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| Vidros |
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| A necessária transparência |
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Como poucos produtos, o vidro
concilia o apelo estético à funcionalidade.
Apesar da aplicação em grande escala,
boa parte das vezes a especificação do
produto ainda prioriza os critérios cor e preço,
deixando aspectos técnicos em segundo plano.
Isso demonstra a carência de informações
no mercado, afirma a arquiteta Elisabeth Abduch, gerente
de marketing e negócios de uma indústria
de vidros norte-americana.
Segundo a arquiteta,
o suporte técnico do próprio fabricante
ou de um consultor é o caminho mais simples para
evitar surpresas desagradáveis depois que a obra
estiver concluída. Para Elisabeth, o ponto de
partida para a especificação está
no levantamento das necessidades de cada projeto em
relação aos níveis desejados de
conforto térmico, acústico e visual.
Também é preciso dispor de dados como
a modulação das fachadas, o tipo de instalação
que será adotado e até mesmo a cor pretendida
para o vidro, pois esse é um detalhe que interfere
diretamente no desempenho, ela complementa.
“Tudo isso deve ser visto antes da instalação
dos caixilhos, porque depois não tem como consertar”,
avisa a arquiteta. Ramon Perez, consultor técnico
de uma empresa nacional de vidros de segurança,
concorda. “A especificação correta leva
em conta muitas variáveis. Se a escolha não
é feita com critérios técnicos,
o desempenho fica comprometido e querer corrigir erros
depois que o vidro já foi instalado fica muito
caro”, ele afirma.
Mas, para Elisabeth, não basta especificar o
tipo adequado de vidro. “É
preciso que o profissional acompanhe as demais etapas
do processo, pois é comum haver alterações
que nem chegam ao seu conhecimento se ele estiver ausente”,
ela diz.
Um recurso possível é fazer constar do
contrato a obrigatoriedade de consulta ao autor do projeto
toda vez que um item especificado for substituído
por outro.
“A vantagem é que as responsabilidades de cada
um ficam bastante claras e o arquiteto tem a oportunidade
de procurar alternativas similares ao produto originalmente
especificado”, avalia Elisabeth. A evolução
cultural também deve fazer com que, dentro de
algum tempo, torne-se habitual incluir o item vidros
como argumento de vendas no memorial descritivo do empreendimento,
comercial ou residencial.
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Produtos inteligentes
A fachada tem a função básica de
proteger contra as intempéries e seu desempenho
deve considerar o conforto termoacústico, o uso
racional de energia elétrica e a proteção
contra o impacto de objetos trazidos pelo vento.
“Tudo isso sem perder a transparência”, defende
a arquiteta Marinha Mascheroni, do escritório
norte-americano SOM-Skidmore, Owings & Merrill,
responsável pela concepção do projeto
do recém-inaugurado edifício-sede do BankBoston,
em São Paulo.
Para a torre de 140 m de altura foram especificados
18 tipos diferentes de vidro, que correspondem às
necessidades de segurança e isolamento termoacústico.
“Foram usados vidros à prova de balas, insulados
e os do tipo low-E, de baixa emissão”, ela exemplifica.
O edifício é um raro exemplo, no
Brasil, das múltiplas combinações
possíveis para obter os resultados esperados
(leia o quadro
Tipos de vidro e suas indicações).
O conforto térmico, com uso racional do sistema
de condicionamento de ar, é definido basicamente
pela aplicação do vidro insulado com 25
mm de espessura total, com face externa em low-E de
6 mm, câmara de ar com 13 mm e vidro float transparente
também com 6 mm, detalha Marinha.
Essas características dão inteligência
às fachadas e são conseqüência
da evolução tecnológica que coloca
novos tipos de vidros e acessórios no mercado.
“Só agora o Brasil está começando
a especificar vidros especiais para arquitetura, por
isso muita coisa que parece nova por aqui já
está em uso há anos lá fora”, diz
Elisabeth.
É o caso do vidro laminado com resina líquida
no lugar do polivinil butiral (PVB). “Poucos conhecem,
mas o laminado com resina é uma boa opção
quando se precisa de mais isolamento acústico
ou de mais segurança, como em guaritas”, ela
exemplifica.
Outra novidade, destaca Perez, são as películas
na forma de filmes extrafinos com desenhos em
diferentes cores e formatos inseridas na laminação,
e não na superfície. Elas diferenciam
e dão identidade ao projeto, mas também
agregam valor porque o desenho pode barrar determinadas
radiações e melhorar o coeficiente de
sombreamento e o controle da luminosidade.
“Podem ser usadas em vidros refletivos ou não-refletivos
e servem tanto para fachadas quanto para divisórias”,
ele afirma.
A exemplo do PVB, a película decorativa também
confere ao vidro mais resistência e melhor desempenho
acústico.
O mercado dispõe de películas para
aplicação na superfície do vidro
com diferentes finalidades, como controlar o ofuscamento
nas áreas internas ou reduzir a transmissão
de luz. Segundo Perez, seu uso requer conhecimento,
pois, conforme o tipo de vidro e de película,
o desempenho pode ser favorecido ou prejudicado.
“Convém consultar o fabricante do vidro antes
de aplicar esse tipo de produto”, alerta. Entre as películas,
é possível encontrar variedades que emprestam
características do laminado aos temperados comuns.
“Existe uma película de segurança
aplicada externamente que retém os cacos
no caso de quebra.” Outro produto recém-lançado
são as películas duplo-refletivas, que
eliminam o efeito espelhado que as superfícies
envidraçadas apresentam à noite, favorecendo
a visibilidade de vitrines, por exemplo.
Esse mesmo tipo de película pode ser aplicado
para assegurar a vista para o exterior em edifícios
que usam vidros refletivos comuns, conhecidos por
impedir a visão noturna de dentro para fora.
Entre outros produtos disponíveis nos EUA e na
Europa, mas ainda pouco acessíveis à realidade
brasileira, estão vidros autolimpantes e
com proteção anti-risco. Há películas
especiais de ângulo seletivo para controle
solar e versões resistentes a balas, fogo
e explosões.
“Desde 11 de setembro essa película é
de uso obrigatório nos edifícios governamentais
norte-americanos”, detalha Marinha. Por fim, as películas
de alta tecnologia incorporam células fotovoltaicas
que captam a radiação solar e a transformam
em energia elétrica, para consumo do edifício.
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Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 269 Julho 2002 |
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| Sede do BankBoston, em São
Paulo: exemplo da especificação de vidros
em favor do conforto e da economia de energia |
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Fachada da Metalúrgica
Galutti, em São Paulo:
vidro laminado refletivo com película interna azul-escura |
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Películas inseridas
na laminação do vidro propiciam
diferenciais de cor para a fachada de edifícios
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Conjunto vidros-película
diferencia o lobby
do Hotel Henry Hudson, em Nova York |
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| Os arquitetos dispõem
de novos padrões de vidro impresso, ideal para
atenuar a transparência sem perder luminosidade |
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Película de segurança
exterior reforça segurança
da fachada de vidro em prédio de 62 andares, na
Tailândia
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| A evolução
da tecnologia possibilita curvar o vidro aramado, de alta
resistência a impactos. A malha metálica
retém os cacos no caso de quebra |
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