GMP, Gustavo Penna e SBP: Mineirão, Belo Horizonte

Intervenção valoriza função iconográfica de bem tombado

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Intervenção valoriza função iconográfica de bem tombado
A capacidade para 100 mil pessoas fez dele o segundo maior do país, atrás apenas do Maracanã. Localizado às margens da lagoa da Pampulha, o principal ponto turístico da capital mineira, ele compõe, juntamente com o Mineirinho e as obras de Oscar Niemeyer, o complexo arquitetônico da Pampulha. O estádio, que já sofreu reformas em seus mais de 40 anos de existência, passará por novas intervenções, que visam sua modernização e o atendimento aos requerimentos da Fifa para a Copa.

O projeto está sendo desenvolvido por Gustavo Penna Arquiteto & Associados juntamente com os escritórios alemães Von Gerkan, Marg und Partners - GMP, de Berlim, e Schlaich, Bergermann und Partners - SBP, de Stuttgart. Após a conclusão das obras, o novo Mineirão terá capacidade para quase 67 mil espectadores e, adaptado aos padrões da Fifa, poderá sediar jogos internacionais, incluindo a abertura e a final da Copa do Mundo.

GMP e SBP respondem pela modernização das áreas internas do Mineirão, incluindo a nova cobertura. Gustavo Penna e equipe atuam especialmente no projeto para o entorno, a fim de garantir acessos rápidos e seguros, além de consolidar a função iconográfica do equipamento. “O Mineirão é um patrimônio tombado e estamos evitando a verticalização no seu entorno. Todas as intervenções nas fachadas serão minimizadas e as principais vistas serão mantidas e potencializadas na paisagem”, explica Penna (EAU/UFMG, 1973).

Para dar unidade ao complexo, a proposta tira partido do desnível no entorno do estádio e amplia a praça existente, ocupando áreas adjacentes e estabelecendo uma grande esplanada que proporcionará vista panorâmica da lagoa e do conjunto arquitetônico assinado por Niemeyer.

Responsável pelo acesso ao estádio e pela interligação com o Mineirinho, a praça terá bilheterias e controles de acesso em extremos opostos. Sob essa laje, estão previstos espaços demandados pela Fifa, tais como estacionamentos, acessos vips, lojas e áreas de apoio. Ao redor ainda serão criados estacionamentos cobertos para o público.

No interior do estádio, as modificações começam pelo rebaixamento do campo em 3,5 metros e pela demolição da tribuna inferior, abrindo espaço para novas arquibancadas inferior e central, com melhores condições de visibilidade. “A ideia é usar concreto pré-fabricado na nova tribuna para reduzir os problemas de vibração existentes”, detalha Penna. “As arquibancadas inferiores vão se aproximar do campo e a cobertura acompanhará o novo desenho da tribuna, que terá o contorno de um retângulo ovalado”, detalha o representante do escritório GMP no Brasil, arquiteto Ralf Amann (Universidade de Stuttgart, 1997).

Essa cobertura será leve e translúcida, formada por anel de tensão e cabos de aço suspensos por um sistema estrutural independente, que não provocará nenhuma interferência na volumetria do estádio. “Externamente não se notarão essas intervenções, somente alguns pilares metálicos poderão ser vistos pelos vãos da fachada”, esclarece Amann. O material de fechamento ainda não está definido, mas uma das opções é o PVC, devido a sua leveza. “A nova cobertura criará uma grande área de penumbra no campo, melhorando a qualidade das transmissões televisivas”, detalha Penna. Outro cuidado no interior diz respeito aos fluxos internos. “Um estádio em anel precisa de boa referenciação, sempre com perspectiva do campo. Um prédio legível com fluxos simplificados faz depender menos da comunicação visual, pois a própria arquitetura já garante maior fruição do espaço”, explica o arquiteto mineiro.

O projeto contempla a acessibilidade universal e pleiteia a certificação Leed de sustentabilidade. Entre os itens previstos estão sistemas para reaproveitamento das águas pluviais, iluminação e ventilação naturais, resfriamento geotérmico, recursos de eficiência energética e controles inteligentes. Após a Copa, as demandas da Fifa resultariam em um conjunto superdimensionado para o dia a dia. Por isso também está prevista a possibilidade de transformar as grandes áreas em equipamentos esportivos de menor escala, abertos a múltiplas atividades, que servirão como ponto de convergência e referência da população.

O ginásio Mineirinho, onde durante a Copa funcionarão o centro de imprensa e áreas de hospitalidade para patrocinadores, não é abrangido pelo projeto. “Estamos fazendo somente intervenções externas, como a passarela sobre a avenida para simplificar o acesso, áreas de alimentação e conveniência no entorno”, explica Penna. A equipe do GMP é liderada por Volkwin Marg (Universidade Carolo-Wilhelmina em Braunschweig, 1964), Hubert Nienhoff (Universidade Aachen RWTH, 1985) e Martin Glass (Universidade de Ciências Aplicadas Kaiserslautern, 1999).


Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 357 Novembro de 2009

Texto de Nanci Corbioli| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 357
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