LD Studio: Teatro Municipal, Rio de Janeiro

Iluminação devolve
glamour ao Municipal

O brilho cristalino do lustre que adorna a sala de espetáculos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro arremata o projeto de modernização luminotécnica conduzido por Mônica Lobo

A experiente lighting designer, titular do LD Studio, desde 2009 andava às voltas com a intrincada tarefa de tornar eficiente o princípio de iluminação difusa e decorativa, pontual, característico da ambiência suntuosa da centenária instituição carioca.

As 180 lâmpadas incandescentes do lustre de cristal foram substituídas por halógenas com bulbo de incandescente que, embora de potência similar (da ordem de 40 watts), têm 50% a mais de fluxo luminoso (630 lumens) e vida útil maior (2 mil horas contra 750).

A delicadeza dessa intervenção respeitosa foi a tônica do projeto de iluminação do LD Studio - que acaba de comemorar a marca de mil projetos desenvolvidos - para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

A prioridade da proposta foi a manutenção e o restauro das luminárias - pendentes, arandelas e abajures -, simultaneamente à melhora geral do desempenho luminotécnico.

Houve a substituição completa das lâmpadas, a criação de cenários de luz através da dimerização dos equipamentos, a individualização dos circuitos e, caso a caso, a inserção de pequenos refletores ocultos no corpo das antigas peças.

“O teatro estava apagado, triste. O estado de conservação das luminárias era ruim e faltava cuidado nas áreas com pinturas especiais, como o foyer do balcão nobre”, salienta Mônica Lobo, titular do LD.

Inserido no processo global de revitalização e modernização das instalações do Municipal, o projeto luminotécnico foi conceitualmente setorizado em três áreas de intervenção: a sala de espetáculos, os foyers e espaços de estar e circulação pública, e, por último, as laterais de apoio e serviços.

Em cada uma delas, mantendo o princípio de banimento das incandescentes tradicionais, foram criadas soluções especiais que deram vida e tornaram eficazes as luminárias existentes.

Na primeira área, o restauro do grande lustre foi acompanhado pela revitalização de plafons, arandelas e balizadores decorativos, inseridos em meio aos relevos floreados do guarda-corpo de madeira.

As incandescentes do tipo bolinha deram lugar a leds que simulam, com seu falso filamento de acrílico, a aparência das antigas lâmpadas da borda arredondada da plateia, de modo a ajustar a ambiência antiga à modernização luminotécnica.

Já o foyer do balcão nobre, no andar superior do teatro, teve tratamento refinado. A ideia foi, simultaneamente, valorizar a pintura da abóbada, aumentar a luminosidade geral e garantir a translucidez das portas de vitral da fachada, para o que colaborou a existência das rebuscadas sancas ou cimalhas sobre os pilares de mármore.

Acima delas foram intercalados projetores com lâmpadas de natureza e geometrias variadas, desde CDM-R com 40 graus de abertura (para a iluminação dos vitrais), dicroicas de 36 ou dez graus (iluminando a base da abóbada), AR 111 (direcionadas ao topo da abóbada) até o sistema linear de xenon de cinco watts. O resultado é uma iluminação sem sombras e com ênfase na pintura do teto.

No salão e na escadaria central do térreo, priorizou-se a inserção de refletores ocultos nos abajures em forma de cacho e gota, para otimizar a iluminação geral dos ambientes de acesso e circulação.

A iluminação da fachada foi a última parte do projeto a ser executada e contou com a parceria do cineasta e diretor de fotografia Breno Silveira. A proposta foi criar um sistema homogêneo de luz que garantisse um sutil destaque para pontos principais da arquitetura, como a escadaria e o frontão.

Para isso, uma edificação vizinha serviu de base para a fixação de dois projetores de facho médio destinados à chamada luz de preenchimento, similares aqueles utilizados em estádios de futebol, enquanto os postes frontais da iluminação pública passaram a abrigar projetores de facho fechado (18 no total), responsáveis pela iluminação pontual dos elementos citados anteriormente.


Mônica Lobo

Mônica Lobo, arquiteta formada pela Universidade Santa Úrsula em 1987, é titular do escritório LD Studio, especializado em projetos luminotécnicos

Ficha Técnica

Teatro Municipal
Local Rio de Janeiro, RJ
Início do projeto 2010
Conclusão da obra 2011
Luminotécnica LD Studio - Mônica Luz Lobo (autora); Caroline Reis e Pedro Tessarollo (colaboradores); Breno Silveira e Gabriel Vinagre (iluminação da fachada)
Arquitetura (projeto de requalificação) Francisco Eduardo Hue Escritório de Arquitetura - Francisco Eduardo Hue e Thomaz Hue (autores)
Gerenciamento Quorum Rio
Fotos Andrés Otero

Fornecedores

Lumini, Omega, Optiled (luminárias);
Osram, Philips (lâmpadas);
Cineplast (cenografia)

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 379
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