Steel framing

Boas respostas às exigências de sustentabilidade e à redução de desperdício e de entulhos nos canteiros

Casa construída em curitiba pela US Home, com sistema steel framing e painéis estruturais OSB , fabricados pela LP com tiras de madeira reflorestada, unidas com resinas e prensadas sob alta temperatura
Casa construída em curitiba pela US Home, com sistema steel framing e painéis estruturais OSB , fabricados pela LP com tiras de madeira reflorestada, unidas com resinas e prensadas sob alta temperatura
Setor aponta vantagens e busca capacitação
O steel framing tem boas respostas às exigências de sustentabilidade e à redução de desperdício e de entulhos nos canteiros. Mas no país há poucos profissionais capacitados para fazer o cálculo estrutural do sistema e é escassa a mão de obra treinada para a execução, apesar de ações de construtoras e usinas siderúrgicas.

O peso, o consumo de materiais e o tempo de execução com steel framing são bem menores que na construção tradicional. Em uma residência unifamiliar, a estrutura em steel framing representa 10% do peso de seu equivalente de concreto armado. Já em prédios com vários andares, o peso de uma estrutura metálica com laje mista equivale a 50% do peso de uma estrutura de concreto armado. Esses números, segundo Sílvia Scalzo, da ArcelorMittal, são parâmetros que contam pontos na hora de classificar uma construção como sustentável.

De acordo com esses requisitos, as obras em steel framing se mostram mais adequadas. Uma residência unifamiliar nesse sistema pesa 30 toneladas (sem as fundações), enquanto a de construção convencional pesa cem toneladas. A construção tradicional tem peso de aproximadamente 1.200 kg/m2, ao passo que uma residência em steel framing pesa 25 kg/ m2. O steel framing traz melhores respostas às questões de sustentabilidade, pois o aço pode ser reciclado indefinidamente e os produtos resultantes de sua produção (resíduos) são reutilizáveis; além disso, o sistema reduz o desperdício e a geração de entulhos nos canteiros de obras. Atualmente, o conceito de construção sustentável também está associado à escolha de materiais, ao progresso dos métodos construtivos e de produção, à melhoria de desempenho das edificações e a aspectos ligados à renovação das edificações e ao fim de sua vida útil. O National Audit Office (NAO), órgão inglês independente de auditoria de contas públicas, divulgou o relatório “Utilização de sistemas construtivos modernos para a construção de habitação com maior rapidez e eficiência”. O indicador-chave é o tempo necessário para executar os trabalhos de cobertura da construção ao abrigo da água. No melhor dos casos, o prazo pode ser de 20% do tempo gasto no processo tradicional com tijolos e blocos. O tempo de obra total pode ser reduzido a 60%. Veja os principais resultados desse relatório no quadro.

Palestras e cursos
A capacitação das construtoras e da mão de obra para adoção do sistema está em processo. Há cerca de três anos, as empresas do setor do aço e fabricantes de subsistemas do steel framing vêm fazendo palestras em cidades brasileiras de várias regiões. O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) e a Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), por sua vez, estão desenvolvendo os Programas Setoriais da Qualidade para os fabricantes de estruturas leves de aço. Quanto à difusão técnica, o CBCA desenvolveu os manuais Light steel framing arquitetura e Light steel framing engenharia, que podem ser baixados do site da entidade (www.cbca-ibs.org.br).

Já a ArcelorMittal, por meio de seu Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, criou a rede internacional Steel Network University, da qual participam universidades de vários países, entre as quais a Universidade de São Paulo. Segundo a arquiteta Sílvia Scalzo, do Departamento Innovation and Construction Development, da ArcelorMittal, um dos projetos da rede é o Affordable House (casa economicamente acessível). “O conceito de casa acessível varia de um país para outro, mostrando diferentes projetos, em termos de tipologia, tamanho, tipo de layout e custos. Nesse contexto, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, através de um grupo multidisciplinar de professores e alunos, está desenvolvendo um projeto de habitação unifamiliar em steel framing”, informa Sílvia. Com relação à mão de obra, o Senai já desenvolveu cursos de capacitação que são levados a várias cidades do país.

Segundo o arquiteto Roberto Inaba, do Departamento de Marketing e Vendas da Usiminas, a empresa também realizou dois cursos para a capacitação de construtoras e já trabalha junto com outras companhias na formatação de um novo curso voltado para mão de obra. Mas falta no país um programa aprofundado de formação para operários, na opinião do diretor da construtora Sequência, Alexandre Mariutti. “Nesse sentido, as indústrias siderúrgicas ainda estão muito dispersas. As ações promovidas são pontuais e sem uma programação de longo prazo. Também não existe programa de capacitação para os conformadores de aço”, ele alerta. Mariutti avalia que há poucos profissionais no Brasil aptos a fazer o cálculo estrutural de steel framing; além disso, nenhum software é capaz de compatibilizar os sistemas com os projetos complementares. “No ambiente acadêmico, infelizmente as universidades falam pouco ou nada sobre o sistema. As pessoas que trabalham com steel framing buscam informações fora do Brasil”, acrescenta.


Texto de Heloisa Medeiros
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 58 Setembro de 2009
Casa em Steel Framing
Critérios Construção tradicional em tijolos / blocos Construção em painéis Construção modular com painéis Construção 100% modular
Duração da obra 100% 75% 70% 40%
Tempo de cobertura da obra (ao abrigo da água) 100% 55% 50% 20%
Necessidade de MDO em canteiro 100% 80%

70%

25%
Material em canteiro (% do custo total) 65% 55% 45% 15%
MDO em canteiro (% do custo total) 35% 25% 20% 10%
Fabricação em linha de produção (% do custo total) 0% 20% 35% 75%