Sergio Assumpção Arquitetura

Edifício Paddock 2, São Paulo

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
Detalhe do vidro e painéis pré-moldados
Projeto com ancoragem especial
Definindo as marcações da fachada e afastados cerca de 50 milímetros da estrutura do edifício, os painéis pré-moldados exigiram a criação de ancoragens especiais, para compensar as variações de nível e de prumo e permitir a fixação dos caixilhos longe da borda das vigas estruturais.
Os edifícios Paddock 1 (leia Finestra 46) e 2 foram projetados pelo arquiteto Sergio Assumpção para ocupar lotes compactos, entre os últimos remanescentes na rua Hungria, com vistas para a marginal do Pinheiros e o Jockey Club de São Paulo. O primeiro prédio foi inaugurado no final de 2006 e o segundo um ano depois. Ambos guardam semelhanças no desenho arquitetônico, com andares escalonados, terraços e fachadas envidraçadas. E também na tecnologia construtiva.

A incorporadora Serplan propôs ao escritório de Assumpção que criasse torres comerciais de volumetria especial, com áreas generosas e moduláveis, aproveitando ao máximo as dimensões do terreno - pouco mais de mil metros quadrados, no caso do Paddock 2. A solução, explica o arquiteto, foi um edifício com poucos pilares, mezaninos no térreo e no nono pavimento, e varandas no nono andar e na cobertura, além de terraços técnicos na fachada dos fundos, ocupados por equipamentos de ar condicionado. Esses elementos criaram a identidade da edificação de 15 andares, mais térreo e cinco subsolos.
Com função estética, os painéis pré-moldados têm módulos de 3,2 x 2 metros nas colunas e de 6 x 1,2 metro nas frentes de viga
Andares escalonados, terraços e fachadas envidraçadas marcam as semelhanças entre os edifícios Paddock (à dir.)1 e 2

Um estreitamento do volume marca a diferença do nono andar em relação aos pavimentos-tipo. A redução abre espaço para um terraço lateral, com guarda-corpos de vidro. Do primeiro ao nono andar (que conta com um mezanino de 134,10 metros quadrados), a área é de 389 metros quadrados; do décimo ao último, ela é de 291,30 metros quadrados. Os pavimentos-tipo chegam a 4,20 metros de altura, enquanto a cortina de vidro do térreo tem pé-direito de 6,42 metros e apóia-se numa estrutura auxiliar de aço, de modo a subdividir o vão em duas alturas.

Painéis pré-moldados de concreto e granilha ajudam a compor a volumetria e a definir as marcações horizontais e verticais das fachadas. Também sinalizam a posição da estrutura da torre e definem a grelha. No coroamento do prédio de 72 metros de altura, o arremate é feito com os mesmos painéis pré-moldados. Já na cobertura, um volume foi criado para abrigar a casa de máquinas, barriletes e caixa-d’água.

Com função estética, os painéis prémoldados têm módulos de 3,2 x 2 metros nas colunas e de 6 x 1,2 metro nas frentes de viga. Eles possuem inserts metálicos que foram fixados na estrutura plana de concreto armado do prédio através de chumbadores químicos. Paulo Koelle, diretor da Stone, empresa fornecedora, explica que a textura dos painéis foi obtida com jateamento feito na própria fábrica. No total, foram utilizadas 40 peças nos pilares e 120 nas frentes de viga, instaladas por gruas com capacidade para 2,5 toneladas.

As esquadrias estão fixadas nas ancoragens através de porca
e parafuso de aço inoxidável
A malha de colunas e travessas foi montada na fábrica da Itefal, enquanto a colagem dos painéis de vidro ocorreu na obra

Chumbadores de expansão

Para atender às demandas estéticas e estruturais derivadas da modulação, do balanço e do escalonamento propostos pelo projeto, a escolha das fachadas do Paddock 2 recaiu sobre o sistema stick, resultando numa cortina de vidros colados com silicone. O fechamento dos vãos recebeu laminados refletivos na cor azul, enquanto as frentes de viga ganharam laminados com PVB leitoso.

Como os painéis pré-moldados estavam afastados aproximadamente 50 milímetros da estrutura do edifício, foram desenvolvidas ancoragens especiais para compensar as variações de nível e de prumo. Elas foram presas na estrutura através de chumbadores de expansão em aço inoxidável, enquanto as esquadrias foram fixadas nas ancoragens através de porca e parafuso, também de aço inoxidável. Além de compensar as variações, as ancoragens permitiram a fixação dos caixilhos de alumínio longe da borda das vigas estruturais do edifício, informa o engenheiro José Sabioni de Lima, diretor comercial da Itefal, responsável pelo projeto e execução das fachadas.

Para evitar problemas de incompatibilidade entre o silicone estrutural e o perfil pintado, a Itefal optou pela colagem dos vidros sobre uma barra de alumínio anodizado. Essa solução garante a qualidade e a segurança dos vidros colados na caixilharia, que recebeu acabamento superficial em pintura eletrostática branca RAL 9003 brilhante.

Sistema stick

O projeto arquitetônico especificou a utilização de quadros de vidro fixos e móveis. Cada módulo tem altura de 3.328 milímetros, composto por três quadros de vidros laminados, com 717 milímetros no trecho superior, 1.880 na parte central e 731 milímetros na inferior. As espessuras também são variáveis em função da localização dos painéis: oito, dez e seis milímetros, respectivamente nos trechos superior, central e inferior.

A montagem da fachada foi feita pelos lados externo e interno, com os módulos transportados pelo elevador da obra. O sistema stick caracteriza-se pela construção em três fases distintas: instalação das ancoragens, colocação da malha estrutural e fixação frontal dos quadros de vidro. A malha composta por colunas e travessas foi montada na obra, a fim de minimizar o risco de quebras. Balancins elétricos agilizaram a instalação da caixilharia.

Sabioni explica que o sistema stick proporciona velocidade na montagem dos módulos, com baixo índice de mão-deobra de usinagem. “O conjunto de três quadros de gaxetas vulcanizadas em cada folha faz com que o sistema tenha excelente desempenho de vedação”, afirma.

Desempenho dos vidros

Seguindo condicionantes apresentadas pelo cliente, o arquiteto especificou, no fechamento dos vãos, vidros laminados refletivos azuis com alta transmissão de luz e espessuras variáveis entre oito e 12 milímetros, e vidros prata de sete milímetros para a frente de laje.

Segundo a arquiteta Cláudia Mitne, da Glassec, fornecedora dos vidros, estes apresentam, com pequenas variações, os seguintes coeficientes energéticos: transmissão luminosa, 20%; reflexão luminosa, 25%; transmissão de energia, 27%; reflexão de energia, 17%; absorção de energia, 56%; sombreamento, 0,50; e valor U (w/m²/ºC) de 6,17. Este é um coeficiente global de transferência de calor por condução.

Espaço exíguo

O edifício possui estrutura de concreto armado reticulada, com vigas de borda protendidas. A fachada frontal tem alumínio anodizado branco e elementos pré-moldados horizontais nas frentes de viga e pilares frontais. As faces laterais seguem o modelo frontal, mas apresentam uma parte em revestimento de argamassa sobre bloco cerâmico, com pintura texturizada projetada - configuração esta que foi adotada na totalidade da fachada posterior.

Um dos desafios da obra foi a implantação de logística para receber e armazenar os painéis pré-moldados: havia pouco espaço para as carretas que chegavam com eles e para a grua içá-los. Os veículos ficavam junto à calçada e foi necessária a sincronia perfeita entre os equipamentos de elevação que estavam operando na fachada - grua, balancins elétricos e cremalheira. “O erro de um poderia causar conseqüências graves nos demais”, afirma o engenheiro responsável pela obra, Dante Augusto Pereira, da construtora Bueno Netto.

Texto resumido a partir de reportagem
de Jaime Silva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 52 Janeiro de 2008
Para evitar problemas de incompatibilidade entre o silicone estrutural e o perfil pintado, os vidros foram colados sobre uma barra de alumínio anodizado
A cortina de vidro do térreo, com altura de 6,42 metros,
apóia-se em estrutura auxiliar de aço
A marquise metálica define o acesso ao hall