Sistema de resfriamento noturno passivo para edifícios
Uso de energias passivas
- Detalhes
- 04 de Janeiro de 2010. Visitas: 23.099
É através da fachada dos edifícios que ocorre a troca de luz e calor entre os ambientes interior e exterior. Assim, a engenharia de materiais e sistemas tem buscado cada vez mais o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia visando a eficiência energética das edificações. Entre eles está a operação dos sistemas móveis das fachadas, por meio de controle motorizado de janelas maxim‑ar, cortinas e persianas internas, persianas externas, toldos e brises. Com o uso desses elementos é possível, por exemplo, acionar janelas do tipo maxim‑ar automaticamente, de acordo com parâmetros ambientais medidos em tempo real e com as necessidades de cada prédio.
No Brasil, esse sistema está sendo oferecido pela Somfy, multinacional francesa que fabrica motores e componentes automatizados para fechamentos e proteção solar de ambientes residenciais e comerciais, aplicáveis em persianas, brises, cortinas, toldos, e também janelas dos tipos maxim-ar ou de tombar. Segundo o engenheiro Fábio Xavier, gerente técnico da Somfy, a empresa produz sistemas modulares que podem ser configurados de acordo com as necessidades de cada edifício, com os produtos instalados em cada fachada. A composição do sistema tem como base um controlador central, uma caixa com seus respectivos sensores estrategicamente posicionados no topo do edifício (próximo das janelas) e controladores de motores, aos quais podem ser conectados os diferentes tipos de equipamentos. O motor pode receber comandos individuais, através de controle remoto, ou responder ao controlador central. A instalação requer fios para ligar motores e controladores à corrente elétrica. Já o comando individual pode ser por radiofrequência, pois o controle remoto emite ordens a distância sem necessidade de fio elétrico ou conexão.
Para implantar o sistema de resfriamento noturno passivo são necessários ainda sensores de temperatura, vento e chuva, acionados para comandar a abertura ou o fechamento das janelas maxim-ar. O sensor de temperatura determina quando as janelas devem ser abertas e os de chuva e vento servem para proteger o ambiente interno em caso de ocorrência de qualquer uma dessas condições climáticas adversas. Também existe a opção de promover a abertura das janelas por programação horária ou associar a abertura e o fechamento das janelas com a automatização de cortinas, persianas ou brises, que potencializam a proteção solar. Os sensores comandam esses elementos de acordo com a variação da intensidade solar ao longo do dia. As janelas são abertas segundo uma estratégia de controle baseada na diferença de temperatura - interna e externa - ou por meio de horários estabelecidos. São acionadas por motores fixados no marco, que atuam linearmente, empurrando e recolhendo a folha móvel. O edifício precisa ser dotado de janelas maxim-ar e de infraestrutura de comunicação elétrica, específica para o sistema. A Somfy dá suporte total desde a elaboração do projeto.
O arquiteto Cláudio Marraccini, gerente de especificação da Somfy, afirma que os ganhos com a economia de energia elétrica podem variar muito de um prédio para outro, de acordo com determinados parâmetros de projeto, tais como localização, orientação das fachadas e tamanho das aberturas. “Mas basicamente o ganho será tanto maior quanto maior for a inércia térmica do edifício, ou seja, sua capacidade de acumular calor durante o dia, que é geralmente alta no Brasil, devido à grande quantidade de concreto utilizada nas construções”, ele explica.
Segundo Marraccini, estudos realizados por consultores independentes em projetos na cidade de São Paulo mostraram resultados da ordem de 2% a 3% de economia no consumo de energia do edifício - considerando que o ar-condicionado representa 40% do consumo total do prédio. “Isso pode ser muito significativo durante a vida útil da edificação. Mas o ideal é incluir essa estratégia nas simulações de eficiência energética realizadas na fase de projeto, para cada obra em particular, a fim de obter o melhor resultado”, ele recomenda. “No Brasil, ainda não há nenhum edifício em funcionamento que tenha adotado o sistema, uma vez que a construção sustentável e as simulações prévias de desempenho energético ainda são relativamente novas no país”, explica. Mas a Somfy já conta com alguns projetos cujos arquitetos se interessaram em especificar o sistema.
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 58 Setembro de 2009
| Economia de energia: estudo de caso por simulação computacional Edifício comercial em São Paulo | ||||
| Resultados | ||||
| Simulação | Carga interna máxima (kW) | Nº de TR | Carga térmica total (kW) | Consumo de energia (kWh/ano) |
| Caso base | 152,28 | 43,50 | 293.087,98 | 73.272 |
| Otimizado 1 | 137,55 | 39,30 | 261.311,84 | 65.328 * |
| Otimizado 2 | 136,86 | 39 | 246.431,92 | 61.608 ** |
** 16% de redução Energia elétrica no AC
Caso base: edifício sem o sistema de automatização de fachada
Caso otimizado 1: proteção solar dinâmica (interior)
Caso otimizado 2: proteção solar dinâmica e ventilação noturna


