Luiz Paulo Andrade Arquitetos: Espaço de trabalho colaborativo, São Paulo

Impacto visual no coworking

As instalações do Impact Hub em São Paulo ficam na rua Doutor Virgílio de Carvalho pinto, em Pinheiros, zona oeste da capital. A intervenção nos dois primeiros andares de dois edifícios cujas frentes voltam-se para a rua Teodoro Sampaio, na cota superior, foi norteada pelo projeto do escritório Luiz Paulo Andrade Arquitetos. Unificar os pisos e oferecer o máximo de flexibilidade foram contribuições da arquitetura ao espaço compartilhado de trabalho

Fundado em 2005, em Islington, bairro da zona norte de Londres, por um grupo de amigos que se juntou com a ideia de criar um espaço de trabalho colaborativo para pessoas interessadas em mudar o mundo (a definição é da própria organização), o Impact Hub tornou-se, em poucos anos, uma rede global. Em São Paulo, a unidade pioneira (a segunda no mundo naquela época) foi aberta em 2008, na rua Bela Cintra. A expansão das atividades e a ampliação das competências levou à inauguração de outro Impact Hub, dessa vez na vila Madalena, zona oeste da capital.

Os gestores estavam em busca de um espaço de maior dimensão para abrigar a sede da organização quando Bárbara Stutz - na equipe desde 2008 e hoje sócia-diretora na área administrativa e operações - “descobriu”, num trecho sem saída da rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, um imóvel que considerou apto à função, embora fosse necessário reconfigurá-lo radicalmente. Para reformular o conjunto (onde antes existia uma empresa de confecções e, em tempos mais remotos, funcionou um entreposto de batatas), Bárbara convidou o escritório do arquiteto Luiz Paulo Andrade.

O acesso se dá por um estreito corredor que, partindo da rua, abre-se em uma ampla área não edificada (o antigo estacionamento) para onde está voltada a entrada do conjunto. O projeto de Andrade prevê a transformação desse vazio em uma praça multiúso com áreas para estacionamento de bicicletas, espaços livres, equipamentos para captação de energia solar e uma construção na forma de tubo para receber eventos e palestras. As empenas das construções vizinhas receberão pinturas grafitadas. No entanto, as obras da praça ainda não foram iniciadas.

Embora conte atualmente com unidades em todo o mundo, não existe um modelo ou padronização dos espaços Impact Hub, explica Andrade. Assim, cada campus tem sua personalidade e perfil. No caso da nova sede paulistana, foram consideradas as aspirações dos principais ocupantes da sede anterior. Desprovidos de documentação sobre a construção existente, os arquitetos ordenaram a remoção das compartimentações, dos forros, revestimentos e interferências de toda ordem, até chegarem à estrutura.

A partir de então, a arquitetura pôde determinar, por exemplo, como seriam dispostas as aberturas na fachada interna, voltada para a futura praça, necessárias para levar iluminação natural até onde fosse possível, uma vez que a construção é relativamente profunda. São os vãos dessas esquadrias (feitas com chapas de aço pintadas) que dão identidade à edificação e que, somados ao revestimento de massa de cimento, assinalam externamente a intervenção.

Na parte interna, foram realizadas duas transformações de maior envergadura: a unificação dos pisos das duas construções - o engenheiro Eduardo Duprat autorizou a retirada da parte superficial das lajes até as armações, reforçando as ferragens para uma nova camada de concretagem -, e o remanejamento da escada que conecta os pavimentos. O tom de concreto acinzentado presente na fachada foi adotado também no acabamento interno. Forros em gesso acartonado em diferentes formatos, nas cores azul, amarelo e vermelho, mais sugerem que demarcam ambientes e dissimulam as instalações aparentes.

Na distribuição espacial, o projeto ocupou o andar térreo com as áreas destinadas a palestras, reuniões, eventos e lounge, além de contar com cerca de um terço do espaço ocupado por postos de coworkings. Já no piso superior, além dos coworkings, ficam os escritórios semiprivados (Masisa, Votorantim Cimentos, Nissan são corporações que possuem equipes no local). Em um espaço onde a informalidade prevalece, Andrade compara o projeto a um campus universitário, o que é, sem dúvida, impactante. 

  
Luiz Paulo Andrade Arquitetos
Luiz Paulo Andrade formou-se em 1997 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU/Mackenzie). Embora trabalhe com arquitetura há quase duas décadas, o escritório que leva seu nome foi constituído em 2016. Lucilla Mesquita (FAU/ Mackenzie, 2008), coautora do Impact Hub, integra a equipe do estúdio.



Ficha Técnica

Impact Hub
Local São Paulo
Início do projeto 2016
Conclusão da obra 2016
Área de intervenção 1200 m² + 600 m² (praça)
Arquitetura, interiores e luminotécnica Luiz Paulo Andrade Arquitetos - Luiz Paulo Andrade (autor); Lucilla Mesquita (coautora)
Elétrica e hidráulica Ramoska & Castellani
Ar condicionado Aris Soluções, Mitsidi (assessoria)
Estrutura Benedicts Engenharia - Eduardo Duprat
Construção Foz Engenharia
Fotos Leonardo Finotti

Fornecedores

Masisa (Divisórias/MDF)
Coelho Metal (esquadrias)
Inovar Esquadrias (janelas)
Ourolux (lâmpadas)
JMC Elétrica (luminárias)
Metro Cenografia (carpintaria)
CK (divisórias sanitárias)
Caf Serralheria (moldura das janelas)
Votorantim (cimento)
Contexto (marcenaria)
Flexform (cadeiras)
Tok Stok, Lot of Brasil, Decamerom (mobiliário)
Deca, Tramontina (louças e metais)
Elart (vidros)
Suvinil (tintas)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 442
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