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Fortaleza, no Ceará,
prepara-se para iniciar as obras de seu megacentro de
eventos, que tem a missão de revitalizar a área
central da cidade a partir da construção
de centro de convenções, pavilhão
de exposições, teatro com 2
005 lugares e espaços públicos.
Desenvolvido por quatro consórcios que envolvem
os 14 principais escritórios de arquitetura do
Ceará, o projeto deve ser erguido na orla marítima,
sobre um aterro de 190 mil m2.
O projeto do teatro ficou a cargo do consórcio
formado por PPAU, Reata, Arquitetura do Sol e Cia. de
Arquitetura, equipe complementada por Chris Blair e
José Augusto Nepomuceno, na acústica,
e Ismael Solé e Michel Mell, na cenotécnica.
O espaço do tipo múltiplo uso é
grandioso e deve atender variada gama de espetáculos
(música sinfônica, óperas, música
popular, dança, dramas, palestras e música
amplificada). Essa diversidade exige projeto acústico
ajustável por painéis motorizados
que sobem e descem rente às paredes, permitindo
regular o tempo de reverberação. Refletora,
a parede de blocos de concreto aparente ficará
ao natural durante a apresentação de concertos.
Quando o tipo de espetáculo exigir, os painéis
revestidos descerão, garantindo as condições
necessárias. Assoalho de madeira e cadeiras estofadas
com a parte posterior em madeira favorecem o tempo de
reverberação alto, ideal para coros e
orquestras.
Nepomuceno e Blair assinam também o desenho
acústico do teatro do complexo Ohtake
Cultural, de 672 lugares, inaugurado no final
de 2001. O espaço abriga variada gama de espetáculos,
mas não inclui acústica ajustável.
Em seu lugar, as condições para contemplar
tantas formas de arte foram estabelecidas pela própria
geometria da casa, desenhada em forma de leque por Ruy
Ohtake mas transformada em retângulo por Nepomuceno
e Blair. “A mudança favorece música não-amplificada,
operetas e dramas”, diz Nepomuceno.
A partir daí, o teatro foi desenvolvido
com boca de cena de 15 m x 7,5 m, fosso de orquestra
para 45 músicos e audiência distribuída
por balcão e platéia com 19 m de largura.
Para promover a difusão acústica, as paredes
laterais são revestidas por chapas de gesso acartonado
e apresentam relevo em forma de ilhas desenhadas pela
própria Tomie Ohtake. Essas ilhas se sobressaem
da superfície em medidas variadas, porém
limitadas a 40 cm.
Os profissionais de acústica especificaram piso
em carpete somente nas passagens e poltronas estofadas,
com a parte posterior do encosto em madeira.
Imediatamente abaixo do teatro, há um
espaço livre de 324 m2 para apresentações
de música, performances e dança. Para
evitar interferência de um ambiente em outro,
essa área tem forro acústico com chapas
metálicas perfuradas encobrindo camadas de lã
de vidro. Duas paredes não-paralelas são
revestidas por material absorvente e as outras duas,
refletoras, apresentam revestimento em lambris de madeira;
o piso de concreto pode ou não receber assoalho
flutuante, removível, conforme a necessidade
de cada apresentação. Para acomodar o
público, foi prevista arquibancada retrátil.
Também com arquitetura de Ruy Ohtake, o Hotel
Unique deve ser inaugurado em 2002 e tem como um
dos diferenciais seu centro de convenções,
formado por cinco grandes salas que podem ser transformadas
em salão único com cerca de
1400 m2, além de quatro salas menores. Todos
esses ambientes terão pisos e paredes revestidos
por madeira e cadeiras removíveis. A grande
estrela é o conjunto de cinco salas, equipadas
com três telões e com toda a infra-estrutura
exigida para permitir a montagem de um palco em três
lugares diferentes.
O gerenciamento dos sistemas de som e iluminação
é integrado, para que as salas possam ser usadas
parcial ou totalmente e com diferentes níveis
de exigências acústicas. “Isso foi possível
com o uso de estrutura metálica tubular de alumínio
soldado onde foram fixados todos os suportes de acoplamento
para os equipamentos necessários”, diz Eloi Roveri
Filho, da Cia. Paulista de Festas, responsável
pela sonorização e iluminação
do conjunto. A estrutura fica totalmente oculta pelo
forro.
Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 266 Abril 2002
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