Tecnologia e serviço
Luz, além da estética

Há no mercado imensa oferta de produtos para projetos luminotécnicos. Conhecê-los mais detalhadamente é o primeiro passo para fazer a escolha acertada e usar o projeto para assegurar menores custos operacionais ao longo do tempo. Trata-se menos de estética e mais de engenharia.

 

O bom conjunto ótico é aquele capaz de oferecer simultaneamente alto rendimento e conforto visual, qualidades inversamente proporcionais. Índices de 70% são considerados como alto rendimento, mas acima disso o conforto visual fica comprometido.
“O grande desafio da engenharia é desenvolver soluções que conciliem esses dois fatores”, explica Ricardo Gutfreund, gerente comercial da Lumini.

Luminárias cilíndricas de embutir
, por exemplo, são bastante parecidas entre si. O que as diferencia, basicamente, é o material com que são produzidas e a curvatura do refletor, que deve procurar o melhor aproveitamento da luz dentro do facho pretendido e emissão mínima fora desse ângulo.

Segundo Gutfreund, a garantia da eficiência de uma luminária pode ser dada pelo documento de fotometria, que relaciona todas as características do produto. “Quanto mais específicas as necessidades de um projeto, mais importantes essas características”, afirma.

Ao lado de produtos de bom desempenho,
o mercado oferece itens que simplesmente "pirateiam" modelos de outros fornecedores, nacionais ou estrangeiros, sem pagar os royalties devidos nem levar em conta fatores que interferem diretamente na função e na performance, como curvatura dos refletores, espessura das chapas, níveis de refletância do material utilizado, qualidade do tratamento da superfície ou detalhes de fixação.
Esses pontos dificilmente são avaliados depois que a luminária está montada. “Por isso é importante trabalhar com fabricantes que investem no projeto e no processo de fabricação”, afirma a arquiteta e lighting designer Rosane Haron.

Outro problema comum costuma ocorrer durante a execução do projeto, quando o profissional constata que a altura entre o forro e a laje não é suficiente para comportar o modelo especificado. “Fazer adaptações de última hora ou modificar as dimensões da luminária implica mudança nos resultados finais”, ensina o lighting designer Gilberto Franco.

As qualidades de uma boa lâmpada se perdem totalmente diante de luminárias de baixo rendimento. “Um conjunto ótico ruim pode acarretar o aumento da quantidade de pontos de luz na faixa de 20% a 30% para assegurar os níveis de iluminação pretendidos”, quantifica Rosane. Isso se traduz, obviamente, em uma conta de luz maior.
“Apesar do custo inicial superior, compensa instalar um sistema eficiente e econômico que, em média, se pagará em três anos, conforme o tamanho do projeto e o número de horas diárias de uso”, diz ela. Se o cliente relutar, tabelas comparativas dos custos operacionais e do prazo de retorno podem ajudá-lo a fazer a melhor opção, mesmo depois que o fantasma do racionamento tiver desaparecido.

Relações entre a medida, o tipo e a posição da lâmpada no interior da luminária definem o conjunto adequado. “A troca indiscriminada pode causar a diminuição do rendimento e do conforto”, alerta Franco. Ele relaciona cinco funções básicas das luminárias:
• dar suporte físico à lâmpada e seus equipamentos; • assegurar o funcionamento ótimo da lâmpada;
• trabalhar com a luz emitida para redirecioná-la da forma desejada;
• obter o melhor aproveitamento da luminosidade para diminuir desperdícios;
• proteger a lâmpada contra impactos ou intempéries.

Não se pode generalizar e indicar um modelo como o ideal para cada situação, mas pode-se dizer que a “luminária eficiente é aquela que proporciona o melhor aproveitamento do fluxo luminoso, direcionando-o para onde ele é necessário e tornando o ambiente agradável”, define Gutfreund.
Tendo esses fatores em mente, é possível escolher entre os mais diferentes modelos de luminária, desde os quase invisíveis, que passam despercebidos pelo observador, até aqueles feitos para se tornar o elemento mais importante do espaço.

Tudo depende do que se deseja em cada situação. “Sua finalidade é fazer o meio de campo entre a lâmpada e as necessidades do ambiente”, resume Franco. Vale lembrar que refletores eficientes corrigem ângulos de emissão luminosa acima de 60 graus em relação ao teto, responsáveis pelo ofuscamento.

A lâmpada mais eficiente tem potência baixa e
alto fluxo luminoso
, ou seja, é capaz de emitir maior quantidade de lúmens por watt. As lâmpadas também se diferenciam pelo sistema de funcionamento e pelo fluxo luminoso que emitem.
As lâmpadas de filamento (incandescentes comuns, halógenas, dicróicas, PAR e AR) são aquelas em que a corrente elétrica passa pelo filamento interno, geralmente de tungstênio, e o aquece até que ele se torne incandescente. Isso faz com que o tungstênio evapore, deixando o bulbo preto por dentro e o filamento cada vez mais fino, até a hora em que ela se rompe e a lâmpada queima. “É como uma resistência elétrica em miniatura que produz radiação visível, sem interrupção do espectro de luz, o que assegura a qualidade na reprodução de cores”, explica Franco.

As lâmpadas de filamento têm índice de reprodução de cores (IRC) de 100%, o mesmo da luz solar. Quanto maior a temperatura do filamento, mais branca é a luz. No caso das incandescentes comuns, de luz amarela, a temperatura do filamento atinge os 2 700 kelvins, o que indica a temperatura da cor, ele completa.
A tecnologia busca aumentar a temperatura do filamento sem que ele derreta.
Assim surgiram as lâmpadas halógenas, pequenas, de maior brilho e de luz mais branca, por volta dos 3 mil kelvins. As lâmpadas de descarga (fluorescentes e multivapores metálicos) são aquelas que produzem luz a partir da passagem da corrente elétrica através do gás ou do vapor ionizado em seu interior e requerem reatores para funcionar.

Os tipos mais modernos
utilizam o pó trifósforo, que concentra a emissão luminosa em três freqüências, melhorando o IRC em relação às fluorescentes comuns - no Brasil, os melhores índices giram entre 80% e 85%, o que já é considerado satisfatório.
No exterior, existem fluorescentes com IRC de 90%. Conforme a combinação de trifósforos, podem-se obter tonalidades diferentes de luz, dentro da mesma escala das de filamento, variando de 2 700 a 5 mil kelvins, explica Franco. “A escolha da tonalidade é uma das funções do lighting designer”, ele esclarece.

Com o tempo, as fluorescentes vão reduzindo o fluxo luminoso emitido. Daí a importância de trocar a lâmpada no prazo determinado pelo fabricante quando é necessário bom nível de iluminação, como em lojas e escritórios. “As lâmpadas substituídas podem ser usadas em garagens, escadas e em outro lugar em que a exigência seja menor”, diz Gutfreund.

As de multivapores metálicos
seguem esse mesmo princípio, mas dispensam o pó que reveste a parte interna de todas as lâmpadas chamadas fluorescentes. Seu interior contém gases balanceados que resultam em emissão luminosa com boa reprodução de cores. O IRC muda no final da vida útil dessa lâmpada, porém as de última geração e de custo mais elevado apresentam bulbo cerâmico e preservam suas qualidades de reprodução de cor. Ainda na categoria de descarga, constam também as lâmpadas de vapor de sódio e de mercúrio, mais empregadas na iluminação pública.

Além dessas, há as de indução eletromagnética. Elas são chamadas de “lâmpadas eternas” porque duram cerca de 60 mil horas, sem sofrer o desgaste das fluorescentes comuns. Por isso são consideradas ideais para pontos de difícil acesso.

Pode-se falar ainda em fibra ótica, que não é uma lâmpada, mas um meio de conduzir a luz, e sobre o led, um pequeno dispositivo eletrônico de baixíssimo consumo, grande durabilidade e eficácia comparável à das incandescentes. Em seu interior há emissores de luz verde, vermelha e azul, o que permite ao usuário compor qualquer matiz de cor, detalha Franco. Devido ao custo elevado, o led costuma ser mais empregado no balizamento de percursos.
Seja qual for a lâmpada e a luminária escolhidas, é fundamental prever limpezas periódicas, pois a sujeira acumulada reduz o rendimento do conjunto ótico.

De nada adianta escolher lâmpadas e luminárias eficientes se o conjunto inclui reatores de segunda linha. A escolha deve recair em modelos que ofereçam índices de distorção harmônica inferior a 20%, reduzindo com isso a interferência em outros equipamentos eletrônicos. Os reatores de melhor qualidade consomem menos energia elétrica para operar e duram cerca de 20 anos, contribuindo para o aumento da vida útil da lâmpada, finaliza Gutfreund.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 262 Dezembro 2001

 
Luminárias de embutir ou sobrepor, ideais para escritórios, espaços comerciais e demais ambientes que exijam
iluminação eficiente e econômica. Estão disponíveis
com quatro opções de sistemas óticos Foto: Philips
 
Luminária para fluorescente circular, desenhada por Franco & Fortes Lighting Design. Construída com chapa perfurada, difusor acrílico e rebatedor em chapa branca, sua função é dar iluminação difusa e similar à luz natural Foto: Otávio Veiga
 
Luminária de embutir para fluorescente
compacta tripla, da Franco & Fortes Foto: Otávio Veiga
 
 
Pendente e abajur para lâmpada halógena, de Jacqueline Terpins, Gilberto Franco e Carlos Fortes Foto: Valentim Fialdini
 
Luminária circular para duas lâmpadas PL-C de 26 watts. Fabricada com alumínio injetado, alumínio anodizado brilhante, policarbonato e vidro temperado: desenvolvida para uso comercial ou em áreas de circulação Foto: Philips
 
Fluorescente compacta Mini Lynx:
solução economizadora de energia Foto: Sylvana
 
Sistema pendente que oferece múltiplas possibilidades de iluminação na mesma peça: direta, indireta e difusa, indireta, difusa e direta. Design de Franco & Fortes Foto: Otávio Veiga
 
Lâmpada de multivapor metálico no formato da PAR 30, própria para iluminação de destaque Foto: Philips divulgação
 
Lâmpada ALR111: iluminação dirigida com controle do ofuscamento Foto: Philips divulgação
 
Ideais para a iluminação de destaque, as halógenas dicróicas têm abertura de facho de 10, 36 e 60 graus e duram até 4 mil horas Foto: Philips divulgação
 

Lâmpadas: Acerte na escolha

LÂMPADAS DE FILAMENTO

Incandescentes comuns
São as mais conhecidas do mercado, disponíveis em diferentes versões: transparente, leitosa ou espelhada. Produzem 14 lúmens para cada watt consumido de energia.

Halógena
Pequena, pode ser facilmente acoplada a refletores. A temperatura de cor fica na faixa dos 3 mil kelvins e o IRC é de 100%. Cada watt produz de 18 a 20 lúmens. Sua vida útil é maior que a das incandescentes:

Halógena palito (ou lapiseira) - Fornecida sem o refletor, é própria para uso em luminárias com refletores. Disponível em potências entre 100 W e 500 W.

PAR - Lâmpada com refletor parabólico projetada para trabalhar em tensão de rede (110 ou 220 volts).

Dicróica - Embora já existam versões para uso direto na rede, a maior parte trabalha em 12 V, o que requer transformador e soquete próprios. Seu refletor de vidro em camadas múltiplas dissipa o calor em todas as direções, e não só para baixo.

AR - Disponível nas versões com diâmetros de 70 mm e 111 mm, apresenta refletor e contra-refletor de alumínio, evitando a visão direta do filamento. Seu facho preciso entre quatro e 24 graus a torna ideal para destaque de objetos.

LÂMPADAS DE DESCARGA

Fluorescente tubular
As de 61 cm de comprimento podem ser encontradas nas potências 14 W (de última geração e mais econômicas), 16 W e 20 W (de maior diâmetro). As de 122 cm são encontradas em 32 W 40 W (mais antigas) e 28 W (de última geração e mais econômicas).

Fluorescente circular
Quanto menor seu diâmetro, maior a eficiência luminosa. Chega a emitir 80 lúmens por watt e está disponível com potências entre 5 W e 55 W.

Multivapores metálicos
Têm formato semelhante à halógena palito. Como todas as lâmpadas de descarga, seu funcionamento requer reator. É mais usada em estabelecimentos comerciais ou industriais.

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