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A escassez de teatros no Brasil
favorece o surgimento de espaços de múltiplo
uso, teoricamente capazes de acolher desde espetáculos
dramáticos até orquestras. Na prática,
a situação não é bem essa,
pois as características físicas do espaço
próprio para a fala não são as
mesmas necessárias à música.
“O ideal seria haver casas específicas para
cada tipo de uso ou ainda projetos multiuso que
conciliem as soluções apropriadas, usando
recursos como painéis giratórios, com
diferentes tratamentos acústicos em cada face,
ou painéis motorizados que sobem e descem em
diferentes alturas. Obviamente o custo é maior”,
afirma o arquiteto Milton Granado, professor
da disciplina conforto ambiental na FAU-Mackenzie, de
São Paulo.
Na visão do arquiteto e cenógrafo José
Carlos Serroni, todos os problemas podem ser controlados
a partir de um projeto bem planejado. “Pode-se trabalhar
cada espaço conforme sua arquitetura e conformação
acústica, com o estudo de volumetria e a escolha
de revestimentos adequados”, explica.
“Mas tudo fica mais fácil quando os profissionais
de arquitetura, acústica e ar condicionado começam
a atuar juntos desde a fase de estudos preliminares”,
diz Granado. Isso porque a solução acústica
pode exigir desde fundações diferentes
até paredes mais espessas a fim de barrar o som
que entra ou sai de um teatro, afirma Adalberto Baggio,
arquiteto especializado em conforto ambiental.
O
nível de ruído de fundo não
deve ultrapassar a curva 25, o equivalente a 27 decibéis.
Para alcançar essa medida, deve-se prever antecâmaras
que isolem a sala de apresentação da área
de espera e sistemas silenciosos para o insuflamento
de ar condicionado. As grelhas não podem interferir
nos revestimentos acústicos ou nos equipamentos
de iluminação cênica.
O formato da sala também faz diferença.
“A forma de leque, herdada das salas de cinema, não
é a mais adequada. As melhores salas são
as retangulares, estreitas e longas, com forro razoavelmente
alto e paredes paralelas”, afirma José Augusto
Nepomuceno, arquiteto especializado em acústica.
O cenógrafo Serroni concorda. “A forma retangular
é melhor para todos os tipos de espetáculos,
por sua volumetria, mas depende de tratamento também.
Por exemplo, paredes lisas paralelas serão sempre
ruins, por isso elas devem apresentar relevos ou ondulações”.
Para Serroni, um bom teatro para palavra deve
ter em média 500 lugares distribuídos
em até 22 fileiras de poltronas. “O público
deve ver as expressões do ator no palco”, diz.
Já as salas para música podem ter 2 mil
lugares, pois o importante não é a cena,
mas a performance musical. Para Serroni, o correto em
ambos os casos é haver uma curva de visibilidade
no piso, com desnível de 15 cm entre as fileiras,
e um metro de distância entre um espaldar e outro.
Deve-se considerar a possibilidade de adotar palco
giratório, disponíveis no Brasil somente
no Teatro
Abril e no Paládio, segundo Serroni. Devem
ser previstos ainda fosso elevatório para orquestra,
elevador de cena, salas de ensaio, coxias laterais
e de fundo de palco, que darão apoio ao ator
e à equipe técnica. Barras de aço
para sustentar elementos cênicos em geral devem
ser instaladas sobre a caixa de cena a cada 1,5 m, no
sentido da profundidade do palco.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 266 Abril 2002
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