de uma embarcação. Foram utilizados 16.200 metros quadrados de vidros variados, com soluções distintas de fachada para o embasamento, corpo da torre (seis faces inclinadas entre terceiro e 21º andares, criadas a partir de estudos de insolação) e cobertura.

Outro projeto apresentado por Sabrosa, de autoria do RAF, foi um edifício de 27 metros de altura que acomodará instalações da rede Globo, localizado próximo à sede principal da empresa e à Lagoa Rodrigo de Freitas. A vedação possui quatro tipos de vidros de baixa refletividade, que criam diferentes composições: dois tons de cinza, azul e branco opaco. Já no térreo, a opção foi pelo vidro incolor para gerar permeabilidade.

Em debate após as palestras mediado por Fernando Mungioli, publisher da PROJETO, os arquitetos Luis Capote e Anibal Sabrosa destacaram que, além da busca por aliar criatividade e eficiência nos projetos de fachada, é preciso lidar com a variável orçamento, sempre visando tornar a obra viável financeiramente. Por isso também a importância de estudos que comprovem o custo-benefício do projeto para o cliente.

Daniel Domingos, gerente comercial para a América Latina da Eastman, palestrou sobre o vidro e suas infinitas possibilidades, compartilhando o projeto de um shopping center em Malmö, Suécia, de autoria do escritório Wingårdh arkitektkonto. As duas entradas principais do empreendimento são destacadas por faces curvas, que contam com 2.500 metros quadrados de vidro cada. Suas cores vibrantes, mas sem perder a transparência, foram permitidas pelo uso de polivinil butiral (PVB).

Para se ter uma ideia da irreverência de seu envoltório, foram criados mais de 500 moldes e aplicados, ao todo, 817 vidros curvados, sendo o maior com 3.571 x 2.718 milímetros. Além do benefício estético, Domingos ressaltou que o PVB também tem propriedades de controle solar e acústico.

Em seguida, Ricardo Grassia, gerente de Suprimentos e Assistência da Método Engenharia, descreveu as principais patologias que acometem as fachadas envidraçadas, como solucionar esses problemas e a importância de fornecer feedback para a cadeia de produção (projeto /fabricação/ montagem). Já Mariana Guedes, gerente de Engenharia BIM da mesma empresa, ressaltou a urgência de as empresas começarem a trabalhar com soluções integradas em projetos de fachadas, visando sanar problemas antes da fabricação desse que é um dos itens mais caros de um empreendimento.

Com a criação do modelo BIM, de acordo com ela, é possível ter uma base de dados integrada, com interface entre todas as disciplinas envolvidas, desde propostas, orçamentos, coordenação de projetos, planejamento, obra e pós-obra. Mariana também destacou, entre outras questões, a importância da participação da cadeia de fornecedores no processo.

O diretor técnico da QMD Consultoria, Igor Alvim, realizou palestra sobre as patologias que podem acometer os sistemas de fachadas de vidro, destacando a importância de sua correta especificação. Antes de tudo, segundo ele, é preciso garantir o cumprimento das normas técnicas e a efetiva participação dos fabricantes nesse sentido.

Por fim, o presidente da ProAcústica e diretor da Atenua Som, Edson de Moraes, palestrou sobre o desempenho acústico das fachadas verticais com vidro. Ele falou sobre os cinco passos para a redução do ruído com uso do vidro duplo: assimetria, aumento de espessura, aumento da distância, uso de laminado acústico e inclinação. Em seguida, questionou sobre como obter essa diminuição considerando o conjunto da esquadria e apresentou exemplos de soluções totalmente inadequadas.

Também comentou um estudo da Atenua Som feito em 27 instalações, com 54 painéis de vidros, onde foi comparada a relação entre espessura do vidro e tipo de caixilho para apontar o melhor custo-benefício. 



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 443
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