Memorial da América Latina: Recuperação do conjunto arquitetônico

Sem verde, primavera reabre portão e traz novas luzes ao memorial

Antes da inauguração oficial, no início de outubro, do auditório projetado por Oscar Niemeyer para o parque Ibirapuera, outra importante obra dele na capital paulista recebeu polimento. No dia 23 de setembro, início da estação das flores, foi reaberta a entrada principal do Memorial da América Latina, fechada havia mais de dez anos e idealizada pelo arquiteto para integrar-se à estação Barra Funda do metrô.

Sem verde, primavera reabre portão e traz novas luzes ao memorial
Antes da inauguração oficial, no início de outubro, do auditório projetado por Oscar Niemeyer para o parque Ibirapuera, outra importante obra dele na capital paulista recebeu polimento. No dia 23 de setembro, início da estação das flores, foi reaberta a entrada principal do Memorial da América Latina, fechada havia mais de dez anos e idealizada pelo arquiteto para integrar-se à estação Barra Funda do metrô.
A direção da Fundação Memorial da América Latina considera esse o primeiro passo da empreitada que dará início à recuperação do conjunto arquitetônico ali implantado e à modernização de seus equipamentos. E chamou-a, de forma simbólica, de Primavera no Memorial. Além da reabertura do acesso junto à estação, as obras incluíram a renovação e a ampliação do sistema de iluminação da esplanada, das fachadas dos edifícios, do portão de acesso e da passarela que conecta as duas partes do espaço, transpondo a via pública. Foi também reinaugurado o Pavilhão da Criatividade, em reforma havia nove meses.
Além do caráter funcional, a nova iluminação, com lâmpadas de vapor de sódio, buscou também um efeito cênico que procura valorizar a arquitetura dos edifícios projetados por Niemeyer. As bandeiras das nações latino-americanas, desfraldadas ao longo do perímetro na lateral do acesso, também foram destacadas pela luminotécnica. Despertar sensações inesperadas e permitir leituras inéditas em espaços existentes é uma das funções da iluminação, como mostram outros trabalhos publicados nesta edição, dois deles, coincidentemente, em obras de Niemeyer.
O Memorial da América Latina, também objeto de intervenção luminotécnica, foi inaugurado em março de 1989 e publicado na revista PROJETO 120, em abril daquele mesmo ano. Publicado, analisado e criticado, como mostra trecho do artigo "Descubra os sete erros", de autoria de Ruth Verde Zein, naquele número: "(...) em suas duas obras mais recentes em São Paulo - o projeto Parque do Tietê e o Memorial da América Latina -, infelizmente Niemeyer está sozinho, muito embora possa estar bem acompanhado pelos seus colaboradores. Mas é visível e patente a frouxidão das concepções urbanísticas de ambos os projetos", ela afirmava.
Não se sabe se por esse motivo, mas, ainda hoje, a população paulistana não possui uma relação afetuosa com o memorial. É fato, porém, que a ausência de áreas mais densas de vegetação torna inóspita a permanência no local. Talvez nas verbas (1,479 milhão de reais) destinadas pelo governo estadual à manutenção e à reforma de outros prédios e de áreas externas do conjunto se possa reservar uma parcela para resolver a carência de espaços verdes. Essa seria uma maneira de o atual processo de recuperação fazer jus ao nome Primavera no Memorial.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 309 Novembro de 2005
O memorial na época de sua inauguração:
revista apontava a aridez de seus grandes cimentados
O Memorial da América Latina ganhou nova iluminação. Cênica e funcional, ela procura destacar a arquitetura de Niemeyer

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 309

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