Painéis para fechamento de fachadas

Pré-moldados

Versáteis, painéis conquistam mercado
Com o mercado em expansão e a garantia de uma obra limpa, rápida e sem desperdício, os pré-fabricados para o fechamento de fachadas vêm conquistando novos segmentos da construção civil, já sendo especificados para edifícios comerciais, shopping centers e construções hospitalares, em substituição a soluções tradicionais.
O ritmo de crescimento da construção civil vem sendo acompanhado pelo setor de pré-fabricados de concreto. Até o final de 2008, algumas fábricas já operavam no limite de sua capacidade e as empresas programavam ampliação de instalações ou expansão para outras regiões do país. Nos últimos anos, o setor cresceu cerca de 10% e previa fechar 2008 acima dos 15%. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), Paulo Sérgio Teixeira Cordeiro, esse movimento só não é maior por causa da baixa mecanização dos canteiros. "Tanto na Europa como nos Estados Unidos, mesmo em obras pequenas há gruas disponíveis", ele compara, acrescentando que, com o aquecimento recente na construção civil, a produção de pré-fabricados também começa a sentir falta de mão-de-obra. "Se o crescimento continuar, certamente a tendência será mecanizar ainda mais os canteiros, a exemplo de outros países", antevê Cordeiro. A entidade reúne 79 associados, dos quais 40 são fabricantes.

Para aprimorar o desenvolvimento tecnológico da indústria de painéis arquitetônicos e dar conta das exigências cada vez maiores do mercado, a Abcic vem firmando parcerias com entidades internacionais, como o Precast Concrete Institute (PCI/EUA) e a Federátion Internationalle du Beton (FIB). A Abcic também atua com a British Precast Association (Inglaterra) e o Canadian Precast Concrete Institute (CPCI). O processo de aproximação com o PCI/EUA deverá ser concluído até o início do próximo ano. "Estar alinhado com as tendências internacionais contribui para aprimorar nossas pesquisas, fornecer subsídios para os comitês técnicos e discutir aspectos importantes das normas", explica o presidente da Abcic. Cordeiro informa que no ano passado um grupo de associados visitou a Europa para conhecer fábricas e manter contato com profissionais internacionais. "Reunimos o material referente à sustentabilidade em comitês já estruturados por essas entidades e vamos verificar o que podemos agregar aos nossos trabalhos", acrescenta.
Obras com painéis da Gail na europa: canteiro 100% mecanizado
"O Selo de Excelência Abcic é um programa evolutivo que leva em consideração não somente a qualidade, mas também a segurança do trabalho e o meio ambiente, agregando conceitos das normas técnicas aplicáveis aos produtos, além das ISOs 9.001 e 14.001", destaca Cordeiro. Ele admite que ainda há muito a fazer, mas a entidade acompanha de perto o trabalho de organismos internacionais, visando estabelecer, também, um comitê de sustentabilidade. Para ampliar os quesitos de durabilidade dos pré-fabricados de concreto e evitar patologias nas interfaces com outros sistemas construtivos, a Abcic criou um comitê específico para avaliar a necessidade de melhoria contínua das normas técnicas correlacionadas ao setor. Na revisão da NBR 9.062, concluída em dezembro de 2006, por exemplo, foram definidos, entre outros parâmetros, a melhor utilização dos softwares de cálculo, o controle de qualidade e a ampliação de tolerâncias dimensionais para produção e montagem dos elementos. Houve, ainda, melhora na utilização de alças e sistemas de içamento, visando oferecer maior segurança à movimentação e ao transporte dos painéis.

"Os arquitetos que conhecem os sistemas não têm restrição ao uso; ao contrário, as soluções industrializadas têm sido cada vez mais procuradas, por serem economicamente viáveis e atenderem a cronogramas cada vez mais rígidos, respeitando a liberdade arquitetônica, a criatividade e a plasticidade", argumenta Cordeiro. Segundo ele, já ficou para trás a época em que a utilização de elementos pré-fabricados era associada a obras sem padrão de estética, destinadas somente a galpões ou estruturas do tipo caixote. O presidente da Abcic destaca que, quando uma obra já é concebida para utilizar pré-fabricados, o projeto pode tirar o máximo proveito do potencial que eles oferecem. "Essa avaliação prévia passa pelo sistema estrutural a ser definido e terá dois aspectos fundamentais a considerar: a modulação e as ligações a serem adotadas", explica. Uma das diferenças entre as estruturas convencionais e as pré-moldadas são os elementos de ligação (viga-pilar, pilar-pilar etc.); há casos em que a viabilidade abarca soluções mistas, compondo o pré-fabricado com o moldado in loco ou outros sistemas construtivos. "Essa interface é perfeitamente viável, devido à grande flexibilidade dos elementos pré-fabricados de concreto", acentua Cordeiro.

CERÂMICA EXTRUDADA
Apesar da expectativa, para 2009, de desaceleração econômica e compressão de margens no setor da construção, o presidente da Gail, Fernando Veiga Prata, diz que vislumbra um excepcional potencial para soluções inovadoras, como o KeraGail, um sistema com cerâmica extrudada indicado para fachadas-cortinas ventiladas. No formato 120 x 40 centímetros, o mais utilizado, tem-se, segundo a Gail, a melhor relação custo/benefício, embora existam painéis com outras dimensões.

Já consolidado em países europeus, o sistema de fachadas ventiladas com painéis extrudados utiliza processo de extrusão, que permite a conformação de ranhuras na placa cerâmica, necessárias para a fixação, além de permitir o uso de vazados, que diminuem o peso próprio das peças. Com 18 milímetros de espessura, esse painel extrudado é o mais leve do mercado, sendo que todo o conjunto pesa apenas 32 kg/m.

Segundo João Paulo Ulrich de Alencastro, gerente de Negócios da Gail, o KeraGail utiliza para fixação uma subestrutura de alumínio normatizada, ao contrário dos sistemas tradicionais, em que o revestimento externo adere à alvenaria. Isso dispensa qualquer tipo de corte ou furo que possa enfraquecer a placa cerâmica, garantindo a estabilidade e segurança do sistema. A empresa comercializa o KeraGail com placas naturais e esmaltadas, com a possibilidade de desenvolver uma centena de cores sob encomenda. Os painéis são produzidos na Alemanha e a subestrutura de alumínio, no Brasil.

VELOCIDADE DAS OBRAS
Nos últimos anos, o interesse pelos painéis arquitetônicos também vem aumentando na Munte, conforme atesta o número de consultas à área comercial. Segundo Railton A. Carvalho, gerente geral de Vendas e Marketing, a crescente procura se deve à velocidade cada vez maior de execução das obras. "Além de proporcionar repetitividade e agilidade de aplicação, o painel arquitetônico é uma alternativa de custo/benefício interessante", observa. Em concreto acabado, os painéis da Munte oferecem texturas com jato de areia, argamassa projetada, granilha exposta e com aplicação de cerâmica, entre outras possibilidades, podendo incluir, ainda, estilos de época. Os painéis são de concreto autoadensável, com agregados especiais, variando de acordo com o interesse do cliente, que também pode escolher a textura. Para a fixação utilizam-se inserts metálicos e o tamanho dos módulos atende às especificações do projeto, considerando o peso da peça, a forma de montagem, a aplicação e outras variáveis.
Sistema com cerâmica extrudada, da Gail, indicado para fachadas-cortinas ventiladas
Edifícios com painéis arquitetônicos da Munte
Lançamento da Suldeste: paredes duplas pré-moldadas
CRIATIVIDADE SEM LIMITES
Produtora de painéis jateados com esferas de vidro, painéis lavados e com revestimento de granito, a Stamp informa que o mercado de pré-fabricados arquitetônicos se manteve estável em relação a 2006, mas que, em 2008, cresceu 15% em relação a 2007. "Para 2009, esperamos um crescimento de 10% em comparação com o ano anterior", informa Fernando Gaion, diretor geral da empresa. Os produtos da Stamp não impõem limitação quanto ao padrão de acabamento, indicado pelo próprio cliente ou pelo arquiteto. Pode-se, ainda, recorrer à execução de protótipo em tamanho real, para aprovação final da geometria e acabamento.

Em alguns casos, é possível utilizar o processo de painéis com revestimento de granito. Nesse caso, em vez de o granito ser assentado na obra, as placas podem ser fixadas diretamente no painel pré-fabricado, ainda no momento da sua concretagem. "Tudo isso é realizado em fábrica, propiciando uma qualidade de execução incomparável em relação ao método convencional de colocação de granito in loco", frisa Gaion. Segundo o diretor, as vantagens dos painéis Stamp ficam mais evidentes quando o grupo de trabalho e o gerente da obra têm a possibilidade de elaborar juntos os projetos a partir da fase de desenho, levando em conta aspectos como tipo de textura, modulações, módulos eficazes e econômicos, sistema estrutural, procedimentos e cronogramas de montagem. Dessa forma, o tempo utilizado para planejamento tem o seu retorno na forma de construção acelerada e economia de custos. Os painéis Stamp formam a estrutura que suporta as lajes no perímetro dos prédios e, segundo o projeto do térreo, essa integração estrutural pode ajudar a eliminar colunas ou pilares interiores, resultando em maior espaço. Outra vantagem é a eliminação de contramarcos, permitindo a produção padronizada das esquadrias e a sua rápida instalação sem necessidade de proteções especiais.

PAREDES DUPLAS
Em 2009 outra novidade chegará ao mercado. A Sudeste começa a fabricar paredes duplas pré-moldadas que já saem de fábrica com acabamento que possibilita pintura e texturas, assim como integração com batentes, janelas, saídas de encanamento e energia. "Existem mais de 200 empresas de paredes duplas na Europa, mas a Sudeste é a primeira da América Latina a trazer essa tecnologia para o Brasil", informa Fábio Casagrande, sócio-diretor da companhia. Em fase final de implantação, a fábrica está sendo construída em Nova Odessa, interior de São Paulo, com uma planta de 50 mil metros quadrados e capacidade de produção diária de 2.100 metros quadrados. "Trata-se de um processo construtivo automatizado, que constitui uma revolução para o mercado em termos de tempo de execução e praticidade, pois não necessita de mão-de-obra especializada para montagem", observa Casagrande. Depois de concretada, a construção torna-se uma estrutura monolítica extremamente estável.
Texto de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 56 Março de 2009


Normas revisadas
Revisada há dois anos, a NBR 9.062 - Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado teve seu foco, principalmente, na ampliação dos aspectos de durabilidade, tendo como referência a própria revisão da NBR 6.118 (cobrimentos correlacionados com as classes de agressividade ambiental do local onde a edificação será executada). Foram definidos limites de deslocamentos em serviço, evitando-se patologias nas interfaces com outros sistemas construtivos; parâmetros para a utilização de ligações semirrígidas, que influenciam diretamente os efeitos de segunda ordem na edificação; parâmetros para melhor utilização dos softwares de cálculo, controle de qualidade, ampliação de tolerâncias dimensionais para produção e montagem dos elementos. A revisão também melhorou a orientação para utilização de alças e sistemas de içamento, visando maior segurança na movimentação e transporte. Agora é a vez da revisão da norma específica de lajes e painéis alveolares através da comissão de estudos do CB-18 da ABNT (cimento, concreto e agregados), a CE 18:600.19 - Comissão de Estudos de Lajes e Painéis Alveolares de Estruturas de Concreto Pré-Fabricado. A Abcic estabeleceu um comitê específico de normalização para contínua avaliação da necessidade de melhoria das normas técnicas relacionadas ao setor.
Vila Olímpia Corporate, de Aflalo & Gasperini, com pré-moldados de fachada da Stamp