Salas de espetáculos
O som dos atabaques

O projeto da Associação Cultural Cachuera!, com arquitetura de Érica Yoshioka e consultoria acústica de Adalberto Baggio, inclui estrutura metálica, grandes panos de vidro e duas áreas distintas para apresentações simultâneas.

“Também devíamos considerar que grande parte dos espetáculos utilizam instrumentos percussivos, como atabaques e bumbos”, lembra Baggio, contratado depois que a opção pela estrutura já estava feita. Isso exigiu a isolação da laje do auditório superior, para evitar que a própria estrutura transmitisse sons de cima para baixo.
“Como o metal é condutor de som, usamos junta carboelástica flexível no apoio da laje e trabalhamos os elementos arquitetônicos, como escadas e mãos-francesas, para mudar a freqüência dos sons a fim de que o aço não entrasse em ressonância total”, ele explica.

Grandes panos inclinados de vidro duplo rompem
o paralelismo das paredes da arena, favorecendo
a correta difusão sonora e evitando eco e reverberação. Para eliminar ruídos indesejáveis,
foi instalada suspensão de borracha nos perfis dos caixilhos, barrando o ciclo de vibração entre a caixilharia e a alvenaria. Na arena, paredes de blocos perfurados, madeira e tijolos formam diferentes relevos. “Esses materiais transmitem ressonâncias e reflexões sonoras com variada gama de freqüências, privilegiando a inteligibilidade de instrumentos acústicos e da voz humana”, observa Baggio.

No forro, réguas de madeira alternadas com material fonoabsorvente completam o jogo de absorção e reverberação sonora, juntamente com os sarrafos de madeira que rompem o plano para difundir as freqüências e evitar a ressonância e a reflexão dos sons graves. Para o auditório de múltiplo uso, no terceiro pavimento, a absorção concentra-se na parede dos fundos, sob o ar condicionado. Ideal para piano, instrumentos de corda clássicos e fala, esse espaço tem forro com inclinação calculada para refletir os sons para os ouvintes. A área foi trabalhada com madeira e planos fonoabsorventes, revestidos por juta, que formam desenhos ovais. O arremate fica por conta da cobertura acústica com telhas do tipo sanduíche.

Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 266 Abril 2002

 
 

Associação Cultural Cachuera!
Planejamento permitiu uso de vidros e estrutura metálica.
No auditório, composição de tijolos e madeira assegura qualidades acústicas Foto: Fernando Perelmutter
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