Ruy Ohtake : Torre Pedroso
de Moraes

A ousadia possível (e necessária)

A ousadia possível (e necessária)
O desenho inusitado - um trapézio invertido, apoiado nas laterais por pilares escultóricos - assinala com impacto a presença da edificação em região onde
a paisagem urbana passa por acelerada mudança.

Na obra, Ruy Ohtake reafirma sua corajosa trajetória recente, na qual tem procurado explorar formas não convencionais e desenhos originais - com todos
os riscos que essa opção origina. Assim, o projeto já coleciona admiradores confessos e críticos. Prova disso, a torre Pedroso de Moraes já ganhou apelido: Palácio da Carambola - referência à forma escultórica dos pilares nas laterais do edifício.

A torre é o primeiro bloco concluído do complexo. Além do térreo, tem seis pavimentos com quatro dimensões diferentes, que crescem nos andares mais altos. Essa variação decorre do desenho em forma de trapézio invertido. De acordo com o autor, os volumes nas extremidades dos pavimentos demonstram a possibilidade de se ter equilíbrio dentro do desequilíbrio. A fachada principal é constituída por placas de vidro escuro, interrompidas por frisas horizontais de tonalidade mais clara à altura da laje de cada pavimento.

O Ohtake Cultural foi desenvolvido para o Grupo Aché, para o qual, ao longo de mais de 30 anos,
o autor projetou todos os prédios do complexo industrial (o mais recente deles publicado em PROJETODESIGN 221, junho de 1998).
Do vínculo de amizade entre a família do arquiteto e os proprietários do laboratório prosperou a idéia de inserir no conjunto o Instituto Cultural Tomie Ohtake, homenagem a uma das mais importantes artistas plásticas contemporâneas e mãe de Ruy.

No conjunto em construção estão presentes elementos que se impõem na paisagem urbana pela originalidade das formas, pela ousadia do desenho e, no caso da torre mais alta, pelo uso em escala monumental de vidros no inusual tom magenta.

O lote possui frentes nas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Pedroso de Moraes, para onde se voltam as entradas dos edifícios de escritórios. Essas duas artérias conectam-se por uma pequena rua, na qual uma pequena praça serve como acesso ao instituto, ao teatro e ao centro de convenções.

Segundo Ruy Ohtake, o processo urbano que gerou novas centralidades nas grandes metrópoles, exige que complexos do porte do Ohtake Cultural contemplem múltiplos usos e propiciem a convivência mais rica entre trabalho, lazer e cultura. Escritórios, teatro, espaço de exposições, centro de convenções e restaurantes interagem e ampliam a dinâmica do conjunto.

No desenho das torres, Ohtake explica que trabalhou com dois desenhos diferentes entre si, procurando um diálogo não óbvio: enquanto na Pedroso de Moraes predomina o desenho ortogonal e direto, na Faria Lima ele se estrutura com base em linhas curvas.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 259 Setembro de 2001
O acesso à torre: túnel curto de forma oval
Pilar escultórico sobre o qual se "apóiam" os dois últimos pavimentos da construção: desenho de Tomie Ohtake
O primeiro edifício do conjunto Ohtake Cultural
destaca-se no entorno pelo desenho ousado
Detalhe do acesso

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 259
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