Metro Arquitetos Associados: Expografia da 30ª Bienal de Arte de São Paulo

Arte na pequena cidade cenográfica

A cenografia da bienal de São Paulo leva a assinatura da equipe do escritório Metro Arquitetos Associados. Martin Corullon, que liderou o processo em sintonia com a natureza colaborativa desta edição do evento (curadoria, identidade visual e arquitetura criadas a várias mãos e em estreita conexão entre si), assinala que os princípios norteadores do projeto foram a racionalidade produtiva e a cuidadosa relação figura/fundo dos suportes expositivos com o prédio da bienal.

Fichas técnicas
Exceto pelos grafismos em amarelo, a volumetria variada do projeto é suavizada pela pintura branca
Exceto pelos grafismos em amarelo, a volumetria variada do projeto é suavizada pela pintura branca
Arte na pequena cidade cenográfica
A cenografia da bienal de São Paulo leva a assinatura da equipe do escritório Metro Arquitetos Associados. Martin Corullon, que liderou o processo em sintonia com a natureza colaborativa desta edição do evento (curadoria, identidade visual e arquitetura criadas a várias mãos e em estreita conexão entre si), assinala que os princípios norteadores do projeto foram a racionalidade produtiva e a cuidadosa relação figura/fundo dos suportes expositivos com o prédio da bienal.

Visão desimpedida dos interiores - raramente os painéis tocam o teto - e afastamento do aparato cenográfico em relação às fachadas envidraçadas e à estrutura de concreto são os ingredientes de um projeto expositivo ao mesmo tempo sutil (com exceção de alguns grafismos na cor amarela, predomina a pintura branca) e hábil em criar enquadramentos da paisagem circundante (o verde do parque Ibirapuera), coordenados à volumetria que sinaliza a densidade do evento.

Há um tal número de pequenos objetos expostos, bem como grande quantidade de projeções audiovisuais a demandar salas reservadas, que boa parte do trabalho dos arquitetos foi tornar belo e compreensivel o provável caos do percurso pela bienal.

Uma só largura do painel (1,85 metro, a disponível para comercialização) utilizado e suas quatro alturas diferentes dão conta da espacialização do layout expositivo.

A disposição das obras foi criada a muitas mãos, com a arquitetura fornecendo os instrumentos para a ação da curadoria (obra a obra, pensada em termos de sua posição no espaço do edifício) e para a tridimensionalização da identidade visual fragmentária desta bienal, inspirada na ideia de constelações.

De plantas baixas pavimentadas com uma série de post-its indicativos das obras de arte à maquete já com paredes levantadas, o trabalho foi evoluindo em direção ao partido também fragmentário da arquitetura.

Fases de desenvolvimento do projeto desde a disposição preliminar das obras até a maquete volumétrica
Fases de desenvolvimento do projeto desde a disposição preliminar das obras até a maquete volumétrica
Descoladas das fachadas, as salas expositivas têm alturas distintas, de 2,60 a 4,60 metros
Descoladas das fachadas, as salas expositivas têm alturas distintas, de 2,60 a 4,60 metros
Partidos expositivos tradicionais combinados na cenografia da bienal
Partidos expositivos tradicionais combinados na cenografia da bienal

Corullon contextualiza três possíveis formas expositivas que estão amalgamadas em seu projeto. A enfilade, na qual (como no Louvre, em Paris) a distribuição de salas abertas é ordenada por um eixo central de circulação; a sequência de galerias ou salas individuais (como no Tate, em Londres); e o ambiente integrado onde painéis contínuos setorizam os núcleos da mostra, a exemplo do que ocorre na galeria Neue, de Berlim.

Um pouco de cada partido está presente na cenografia da bienal paulistana, convivendo a profundidade do espaço aberto com a densidade de salas de tamanhos e alturas variados.

A sensação é a de se percorrer uma pequena cidade cenográfica, com gabaritos distintos animando o percurso do visitante, mais densamente ocupada conforme se caminha em direção ao terceiro pavimento.

Um simples recurso de projeto faz a diferença na dinâmica visual do espaço: há desencontros entre as alturas dos fechamentos internos e externos das salas, assim como entre a estrutura exposta ou oculta dos painéis, como se surgissem fachadas dentro da bienal.

No total, foram criados 17 mil metros quadrados de superfícies expositivas, dos quais 10 mil reaproveitados da bienal anterior, realizada em 2010. A equipe de criadores já estava a postos na época, atenta ao reúso de material.


Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 392 Outubro de 2012

Martin CorullonGustavo Cedroni Martin Corullon formou-se pela FAU/USP em 2000, ano em que fundou o escritório Metro Arquitetos Associados. Desde 1994 é colaborador frequente do arquiteto Paulo Mendes da Rocha. Gustavo Cedroni (Faap, 2000) colabora com Metro Arquitetos Associados desde 2002, tendo se tornado sócio do estúdio em 2005
30ª Bienal de São Paulo
30ª Bienal de São Paulo
Exemplo das diversas alturas de vedação e suportes expositivos
Exemplo das diversas alturas de vedação e suportes expositivos
Enquadramentos valorizam a arquitetura e a paisagem envoltória
Enquadramentos valorizam a arquitetura e a paisagem envoltória
Croqui do 3º pavimento
Croqui do 3º pavimento
Croqui e planta do 3º pavimento, onde há maior densidade de salas expositivas
Croqui e planta do 3º pavimento, onde há maior densidade de salas expositivas

Texto de Nanci Corbioli| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 392
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