PROTEÇÃO ANÓDICA
Novas tecnologias e novos processos de trabalho fazem do Brasil um dos países com melhor padrão de anodização do mundo
- Detalhes
- 21 de Janeiro de 2008. Visitas: 21.348
Perfis anodizados da Companhia Brasileira de Alumínio
Anodização ganha mercado
A evolução tecnológica que a anodização alcançou nos últimos dez anos se reflete no desenvolvimento de processos para colorir os perfis de alumínio, na utilização de produtos que não agridem o meio ambiente nem o ser humano e, principalmente, na normatização. A anodização consiste em tratar os perfis através de um processo eletroquímico que permite preservar todas as qualidades do alumínio, criando uma película protetora de óxido em sua superfície.
O fenol, antes utilizado na anodização, foi substituído por aditivos e ácidos orgânicos não danosos ao meio ambiente
O processo consiste em aumentar a espessura da camada superficial de óxido de alumínio, fazendo crescer, assim, sua resistência à corrosão
Uma das grandes conquistas do setor, a norma NBR 12.609 - Tratamento de Superfície do Alumínio e suas Ligas entrou em vigor em 1992, apesar de o processo de anodização ter se originado nos Estados Unidos na década de 1930 e no Brasil nos anos 1960. “Hoje a camada anódica deve ter, no mínimo, 11 micra para uma região menos agressiva”, afirma o engenheiro Adeval Meneghesso, presidente da comissão técnica de acabamento de anodização e pintura da ABNT e diretor-superintendente da Italtecno do Brasil, empresa que oferece produtos e tecnologias para esse procedimento. Antes da vigência das normas, a camada anódica, independentemente da região onde o perfil seria instalado, tinha, no máximo, espessura de sete micra.
Outra grande mudança foi a substituição do fenol - mais perigoso - por aditivos e ácidos orgânicos, que formam a nova geração de coloração não danosa ao meio ambiente. Também houve avanço tecnológico nos equipamentos - máquinas elétricas, retificadores e alimentadores para eletrocoloração -, que ajudaram a reduzir o consumo de energia.
Novas cores
Se antes imperavam as cores escuras - preto e tons de bronze -, devido às limitações do processo de anodização, atualmente a variedade de acabamento anodizado aguça a criatividade dos arquitetos. Nos últimos anos, a indústria passou a oferecer, além de ampla cartela de cores - que vai dos intensos vermelho e azul a tons mais suaves, como o grafite e o champanhe -, as opções fosco, brilhante, jateado e com padrão que lembra o aço inoxidável escovado.
Os novos processos permitiram colorir perfis de alumínio com resistência aos raios ultravioleta. Além de embelezar, a anodização protege a superfície. “Ela tem grandes vantagens em relação a outros procedimentos, porque é uma camada transparente, que permite visualizar todo o processo mecânico feito na superfície do alumínio”, explica Meneghesso.
Exemplo disso é a anodização com padrão de aço inoxidável. “Para ter esse tipo de acabamento, o perfil primeiramente é lixado, para, depois, passar por todas as etapas do processo. No entanto, o efeito de perfil escovado é perceptível ao final”, acrescenta o engenheiro. Segundo ele, as características do metal são mantidas, e essa é uma grande vantagem da anodização.
Basicamente, o processo consiste em aumentar a espessura da camada superficial de óxido de alumínio, fazendo crescer, assim, sua resistência à corrosão. A camada anódica é formada por milhares de células hexagonais, tendo cada uma um poro central, que recebe o metal colorante - no caso, o estanho. O procedimento de anodização é sempre o mesmo, o que muda é a forma de colorir o alumínio, observa Meneghesso.
Processos
O perfil pode ser colorido através dos processos eletrolítico, por imersão ou absorção, ou ainda por modificação da base dos poros da camada anódica. Quando a anodização é feita pela forma eletrolítica, o íon metálico é depositado dentro do poro por diferença de potencial. A intensidade de cor desejada determina o tempo que o perfil ficará no tanque de coloração.
Na absorção ou imersão, o perfil é submerso num tanque com corante da cor desejada, que é absorvido pela camada anódica. Como esta possui estrutura molecular similar à da fibra do algodão, apresenta um nível de porosidade que favorece a absorção do corante.
A camada anódica deve ter, no mínimo, 11 micra para uma região menos agressiva
Acabamento anodizado com padrão do aço inoxidável escovado
Perfis de alumínio com anodização natural fosca
| Espessura da camada anódica em função da região onde o alumínio será utilizado | |||
Aplicação |
Classe de anodização |
Espessura em micrômetros (micra) |
Nível de agressividade do meio ambiente |
Zona rural/urbana |
A13 |
de 11 a 15 |
baixa/média |
Zona litorânea |
A18 |
de 16 a 20 |
alta |
Zona industrial/marítima |
A23 |
de 21 a 25 |
excessiva |
Mas esse tipo de anodização não pode ser aplicado em perfis que serão utilizados pela construção civil, pois os corantes são orgânicos e a maioria das cores não resiste aos raios ultravioleta, sofrendo alterações após pequeno período de exposição. Cores como dourado e preto são as únicas que resistem, nesse caso.
Novidades no mercado
Em breve, outra opção para anodização de perfis de alumínio estará disponível no mercado brasileiro. Para aumentar a gama de cores em perfis anodizados para a construção civil, há oito anos foi desenvolvido na Europa o método de modificação da base dos poros da camada anódica pelo processo Multicolor. Ele torna a camada mais resistente aos raios ultravioleta. Ainda não é utilizado no país, mas a Italtecno vem negociando duas obras para o início do próximo ano.
No processo Multicolor, a formação da cor depende da modificação do fundo do poro, da quantidade de estanho nele bombardeado e da incidência da luz. Assim como no método eletrolítico, a coloração é feita com o depósito de sais metálicos no poro da camada. Antes de o perfil ir para o tanque de coloração, no entanto, o formato dos poros da camada anódica, originalmente redondo, é modificado conforme a cor. Essa mudança é feita através de um sistema computadorizado que deforma cada poro repetidamente até todos terem a mesma forma.
Após a modificação dos poros, o perfil vai para o tanque de coloração, onde o estanho é depositado para a obtenção da cor desejada. A incidência da luz sobre a camada anódica modificada provoca um efeito ótico que permite a visualização da tonalidade programada. Para cada tom existe um programa computadorizado que muda o poro, a quantidade de metal bombardeado, e o efeito ótico da incidência da luz mostra a cor escolhida. “A coloração é garantida por 30 anos. A grande vantagem do Multicolor é obter variedade de cores em perfis anodizados, com elevada resistência aos raios ultravioleta”, observa Meneghesso.
Mais eficiente
Antes de haver uma norma para o tratamento de superfícies de alumínio por anodização, o trabalho executado era de baixa qualidade, principalmente na selagem. “Como o sal de níquel utilizado é muito caro, muitas empresas não cumpriam essa etapa do processo e o cliente comprava sem saber”, afirma Meneghesso. A normatização e o controle melhoraram a eficiência. “Hoje o produto anodizado é garantido por 30 anos sem problemas. Basta fazer corretamente a manutenção normal de limpeza”, diz.
Com a aprovação da NBR 12.609 - que estabelece parâmetros para a espessura e a resistência da camada anódica -, o Brasil tornou-se um dos países com a melhor anodização do mundo. Os produtos utilizados no tratamento não são normatizados porque os processos podem ser feitos com produtos diferentes e com a mesma qualidade.
A selagem, por exemplo, pode ser feita a frio, a quente ou a média temperatura, e existem ainda empresas que pesquisam e desenvolvem outros processos. Se a selagem passar pelo teste e apresentar as características exigidas pela norma, o produto está aprovado. Dessa forma, há uma normatização indireta, pois, a partir do momento em que o perfil anodizado passa pelos ensaios, o produto químico utilizado é, conseqüentemente, bom. “O importante é utilizar produtos que não agridam o meio ambiente nem a saúde das pessoas”, diz Meneghesso.
Tomando por base as características da região onde será utilizado o perfil de alumínio anodizado, a norma estabelece a espessura da camada anódica e a freqüência de limpeza da esquadria (veja tabela acima).
Para verificar a qualidade da anodização, os perfis passam pelos testes de qualidade da selagem, espessura da camada, resistência a raios ultravioleta e à abrasão. Os dois primeiros podem ser feitos pelo serralheiro. Já o de resistência a raios ultravioleta é realizado por institutos especializados, como Falcão Bauer e IPT. Para fazer a prova de descoloração acelerada, o perfil é colocado em uma câmara, onde é emitido um feixe de raio ultravioleta por determinado tempo; se o perfil descolorir, está reprovado. “Seria muito importante que um maior número de empresas atuantes na área de anodização de perfis para a construção civil fosse certificado e apresentasse os seus produtos com o selo de qualidade do Inmetro”, afirma Meneghesso.
Apesar de a abrasão do vento corroer cerca de 0,5 mícron da camada anódica por ano, existem alguns cuidados para ajudar a preservar o tratamento feito na superfície. A limpeza do alumínio deve ser regular, conforme a tabela da norma, para evitar que se criem, pela deposição de materiais particulados, tensões superficiais, que darão início ao processo de corrosão localizado.
O perfil anodizado não aceita produtos ácidos, como muriático ou sulfúrico, nem produtos alcalinos, como cal, cimento e outros. Todos esses elementos degradam a camada anódica. O silicone utilizado em perfil anodizado deve ser o neutro; não pode ser usado o acético. Em hipótese alguma deve-se usar vaselina para proteger a camada anódica. Para a manutenção, é recomendado detergente neutro.
Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 51 Dezembro de 2007
Novos processos permitem colorir perfis de alumínio com resistência aos raios ultravioleta


